Banho de mangueira (e todas aquelas diversões simples que você deixou se perder)

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Sábado de sol no interiorrrr. 30 graus. Nada de correr vento. Coloquei o biquíni, passei filtro solar, ajeitei os óculos escuros, escondi a garrafa d’água numa sombrinha. E lá fiquei eu, largada na espreguiçadeira. Não era piscina. Era o gramado do quintal mesmo. É das coisas simples da vida que me fazem bem, me divertem. Sol na pele. Me energiza.

Mas o calor do interiorrrr… Pra combatê-lo, tive uma grande ideia. Banho de mangueira! Claro! Não tinha piscina, fui de esguincho! Meu namorado, que achou graça na situação, me ajudou. Mirou o jato da água fresquinha em mim. Foi tão bom quanto um mergulho.

Logo lembrei das vezes que minha vó me deu banhos de mangueira para combater os dias quentes de quem foi criada em cidade de praia. Também daquela clássica piscina de plástico, Regan, que meu pai montava nas férias pra mim e meu irmão. Quantas Barbies, Falcons e Playmobils nadaram ali com a gente. Às vezes, o pai e a mãe entravam junto, família inteira. Parecia um banheirão, pequena pra todo mundo. Diversão garantida.

Banho de mangueira. Família espremida na piscina de plástico. Castelinhos na areia da praia com a vó ou as tias. Tomar sol. Jogar queimada na rua no fim de tarde (com sol mais baixo já, dizia a vó). Ir no clube domingo só com o pai – que deixava a gente almoçar coxinha com Guaraná. Noites de verão com a cadeira de praia no portão pra conversar ou caminhada no calçadão à beira mar.

Lembranças boas de infância. E olha que essas são só as de verão! Tanta coisa simples e gostosa que a gente já fez nessa vida… Se divertiu de verdade com tão pouco e na companhia de pessoas queridas…

Um dos nossos maiores erros é deixar que se percam essas alegrias singelas, mas que são as que guardamos na memória com mais carinho. Aqueles momentos que não foram caros e nem glamurosos, mas cheios de amor envolvido.

Vou continuar achando bacana nadar na piscina infinita de um hotel bonitão. Voltarei, porém, a prestar atenção e dar valor a um engraçado e refrescante banho de mangueira, por exemplo. Aliás, em tempos de economia apertada, é uma ótima ideia redescobrir programas simples, baratinhos, nos quais o que importa mesmo é a companhia. Os blocos de rua do Carnaval, que ninguém paga nada pra brincar, estão aí pra provar isso. 🙂

Valorizar a simplicidade também ajuda a fazer uma faxina emocional. A entender o que é realmente essencial nos nossos dias. O que nos traz equilíbrio. Receito a você pelo menos um banho de mangueira por semana (ou algo do gênero). Receito um resgate urgente das diversões e alegrias simples. São boas soluções para recarregar as energias e nocautear os desafios.

Crédito da imagem: Blog Vai Pra Rua Menino

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Uma lista realista

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E aqui estamos nós, já pra lá do meio do primeiro mês de 2016. Às vezes, ainda parece um 2015 parte 2. Mas as mudanças, as transformações necessárias, as decisões já se avistam. Firmes em alguns casos. Bonitas em outros. Merecidas. Vamos em frente!

Para ajudar a alcançar aquilo que a gente deseja, confio profundamente no poder disciplinador de uma boa lista de planos. Ano passado acabei não preparando uma e andei meio perdida vez por outra.

Acredito que expressar nossas intenções e desejos no papel (ou na tela do computador, do tablet, do smartphone) permite pensar com mais clareza o que ficou pelo meio do caminho, o que deve ser retomado, o que não se quer mais viver e o que se espera de novo.

Há, porém, uma armadilha comum na nossa listinha de desejos: planejar muitas coisas que não dependem só de nós, mas de outros envolvidos. Sim. Há sonhos que se sonham juntos. Mas são os mais fáceis de apresentarem descompassos pelos mais diferentes motivos: tempo, dinheiro, preparo emocional, disposição física, momentos de carreira distintos, valores, etc.

Não estou querendo jogar balde de água fria nas alegrias de ninguém, não! Todo mundo pode continuar fazendo seus planos a dois, entre amigos, com familiares. Claro que sim! Também não estou dizendo pra sair por aí sendo egoísta e pensar apenas nas próprias vontades, sem medir as consequências, machucando quem se ama ou afundando no orgulho quando precisa de ajuda.

O que eu proponho é uma lista realista de metas para 2016. É focar naquilo que depende das suas capacidades. Que se virar sucesso a vitória é sua. Se for fracasso a culpa também lhe pertence. É assumir responsabilidades, lapidar talentos, enxergar com humildade os erros, buscar acertar, construir felicidade concreta, palpável.

Pesado? Maior responsa? Sem dúvida. Mas é também o melhor meio de reforçar sua autoestima e te ensinar, nem que seja na marra, que as alegrias e conquistas que você tanto quer são muito mais resultados de seus movimentos do que dos demais. Garra e escolhas. Determinação (melhor se vier com doçura).

Coragem. Faça sua lista. Eu estou fazendo a minha. Ninguém disse que seria fácil. É importante. E pode ser libertador.

Crédito da imagem: blog Casal Sem Vergonha

Com os olhos da alma

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Minhas mãos seguravam o topo do chapéu de aba vermelho. Foi a manhã que mais ventou. E era a última de dias bonitos na bela Maragogi, em Alagoas. 30 de dezembro. Com o biquíni azul, meu preferido e mais velhinho (certeza que será o último verão dele…), caminhei pela praia até chegar no encontro do mar e do rio. As águas brilhavam com o sol batendo ali. Eu admirava aquele instante perfeito em pé no banco de areia que se formou. Não tirei foto. Guardei a imagem com os olhos da alma.

Olhar com a alma é sentir de verdade. É processar nossas verdades. É lembrar o que a gente quer de verdade. Em tempos em que olhamos tanto, tanta coisa ao nosso redor, e enxergamos com o coração tão pouco, que privilégio foi parar por longos minutos nas águas do rio e do mar no meu tornozelo, me dando a chance de pensar, repensar, reconsiderar. De agradecer, até pelos desafios e decepções que ensinam muito e mostram para onde rumar. De evocar desejos, sonhos e conquistas esperadas para o novo que logo iria chegar.

Quando a gente olha com a alma, somos capazes de sermos gratos e felizes com a realidade que só consideramos dura. Entendemos as pequenas alegrias como grandes. As pequenas vitórias como enormes troféus. Paramos de nos preocupar em achar que nunca tá bom. Nem o trabalho que temos, nem o curso que fazemos, nem a pessoa com quem nos casamos, nem a roupa que compramos, nem o destino de viagem escolhido, e assim vai. Sempre pra baixo.

Os olhos da alma ensinam que você é especial, não precisa se comparar com ninguém, não precisa entrar no jogo de ninguém pra se sentir aprovado e/ou querido. Quem é capaz de enxergar além das aparências, do status, das ilusões, das exigências de perfeições é tão mais pleno.

Nesse 2016 espero, sim, que você transforme tudo aquilo que não mais te faz feliz. Que você seja capaz de desapegar do que não serve mais, abra portas, amplie horizontes. Que busque o que te energiza, e não o que desvitaliza. Mas também tenha a sabedoria de conservar com doçura os presentes que a vida já te deu – e que na cegueira cotidiana de quem nunca se vê satisfeito com nada, é incapaz de valorizar.

Enxergue de verdade, com os olhos da alma. E então, seus dias vão se transformar.