Medalha de ouro para as vitórias da vida

YBruidZ7

A gente não acreditava no que via. A apreensão deu lugar ao encantamento. Sim! A festa de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 estava deslumbrante, emocionante e carregada de simbolismos. Mostrava, com elegância, alegria e colorido, o nosso melhor. Pedia união, paz e consciência – tão urgentes em dias de ódio gratuito em escala assustadora, preconceitos estúpidos, gente se achando cheia de razão e vindo à tona o pior do ser humano.

Fizemos bonito, então.
Pirei naquela pira olímpica de encher os olhos!

Rolou um alívio geral ao não nos vermos duramente criticados mais uma vez pelo mundo. Não que as razões não existam… São muitas. Mas a gente tava precisando desse afago aos olhos do planeta, vai? Nossa autoestima andava lá no pé, arrastada mesmo, envergonhada pelos nossos problemas socioeconômicos, políticos, as sempre gritantes diferenças sociais. E ainda as guerras de braços pela internet afora – nos lembrando que a ignorância e o desrespeito ao outro pode ir mais longe do que se imagina.

Foi lindo o show. Vão se provando lindos os jogos, marcados por histórias de superação inspiradoras. Muitas dando aquele tapa na cara de quem um dia achou graça em humilhar alguém. Enquanto escrevo esse texto, a judoca brasileira Rafaela Silva, 24 anos, comemora sua medalha de ouro, a primeira do Brasil. Em 2012, a atleta, que enfrentou a pobreza na infância, foi alvo de racismo e críticas após ser eliminada da Olimpíada de Londres.

E tem também quem é capaz de carregar medalha de ouro na categoria melhor ser humano. Na Olimpíada que traz a primeira delegação de refugiados, a história de uma menina de 18 anos aperta o coração. Antes de chegar aos jogos, a jovem nadadora síria Yusra Mardini nadou nas águas geladas do Mediterrâneo para não só salvar a própria vida, mas também a de outras 20 pessoas.

No ano passado, quando fazia a travessia por mar para chegar à ilha grega de Lesbos e fugir da guerra, seu barco começou a afundar em meio ao trajeto. Ela e sua irmã, que também sabia nadar, pularam no oceano e empurraram o barco com os refugiados durante três horas e meia até chegar em terra firme.

Vitórias sobre os obstáculos impostos pela realidade. Mas pode chamar de lugar mais alto no pódio da vida.

Crédito da imagem: Rio 2016

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