Qual o seu papel no mundo?

Já é quase Natal de um ano que passou rápido, mas acontecendo tanta coisa diferente que parece três anos em um. Pra muita gente, um tempo de construir do zero projetos, histórias e rumos bonitos. Pra tantos outros, de ver desmoronar as ilusões típicas dos castelos de areia, principalmente os construídos sob a vaidade e a certeza da impunidade.

Pra mim, particularmente, foi um ano de descobrir que eu sei fazer coisas que nem imaginava. O que, no fim, me fez entender qual o meu papel no mundo. A Dani Junco, que foi uma das pessoas que me inspiraram muito nesse 2017, fundadora de uma aceleradora para mães empreendedoras, a B2Mamy, diz que a gente tem dois momentos importantes na vida: quando a gente nasce e quando a gente descobre porque nasceu.

Ser empreendedora não era um sonho de criança. Mas ajudar as pessoas a se desenvolverem, se reconhecerem e conhecerem novas realidades, inclusive por meio da comunicação, além de levantar reflexões importantes para a sociedade, sempre foi. É o que eu sabia que sabia fazer. O que eu não sabia é que eu sabia também vender ideias e soluções, criar estruturas únicas e estratégias tanto para erguer outras empresas quanto para erguer autoestimas. E isso é rico, gratificante e me abriu um mundo de possibilidades.

Uma delas é ser mentora. A mentoria é algo muito comum em outros países, principalmente nos Estados Unidos, onde muita gente começa a receber esse tipo de orientação antes mesmo de entrar na faculdade. No Brasil vem crescendo. Muitas empresas já designam colaboradores mais experientes para serem uma espécie de guia para profissionais mais jovens, os ajudando a se desenvolverem na carreira e até em questões pessoais.

No empreendedorismo essa mentoria acontece muito em cursos, workshops, nos quais os participantes precisam tirar uma ideia do papel ou modelar melhor a ideia de um negócio. E aí entra a figura do mentor, auxiliando na estruturação desse projeto.

Todo mundo tem aquelas pessoas que se tornam referências, alguém em quem a gente se espelha. Eu tive muitas e em diferentes momentos da vida. Mulheres e homens. Mas um deles, que é meu amigo até hoje, há mais de dez anos, foi o meu mentor. Foi quem quando tudo parecia nublado demais me ajudou sempre a enxergar as devidas dimensões dos problemas, se de fato eram problemas, além de nunca me deixar esquecer o quanto eu já havia construído, o quanto eu era capaz.

E essa é a diferença da pessoa em que a gente apenas se espelha, admira. Um mentor não é só alguém que a gente quer ser quando crescer. Ele te levanta, mas também confronta seus melindres, medos e exageros. Ajuda você a refletir, reflete junto com você até, mas deixa por sua conta a escolha do caminho. Influencia, mas para fortalecer. Não só para ser admirado e querido. Pra em alguns momentos você ficar de saco cheio dele. E depois voltar.

No fim, esse 2017, além de tudo, me deu de presente a oportunidade de mentorar uma mocinha valente, que do alto dos seus 17 anos, entre a correria de prestar vestibular e lidar com todas as emoções de se despedir do último ano da escola, não deseja só sonhar. Mas concretizar os sonhos. Pensar nos planos desde já, sabendo que o caminho não é linha reta. É cheio de curvas, subidas, descidas, mas… nossa! “Vai ser tão legal! Tem tanta coisa!”, me disse ela, sobre o mundo que virá, em um das nossas conversas via skype nos finais das tardes das segundas-feiras.

Ser mentora é uma responsabilidade que é também um aprendizado. Não ensino. Troco. Pensamos juntas. Compreendemos juntas. Ela, sobre questões que não sabia. Eu, relembrando como tantas dessas questões são importantes e não devem ser esquecidas jamais.

Logo em uma das nossas primeiras conversas eu disse a ela: “Pensar qual é a faculdade e onde deseja trabalhar são só os primeiros passos. Isso tudo você consegue. O que eu quero é que você nunca deixe de se perguntar qual é o seu papel no mundo.”

No final daquele dia, naquela conversa, aos quase 40 anos e com um filme rapidinho passando pela cabeça sobre 2017, fui eu quem entendi qual era, enfim, o meu papel.

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Mesmo barco

O sol queimando. Nem sinal de inverno. Quinta-feira de feriado. 10h30. Umidade relativa do ar em queda. E eu felizinha de colocar o biquíni depois de meses, de sentir calor na pele, de dar umas braçadas na piscina do prédio. Temperatura da água ideal.

Tem mais gente na piscina. Sempre tem quem prefere não viajar em feriado. Tem também quem tá sem grana mesmo pra viajar no feriado. Não que quem viajou tá assim, com grana. Quem no Brasil atual tá tranquilão pra gastar? Esse Brasil da Lava Jato que ninguém mais sabe no que vai dar. Só se for herdeiro. Aí tá tranquilão. Ah, isso se não for herdeiro de político. Se bem que a cara de pau é tamanha nesse métier que deve ter gente tranquila, sim… Consciência pesada é coisa de classe média, certeza.

“Quer óleo de coco? Dá um bronze”, oferece meu vizinho na espreguiçadeira ao lado. Ou foi gentileza por eu avisar que a cadeira que ele sentaria estava quebrada ou deu a entender que tô precisando de muito sol pra dar uma coradinha.

Agradeço e prefiro acreditar na gentileza. Ele é simpático. Percebi que estava com celular e fone aprendendo italiano online. Reparei também na moça do outro lado, lendo uma revista com pegada holística. Uma outra cantava baixinho as músicas que ouvia com fone. Parei de cuidar da vida alheia e voltei ao meu livro, da Marta Barcellos, “Antes que seque”. Premiado. Recomendo. O meu veio com autógrafo. ❤

Entro na água. A vizinha da revista holística entra um pouco depois. “Tá boa a água”, ela puxa conversa. “Tá, sim”, respondo sorrindo. “Não achei que hoje tivesse tanta gente na piscina”, diz. Já éramos uns dez ali esturricando no sol. “Tempos de incerteza. A piscina sempre enche mais quando o país tá em crise. É lazer sem gasto”, diz uma outra vizinha, que vai todos os dias de sol na piscina e é uma das moradoras mais antigas do condomínio.

O vizinho do óleo de coco participa da conversa e todos comentam sobre mudanças de hábitos recentes para diminuir gastos. No meio do papo, todos percebem que se sentem mais em paz com essas mudanças. Estão lendo mais, por exemplo. E a Netflix, campeã, tá aí pra gente maratonar nos seriados, com preço acessível. Os encontros com os amigos são na casa de alguém e cada um leva uma coisinha. Andar de bike, correr no parque. Tá bom. O importante é não deixar de espairecer. Mas sem gastar.

O povão, o assalariado, o empreendedor, o autônomo, o PJ, o carteira assinada, tá se virando, no compasso de um dia de cada vez. Reaprendendo os prazeres simples da vida – mais em conta. Tipo a piscina do prédio. Ou a viagem pra praia, mas com o dinheiro contado pro sorvete. Ou a viagem pro interior, mas só porque vai ficar na casa de parente. Ou a viagem pra outro estado, mas só porque pagou em 12 vezes. Pra outro país atualmente? Hahahaha… Ai, gente…

Então, não se preocupe. Você não tá mais f#%*@& que ninguém, não. Não acredite nas fotos glam do Facebook. Rede social é que nem os álbuns antigos: ninguém colocava foto de um momento difícil pra guardar de recordação. A diferença é que se mostrava só pras visitas, né? Agora todo mundo vê na timeline. Fica tranquilo. Estamos todos nos mesmo barco de um Brasil passado a limpo que já não se sabe mais nem o que é verdade ou não, quem é culpado ou não.

Todos na batalha, que é o que nos resta. E, sim, quanta graça e prazer no simples. Às vezes tão mais significativo e feliz do que o que nos custou caro. Quantas vezes foi caro e nem de longe foi sinônimo de felicidade? Lembra? Pois é…

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Não se preocupe: ninguém é feliz o tempo todo

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Eu ando feliz. Bem feliz. Muita coisa boa aconteceu nas últimas semanas. Tomei decisões importantes. Me senti querida por gente que é especial pra mim. Transformei projetos que me são caros em realidade. Não quer dizer que é fácil o tempo todo. Pelo contrário. Em meio a tudo, teve aborrecimento, teve estresse, teve atraso, teve gente agindo da pior maneira possível. Mas a felicidade foi mais forte. E é nisso que eu tenho que focar.

Eu ando bem feliz e sei bem que é temporário. Por isso, o negócio é aproveitar a onda boa e surfar nela. Porque acaba. É assim que é. É da vida. É oscilação. É alto e baixo. Alguns dos períodos de “alto” são super realizadores, com uma coisa boa chamando a outra, rápido, na sequência, se completando. Alguns dos períodos “baixo” parecem se arrastar, não terem fim, com problemas se sobrepondo, com tristeza dura que exige valentia pra superar.

Mas é vai e volta. Pra mim. Pra você. Pra todos nós.

Não se preocupe. Não deixe aquela invejinha que gela a espinha tomar conta de você quando vê alguém realizado. Ninguém é feliz o tempo todo. Claro, há quem vá atrás de criar oportunidades para si mesmo. Que busca o que acredita e não se deixa acomodar com o que não faz bem. Que tem, sim, medo de errar. Mas mais medo ainda de não tentar. Lembrando que se não dá certo fica como aprendizado. E ponto.

Exige coragem? Sem dúvida. E capacidade de lidar com o desconforto da incerteza. Rende, no entanto, uma existência plena, de momentos inesquecíveis.

Ninguém é feliz o tempo todo, vamos reforçar. Mas você precisa fazer a sua parte. A invejinha que gela a espinha pode até, de certa maneira, te impulsionar a correr atrás do que também quer. Só não vai ser combustível real e suficiente. Pare de perder dias preciosos incomodado com a alegria dos outros e construa alegrias para você e para aqueles que ama. ❤ 🙂

Crédito da imagem: YouTube Seu Jorge

Para onde você voltaria?

Meus amigos de infância, meus amigos de faculdade, meus professores. Os amigos dos meus pais, tão orgulhosos quanto eles, com aquele olhar cheio de afeto de quem me viu crescer. Havia calor. O do clima e o de gente que me quer bem.

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Antes de tudo, pessoal, mil desculpas por ficar mais tempo do que o esperado sem escrever por aqui. A ideia é postar sempre uma vez por semana. E lá se vão 16 dias desde o último texto. Mas olha, foi por bom e feliz motivo: a correria gostosa pra mais um dia de lançamento do meu livro Tem Dia Que Dói – Mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo (Editora Volpi & Gomes), no último dia 15.

Foi em Santos, litoral de São Paulo. A cidade onde nasci. O lugar de onde vim. A tarde de autógrafos ocorreu na Livraria Realejo. Ali eu folheava e admirava os livros nas prateleiras quando ainda era uma jovem jornalista, recém-formada, com um desejo secreto guardado no coração – ser também escritora.

Foi especial. Com a minha família. Minhas tias! Meus amigos de infância, meus amigos de faculdade, meus professores. Os amigos dos meus pais, tão orgulhosos quanto eles, com aquele olhar cheio de afeto de quem me viu crescer. Havia calor. O do clima e o de gente que me quer bem.

Foi especial. Na hora e nos dias seguintes. Ao andar na praia com sol no rosto e água fresquinha na altura do tornozelo. Ao conhecer minha viralatinha filhote, a Charlotte, que meu irmão e minha cunhada salvaram das ruas e me deram de presente. Ao sentar para conversar com universitários da região, lembrar a carreira que construí e incentivá-los mostrando que eles podem muito mais.

Ao olhar em volta e, de repente, tantos anos depois pensar: “Eu não só tenho para onde voltar. Eu tenho também, se assim eu decidir, como aqui (re)começar uma nova parte da minha história.” Por muito tempo eu não me senti mais parte desse lugar. Acho saudável. Acredito que a gente deve construir nosso caminho respeitando nossa identidade e aquilo que desejamos para nós. São Paulo me deu isso e muito mais. Sou grata e ainda me sinto em casa na capital cheia de poréns, mas também repleta de motivos de alegria pra mim.

Foi especial, no entanto, saber que parte do meu melhor tem raiz num lugar para onde eu voltaria. Cheio de referências positivas e no qual conseguiria desenvolver meus novos planos de vida que estão aí, batendo na minha porta.

É especial ter para onde voltar. Já pensou a respeito? Para onde você voltaria? Para uma cidade? Uma casa? Um colo? Ou um coração? Haverá uma volta em parte da história que você está (re)construindo a partir de agora?

Porque o novo é sempre bom e excitante. Mas a transformação que leva ao inédito caminho não precisa deixar para trás a nossa essência. Pelo contrário. É justamente a essência do que temos de bom que vai nos segurar e nos guiar pelos horizontes que se descortinam.

Então, pense bem… O que ficou para trás, mas ainda é parte importante de você? Para onde você voltaria?

Crédito da imagem: Tumblr

O livro Tem Dia Que Dói (Editora Volpi & Gomes) está à venda na Livraria da Vila da Alameda Lorena (www.livrariadavila.com.br), em São Paulo, e na Livraria Realejo (www.oseulivreiro.com.br), em Santos. A partir de novembro a publicação será comercializada também pela internet. Chegaremos em novas livrarias até o fim do ano. 🙂

Realização

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Ficamos ali, um olhando para o outro. Uma hora, talvez. Eu, encantada com sua beleza, seu colorido, seu brilho. Ele, me achando boba de tanto admirar. Meu livro. O primeiro. Depois de quatro anos de blog, quase 300 textos e mais de ano entre ideia e realidade, suas páginas nasceram. Nesse momento, caixas de papelão tomando conta da minha sala, com centenas de exemplares, significam realização.

“Tem Dia que Dói” foi como batizei. É o título do segundo texto que escrevi para o blog, lá no começo, em outubro de 2012. É o terceiro texto do livro. Surgiu num dia que doía muito a alma, carregada de um coração triste. De uma fase difícil. Bem difícil. De quando tudo parecia incerto demais. Sempre é incerto. Mas tem horas que é demais da conta e… dói. Como diz o subtítulo do livro, porém, “não precisa doer todo dia e nem o dia todo”.

Quem me chamou para essa essencial reflexão, de que “não precisa doer todo dia e nem o dia todo”, foi um amigo que leu o texto no blog. E acrescentou: “Momentos assim ajudam a colocar tudo numa outra perspectiva”.

Minha decisão desde então. Entender que dói, sim. E vai doer muitas vezes ao longo da vida, pelos mais diferentes motivos. Mas dá pra aprender com todas essas dores o que vale de verdade nossa preocupação e o que não merece tanta energia. Que bem ali, ao lado da tristeza, tem alguém ou algum motivo que vai fazer você sorrir de novo. Que é importante que venha sempre a dor para entendermos de verdade a felicidade.

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Histórias de relacionamentos, perdas, desafios, afetos, recomeços. Histórias aquelas que todos nós, de um jeito ou de outro, já enfrentamos ou conhecemos.

O lançamento do livro “Tem Dia Que Dói – Mas Não Precisa Doer Todo Dia e Nem o Dia Todo” (Editora Volpi & Gomes) será dia 29 de setembro, na Livraria da Vila da Alameda Lorena, em São Paulo (www.livrariadavila.com.br).

Pensamentos, emoções e a direção de nossas vidas

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“Nascemos com Deus e o demônio dentro de nós. São os potenciais da bondade e da maldade. A jornada espiritual é a regulação desses dois aspectos: intensificar os estados mentais positivos e mitigar os destrutivos. Nosso esforço deve ser por alimentar os aspectos positivos para sentirmos paz e bem-estar. A emoção que nutrimos é a que ganha, que se transforma em hábito, em comportamento.”

Ficamos lá, uma ao lado da outra, num exame de consciência e também de avaliação daqueles que nos são próximos. Eu e minha melhor amiga passamos o último sábado na palestra do monge budista Geshe Dadul. O seminário foi organizado pelo Tibet House Brasil, centro de estudos e práticas tibetanas em São Paulo. Geshe explicou, com bom humor e leveza, como pensamentos e emoções influenciam-se mutuamente e determinam a direção que tomamos nas nossas vidas; como podemos regular as emoções com base nos nossos pensamentos e percepções de que algo não vai bem, que determinada situação nos faz muito mal.

Trocávamos olhares cúmplices quando o monge descrevia uma situação semelhante a que uma das duas passou, ou parecia falar de alguém do nosso convívio e – a mais difícil das tarefas – quando era o nosso pior mesmo que ele parecia apontar.

A descrição sobre a raiva foi das que mais nos impressionou: “Um episódio de raiva é a percepção distorcida da realidade. E pelo fato da emoção distorcer a realidade, nossa reação também está afetada. A capacidade de saber agir certo ou errado é sabotada. Quando somos tomados por uma emoção destrutiva, ainda que a gente não queira, não consegue responder de forma acertada.”

Conversamos depois, tomando café e entre um doce português e outro, sobre essa mania que temos de projetar nas pessoas e situações muito mais do que de fato está sendo oferecido. E como acabamos bravas, decepcionadas. Do quão complexo é tomar a perspectiva do outro e ser mais flexível ou, até mesmo, simplesmente desapegar.

Geshu deixou como lição a prática da meditação. De fato, quando eu fazia ioga e meditava todo dia, me achava um ser humano melhorzinho… Me concentrava com mais facilidade, inclusive. Prometemos que vamos tentar. Cinco minutinhos a noite, pelo menos, pra (re)começar. Geshu explicou: “Meditação é investir na educação do nosso coração. Então, percebemos ela (a raiva) chegando e sabemos o que acontecerá antes mesmo de surgir. E corta. Você não é varrida pela emoção.”

Vale para tudo o que o monge chamou de estados mentais obsessivos: inveja, ciúmes, ganância, vingança, agressividade e todas as sensações que não levam a nada, só nos fazem perder tempo e saúde emocional. Para minimizar essas reações na gente e também compreender quando alguém age tomado por esses sentimentos. É uma caminhada longa de compreensão e perdão. Mas ainda dá tempo. Vamos lá.

Divida as tristezas

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Ninguém é forte o tempo todo. As histórias tristes são inevitáveis. A tristeza nos ensina a dar valor à alegria. Nossas dores também precisam ser compartilhadas. Compartilhar, ser ouvido e acolhido, seja do jeito que for, é um meio para superar um momento difícil.

Achei importante escrever esse texto depois que uma pessoa querida comentou sobre o e-mail que criei (blogfaleaomundo@gmail.com) e fiz um post convidando os leitores a dividirem comigo suas histórias de vida. Ela me disse: “Pensei em escrever, mas só tenho histórias tristes para contar”.

Passei dias imaginando quais seriam essas tristezas. Algumas eu conheço. Foram realmente situações em que é preciso pensamento forte, fé e muito afeto da família e dos amigos para seguir em frente. Mas fiquei preocupada que outras tristezas sejam parte de seus dias e ela não procure ajuda, carregue tudo sozinha no coração.

As histórias tristes marcam tanto a nossa vida, podem de fato ser tão traumáticas, que talvez a gente custe a perceber a felicidade (que sempre existe). Por isso, é essencial compartilhar, dividir, contar tantas vezes quanto forem necessárias até ressignificar. Até se transformarem apenas em experiências que ficam no passado, sem atrapalhar o futuro.

A terapia ajuda muito. Digo isso graças a uns sete anos de divã. Primeiro, cinco anos direto. Depois, com intervalos e por motivos pontuais. É a melhor maneira que conheço para compreender o que vai na cabeça e no coração, a destrinchar o que nos leva a determinadas ações e reações. A outra possibilidade (que não exclui a anterior) é ter com quem contar. Familiares e amigos de extrema confiança para nos ouvir, apoiar e também mostrar quando estamos cometendo os mesmos erros ou insistindo em comportamentos recorrentes que nos são prejudiciais. Falando em voz alta o que muitas vezes não queremos admitir.

O e-mail blogfaleaomundo@gmail.com está aberto para todo tipo de história. Felizes e tristes. Sérias ou divertidas. Também para dúvidas, um “oi” ou só pra gente bater papo. Mas desde já, o essencial: nunca duvide que você pode reconstruir seu cotidiano. A dor chega sem aviso. Mas tem muita boniteza poderosa no caminho capaz de abrandá-la. De transformar o sofrimento em leve e distante lembrança. ❤

Crédito da imagem: favim.com