Delicadeza em papel, caneta e colorido

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A gente às vezes perde muito tempo pensando em como poderia ajudar alguém. Acaba sem de fato ajudar, sem saber o que fazer. Dizer que não tem tempo é de praxe. Não é nem que não é verdade. Nos enrolamos mesmo nesse cotidiano preenchido demais. Sempre existe, porém, um caminho. E a ideia simples, mas desenvolvida com dedicação e carinho, pode ser bem impactante. Ter um efeito tão positivo que permite às pessoas retomarem sonhos, se reerguerem, recomeçarem. Acreditarem em dias melhores.

Hoje eu trago aqui no blog dois exemplos bonitos de projetos criativos que estão ajudando muitas mulheres pelo país. Por meio de cartas com palavras de acolhimento e ilustradas com sensibilidade, as voluntárias dizem “você não está sozinha”. Vocês precisam conhecer! Abaixo, mais detalhes dos projetos “Eu vejo flores em você” e “Flores e Histeria”:

Eu vejo flores em você (www.euvejofloresemvoce.com / www.facebook.com/asfloresemvoce/)

Feito por garotas que se viram em situações difíceis e encontraram na troca de cartas um jeito de apoiar outras mulheres. Diz a página do Facebook do projeto:

“Nós ilustramos cartas de mulheres para outras mulheres e enviamos por correio sem custo algum, mas num envelope lotado de amor! Para ver algumas das cartas já enviadas, acesse euvejofloresemvoce.com.”

As meninas também vendem cadernos do tipo Moleskine (com impressão em couro sintético) por R$ 50. A receita é revertida para pagar os custos de produção; pagar um caderno de presente para cada voluntária que está trabalhando intensamente desde fevereiro no projeto; cobrir alguns custos recorrentes do projeto; e financiar novas ações, inclusive a produção do livro para a gaúcha Gisele Santos, que teve as mãos decepadas por seu companheiro (http://bit.ly/campanhagisele).

Flores e Histeria (www.facebook.com/floresehisteria/)

Como diz a página do Facebook do projeto, “a decisão do tema veio da necessidade de reduzir a distância e a frieza com que, geralmente, a grande mídia trata os casos de transtornos psiquiátricos, que, com frequência, incidem mais sobre o sexo feminino. Não queremos falar de estatísticas, números ou estudos. Nosso objetivo é trazer a delicadeza e sensibilidade que estão em falta. Queremos promover o amor e carinho que existe entre as mulheres nesta condição. Ainda somos um grupo – uma dupla, na verdade – bem pequeno, então vamos explicar aqui como vai funcionar a primeira fase de “teste”:

• Vamos criar um formulário para receber as histórias e dados das interessadas em participar do projeto.
• Vamos fazer um processo de “triagem” (infelizmente, já que a gente queria poder mandar cartas para todas…), e entrar em contato.
• O critério principal da triagem será a diversidade (realidades distintas, diferenças regionais e culturais, etc).
• O contato será feito totalmente de forma virtual e a seleção dos pares (quem entrará em contato com quem) será feita por nós.
• As selecionadas vão encaminhar as cartas para nós (por e-mail) e todo o processo de escrita, ilustração e o envio ficará por nossa conta.
Nossa ideia é que isso ocorra mensalmente, criando assim um grande vínculo e um núcleo de mulheres que possam se ajudar com carinho, atenção e cuidado.”

As meninas, que são voluntárias em ambos os projetos, são uma excelente inspiração para começarmos mais uma semana. São alento em tempos em que tantas vezes nos custa acreditar na humanidade. Mas sempre tem quem se importe. Sempre vai existir quem seja capaz de espalhar doçura e delicadeza por onde passar.

Crédito da ilustração: Letícia Rodrigues

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Divida as tristezas

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Ninguém é forte o tempo todo. As histórias tristes são inevitáveis. A tristeza nos ensina a dar valor à alegria. Nossas dores também precisam ser compartilhadas. Compartilhar, ser ouvido e acolhido, seja do jeito que for, é um meio para superar um momento difícil.

Achei importante escrever esse texto depois que uma pessoa querida comentou sobre o e-mail que criei (blogfaleaomundo@gmail.com) e fiz um post convidando os leitores a dividirem comigo suas histórias de vida. Ela me disse: “Pensei em escrever, mas só tenho histórias tristes para contar”.

Passei dias imaginando quais seriam essas tristezas. Algumas eu conheço. Foram realmente situações em que é preciso pensamento forte, fé e muito afeto da família e dos amigos para seguir em frente. Mas fiquei preocupada que outras tristezas sejam parte de seus dias e ela não procure ajuda, carregue tudo sozinha no coração.

As histórias tristes marcam tanto a nossa vida, podem de fato ser tão traumáticas, que talvez a gente custe a perceber a felicidade (que sempre existe). Por isso, é essencial compartilhar, dividir, contar tantas vezes quanto forem necessárias até ressignificar. Até se transformarem apenas em experiências que ficam no passado, sem atrapalhar o futuro.

A terapia ajuda muito. Digo isso graças a uns sete anos de divã. Primeiro, cinco anos direto. Depois, com intervalos e por motivos pontuais. É a melhor maneira que conheço para compreender o que vai na cabeça e no coração, a destrinchar o que nos leva a determinadas ações e reações. A outra possibilidade (que não exclui a anterior) é ter com quem contar. Familiares e amigos de extrema confiança para nos ouvir, apoiar e também mostrar quando estamos cometendo os mesmos erros ou insistindo em comportamentos recorrentes que nos são prejudiciais. Falando em voz alta o que muitas vezes não queremos admitir.

O e-mail blogfaleaomundo@gmail.com está aberto para todo tipo de história. Felizes e tristes. Sérias ou divertidas. Também para dúvidas, um “oi” ou só pra gente bater papo. Mas desde já, o essencial: nunca duvide que você pode reconstruir seu cotidiano. A dor chega sem aviso. Mas tem muita boniteza poderosa no caminho capaz de abrandá-la. De transformar o sofrimento em leve e distante lembrança. ❤

Crédito da imagem: favim.com

Aquela boa e velha história de “faça sua parte”

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A sociedade anda uma vergonha, heim?! Um emaranhado de egoísmo, preconceito, ignorância e vaidade. Tudo aí, de bandeja e sem limites. Nas relações pessoais e profissionais. Nas falas de políticos que se aproveitam da insegurança para disseminação da cultura do medo e do ódio ao próximo. Na postura de quem só deseja salvar a própria pele, custe o que custar.

Sim, desde que o mundo é mundo a crueldade e suas vertentes existem. Não é novidade. Mas, uau, que tempos assustadores são esses em que com tanta informação à disposição para conhecer e refletir somos incapazes de nos colocarmos no lugar do outro, de exercer a empatia, de darmos as mãos para evoluirmos juntos?

Tem horas que fica difícil acreditar que ainda existam pessoas dispostas a criar e a impulsionar coisas boas. Mas existe! Ah, você pensou que esse seria um texto amargo, né? Não, não. Porque tem bastante gente em busca de dinâmicas mais saudáveis, generosas e que influenciem nossos dias de uma maneira positiva. Um pessoal empenhado em ajudar o outro a melhorar, a transformar realidades. Aquela boa e velha história de “fazer a sua parte”.

Vou dar dois exemplos recentes que conheci. O primeiro é o Migraflix (www.migraflix.com.br), uma plataforma de workshops culturais. Como diz o site dos caras, trata-se de um time formado por imigrantes, refugiados e brasileiros que “acredita em uma sociedade mais justa e inclusiva”, “que cada cultura é rica à sua maneira e que a troca de experiências é uma importante ferramenta de transformação.”

Basicamente, esse grupo de São Paulo teve a sacada de colocar imigrantes e refugiados para ministrarem cursos de gastronomia, arte e música de seus países. Os preços dos workshops são justos (entre R$ 70 e R$ 90), o público entra em contato com uma nova visão e aprende um assunto de seu interesse. Vai desde tango argentino até culinária síria, passando por caligrafia árabe e ritmos do Togo.

As aulas duram cerca de três horas. O valor é dividido em 80% para o imigrante-professor e 20% para manutenção do programa. É um projeto social sem fins lucrativos.

Outro grupo (do qual agora faço parte!) é o Toastmasters Brasil (www.brasiltoastmasters.com.br). Trata-se de uma organização educacional sem fins lucrativos da rede Toastmasters International, referência global em desenvolvimento de competências de liderança e comunicação, criada em 1924, na Califórnia, Estados Unidos. Atualmente, conta com mais de 332 mil membros no mundo e mais de 15 mil clubes em 135 países. Um poderoso networking.

Nesses quase cem anos, a Toastmasters International ajudou pessoas de várias origens a se tornarem confiantes diante de uma plateia. A missão da organização é empoderar as pessoas para se tornarem líderes e comunicadores mais efetivos.

Nas reuniões, que ocorrem a cada 15 dias, os participantes apresentam regularmente discursos pelos quais recebem feedbacks das lideranças dos clubes. A ideia é que os membros possam atingir seus objetivos em um ambiente que oferece apoio de maneira amigável e descontraída, focado na cooperação e, não, na simples competição.

Assim como o Migraflix, aqui há uma sacada: incentivar as pessoas a enfrentarem o medo de falar em público e de influenciar de maneira positiva o meio em que vivem, sem dizer a elas que precisam arrancar a cabeça de quem atravessar o caminho para vencerem, sobreviverem. Os valores do Toastmasters são: proatividade, comunicação, responsabilidade e alto padrão. Mas toda capacidade é tratada de uma maneira em que exista a colaboração.

Cada Toastmaster começa sua jornada com um discurso inicial. Durante as reuniões, aprende a contar suas histórias. Dá, recebe e aceita feedback. Além de se aprimorar, também faz novos amigos. Por ser uma organização sem fins lucrativos, a educação em liderança e comunicação da Toastmasters Brasil não cobra mensalidades. Apenas uma taxa semestral de valor infinitamente mais acessível (por volta de R$ 300) do que muito MBA que tem objetivo semelhante. Ao final de cada etapa são emitidos certificados.

Em tempos de desemprego em alta, necessidade de reciclagem e aperfeiçoamento profissional, é uma oportunidade interessante. Você pode visitar um dos clubes para conhecer como funcionam os encontros (no site estão os endereços e em breve novos serão abertos). Alguns são bilíngues (ótimo para treinar o inglês). E tem gente de vários países que estão no Brasil pelos mais diversos motivos! Ou seja, de quebra quem participa vive uma experiência de diversidade cultural.

Dois exemplos, cada um a sua maneira, provando que dá pra ser mais e melhor. Basta criatividade – e menos olhar para o próprio umbigo.

Crédito da imagem: site O Segredo

Medalha de ouro para as vitórias da vida

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A gente não acreditava no que via. A apreensão deu lugar ao encantamento. Sim! A festa de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 estava deslumbrante, emocionante e carregada de simbolismos. Mostrava, com elegância, alegria e colorido, o nosso melhor. Pedia união, paz e consciência – tão urgentes em dias de ódio gratuito em escala assustadora, preconceitos estúpidos, gente se achando cheia de razão e vindo à tona o pior do ser humano.

Fizemos bonito, então.
Pirei naquela pira olímpica de encher os olhos!

Rolou um alívio geral ao não nos vermos duramente criticados mais uma vez pelo mundo. Não que as razões não existam… São muitas. Mas a gente tava precisando desse afago aos olhos do planeta, vai? Nossa autoestima andava lá no pé, arrastada mesmo, envergonhada pelos nossos problemas socioeconômicos, políticos, as sempre gritantes diferenças sociais. E ainda as guerras de braços pela internet afora – nos lembrando que a ignorância e o desrespeito ao outro pode ir mais longe do que se imagina.

Foi lindo o show. Vão se provando lindos os jogos, marcados por histórias de superação inspiradoras. Muitas dando aquele tapa na cara de quem um dia achou graça em humilhar alguém. Enquanto escrevo esse texto, a judoca brasileira Rafaela Silva, 24 anos, comemora sua medalha de ouro, a primeira do Brasil. Em 2012, a atleta, que enfrentou a pobreza na infância, foi alvo de racismo e críticas após ser eliminada da Olimpíada de Londres.

E tem também quem é capaz de carregar medalha de ouro na categoria melhor ser humano. Na Olimpíada que traz a primeira delegação de refugiados, a história de uma menina de 18 anos aperta o coração. Antes de chegar aos jogos, a jovem nadadora síria Yusra Mardini nadou nas águas geladas do Mediterrâneo para não só salvar a própria vida, mas também a de outras 20 pessoas.

No ano passado, quando fazia a travessia por mar para chegar à ilha grega de Lesbos e fugir da guerra, seu barco começou a afundar em meio ao trajeto. Ela e sua irmã, que também sabia nadar, pularam no oceano e empurraram o barco com os refugiados durante três horas e meia até chegar em terra firme.

Vitórias sobre os obstáculos impostos pela realidade. Mas pode chamar de lugar mais alto no pódio da vida.

Crédito da imagem: Rio 2016

Escreve pra mim! :)

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Vem conversar comigo, me contar sua história, dividir experiências! Vamos trocar ideias sobre relacionamentos, desafios, perdas, alegrias e afetos! 🙂 O FALE AO MUNDO Por Suzane G. Frutuoso agora tem também e-mail: blogfaleaomundo@gmail.com. Espero sua mensagem! ❤ #boanoite