Sintonia fina

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Já dá pra dizer sem pestanejar: 2016, amigos, não foi nada fácil. Na real, quase um repeteco de 2015 no quesito “vamos testar os limites desse pessoal aí”.

Particularmente, me assusta profundamente quanto ganhou força discursos que tornam preconceitos a “coisa certa”. Que fazem do excludente uma necessidade. Andamos um tanto para trás como sociedade. Mas para equilibrar ganhamos – e ganharemos outras em breve 😉 – iniciativas que exigem respeito às diferenças e lutam contra machismo, racismo, xenofobia, homofobia e todas aquelas questões que demonstram até onde pode chegar a pequeneza e a ignorância do ser humano.

Também avançamos, me parece como nunca, no combate à corrupção. Só preocupa a sensação de que não se salva ninguém. Que a limpeza da sujeirada toda está apenas no começo – e é provável que muito peixe grande continue por nadar livremente no mar das falcatruas.

Tivemos tragédias. Muitas. Tristezas coletivas que nos lembram quanto somos absolutamente frágeis diante da vida.

A mim diretamente, nada de grave aconteceu a ponto de desestruturar meus dias, jogar com meu destino. Enfrentei dificuldades e decepções. Mas consegui deixar para trás o que assim se fez necessário. Ressignifiquei e renovei o que me parecia valer o esforço.

Mas para muita gente querida que me é próxima, sim, 2016 foi um desafio maior que o previsto. Problemas de saúde física e emocional, frustrações, imprevistos financeiros, confianças quebradas, mesas de trabalho deixadas para trás quando não se esperava. Os dramas naturais da trajetória de cada um, mas com tempero de grandes ensinamentos sobre nossas limitações, sobre o valor dos recomeços, da maturidade, da responsabilidade consigo mesmo e com quem amamos (ainda que em meio aos conflitos).

O especial de 2016? A certeza dos encontros com gente muito bacana por aí. Pessoas que cruzam nosso caminho sempre com algo a nos ensinar. Sintonia fina. Tem quem vira amigo. Tem quem se torna parceiro de trabalho. Quem sabe um novo amor? Há quem por empatia e gratidão a tudo o que conquistou faz questão de se disponibilizar como mentor para novas e bonitas causas impactarem positivamente a sociedade. Sempre existem aqueles com quem a gente senta pra conversar horas e dar muita risada. E não vamos esquecer aqueles que fizeram questão de nos tratar com gentileza em meio a um cotidiano competitivo e agressivo.

Quantas pessoas lindonas assim, com mensagens importantes para você, surgiram no seu 2016? Não foram poucas, pensa bem. Você pode não ter dado atenção a essas presenças. Mas elas sempre estão por perto. Pode acreditar. Sim, sem dúvida, as que machucam também estão. Mas dando força às relações de afeto que realmente nos ajudam a ser alguém melhor e transformam nossos dias, quem ou o que nos prejudica a gente simplesmente consegue deixar pra lá.

Então, nesse ano desafiador de ensinamentos, leve a certeza de que sempre existirão boas pessoas entrando na nossa vida. Elas acabam também nos lembrando quão essencial é valorizar aqueles que já moram no nosso coração.

Crédito da imagem: Projeto Seja Feliz

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