Mais silêncio. Mais leveza.

meditação

“A maior arte é saber ficar em silêncio. Não apenas ficar sem falar com os lábios, mas sem falar com a mente. Quando a mente está tranquila, todo seu ângulo de visão muda. Ao invés de atacar os problemas, ela começa a perceber as oportunidades, as coisas boas da vida. E, nessa discriminação que vem do silêncio, residem todas as outras artes. As artes que tornam a vida um prazer e um desafio; como a forma de falar uns com os outros, de divertir os outros, de aceitar uns aos outros. E também a arte de como ser feliz não apenas juntos, mas sozinho.”

Encontrei essa citação no Facebook de uma amiga. É um dos ensinamentos da Universidade Espiritual Mundial Brahma Kumaris, organização não governamental criada na Índia em 1937 para promover uma cultura de paz, cooperação, solidariedade. Não importa qual a sua religião ou até mesmo se você não tem uma. Porque compreender e replicar todas as possibilidades de valores humanos positivos não tem a ver com dogmas. É questão de caráter.

Juntei esse pensamento com um post do blog de uma grande amiga, a Tatiane, que é evangélica, e usa passagens da Bíblia para falar de comportamentos cotidianos das pessoas (www.encontro-feminino.blogspot.com.br). Naquele post, ela ressaltava a importância da gente saber deixar de ser tagarela de vez em quando. Não pra deixar de dizer aquilo que pensamos, não para nos omitirmos diante de injustiças. Mas pra saber colocar a energia certa, na hora certa – no embate certo.

Uma das coisas que eu e muitas pessoas que conheço precisamos aprender em 2014 é que parte de nós, simplesmente, não quer ouvir nada que seja contrária à sua opinião. Não necessariamente por mal, mas por limitações pessoais mesmo. Por emoções mal trabalhadas, por falta de procurar se informar melhor. Porque leva tudo para o lado pessoal e não consegue enxergar que é apenas um pinguinho em meio a um mundo inteiro em movimento. Que problemas diferentes podem estar interligados, ter começado há décadas, que soluções podem não depender de apenas uma vontade exclusiva. Que histórias não têm dois lados apenas. Mas inúmeras versões que precisam ser analisadas juntas, em um conjunto maior e olhando além daquilo que nos convém.

Então, sugiro que troquemos um pouco as discussões histéricas (incluídas aí as via redes sociais) por mais tempo em silêncio. Pra gente se ouvir. Pra gente descobrir o que de fato faz sentido pra nossa alma, nosso coração. Pra gente se blindar um pouco das influências que focam nas mudanças superficiais. Pra despertar transformações com base em princípios mais elevados e menos egoístas. Pra gente ser generoso com a visão do outro e pensar com carinho nela. Nada mais rico do que ter o desprendimento de saber prestar atenção ao que diz alguém diferente da gente.

Ah, sim… Eu só desconsidero opiniões defendidas com completo destempero e agressividade. Parto da ideia de que se alguém precisa agir de tal modo pra passar uma mensagem e espera calar a qualquer custo seu interlocutor é sinal de limitação severa. Não saber lidar com o diferente (opinião, estilo de vida) de forma respeitosa e aberto à compreensão só indica insegurança.

Há alguns anos eu medito todos os dias de manhã, mas só cinco minutinhos. Não é fácil, não… Sossegar a mente é um desafio e tanto, principalmente pra quem trabalha com a criatividade e o conhecimento. Mas é um dos meus objetivos para o ano que se aproxima: aumentar pra dez minutos a meditação e me concentrar no silêncio. E quando eu tiver dificuldade de me silenciar e levar essa quietação adiante no dia a dia, vou ler sempre o pensamento que deu início a esse texto. Que a riqueza do mergulho nos momentos de silêncio nos ajude. Nos torne mais tolerantes, leves e melhores.

Crédito da imagem: Brahma Kumaris

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