Onde vocês me encontram ;)

Pessoal, quem acompanha sempre o blog sabe que volta e meia eu acabo escrevendo um pouco menos por aqui, depois volto a escrever com bastante frequência… É como a vida: momentos intensos, outros mais mornos, períodos tranquilos, outros bem locos… rsrs

Mas, atualmente, vocês podem continuar lendo meus escritos em outros canais! ❤

Agora, sou colunista do Juicy Santos, o portal mais descolado da Baixada Santista! Minha última crônica, destes sábado, foi O clássico tempo certo das coisas.

Também no portal de Mulheres Ágeis, plataforma de empoderamento feminino no qual sou uma das cofundadoras, também tem artigos meus sobre questões que impactam diretamente a vida das mulheres, além de perfis que escrevi de mulheres com histórias incríveis que são lideres em suas áreas, estão mudando o mundo pra melhor!

No impresso, dá pra conhecer algumas das minhas ideias no Jornal Gazeta do Litoral. E no LinkedIn também! Me acha lá! 😉

Lembrando que o Dia das Mães está chegando e pra essa data tão especial vocês podem encomendar uma edição do meu livro “Tem Dia Que Dói – mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo”. Quem leu se emocionou… Na loja virtual https://temdiaquedoi.lojaintegrada.com.br/ ou me chama no inbox da página de Fale Ao Mundo no Facebook, tá?

De um jeito ou de outro, eu nunca vou deixar de falar com vocês ❤ Obrigada por estarem sempre aqui ❤

Bjs,

Suzane G. Frutuoso

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A educação financeira empodera as mulheres

Um dos motivos no topo da lista das mulheres que não conseguem se separar de homens que as agridem está a dependência financeira. Não ter para onde ir, não conseguir criar sozinha os filhos. Antes de apontar aquele dedo julgador, lembre que muitas estão fora do mercado de trabalho há anos. Tantas outras continuam ganhando menos do que seus pares masculinos, mesmo que executem as mesmas tarefas. Há as que estão distantes das famílias de origem. Não é simples. Mas o que importa é que a falta de dinheiro é um dos fatores que as deixam reféns da violência doméstica. São cerca de 34% das mulheres agredidas, segundo levantamento do DataSenado.

Ao mesmo tempo, quando nossas finanças estão bagunçadas, a vida bagunça. Quando nos endividamos, vem a preocupação constante e a dificuldade de se concentrar no trabalho, nas atividades cotidianas, nos relacionamentos pessoais. Não vale o desgaste, não. Mais vale aprender a se controlar, a poupar e – mágica das mágicas – investir para o dinheiro render, trabalhar para você, crescer e aparecer.

A mulher economicamente empoderada é mais forte para dar fim a relacionamentos abusivos. Tem mais poder de escolha, de decisão, pessoal e profissional. A mulher que lida bem com seus recursos financeiros tem mais conforto, segurança, capacidade de realizar os mais diversos sonhos. Viverá uma aposentadoria mais tranquila. Vivemos mais anos do que os homens, é bom não esquecer.

Então, não só guarde – pelo menos! – entre 10% e 20% do que você ganha, como estude investimentos, foque na educação financeira. A partir de R$ 30 é possível investir no Tesouro Direto, um produto de renda fixa. Em muitas cidades brasileiras esse é o preço de uma ida à manicure, gente. Dá pra fazer a unha a cada 15 dias, não toda semana, e já usar esse valor, hein?

Eu, como talvez você, não sou expert em finanças – ainda! Mas sempre fui poupadora, separando uma parte dos meus ganhos para reservas de emergência e (o que eu mais gostava) meu fundo viagem que me permitiu conhecer muitos outros países. Metade do meu primeiro salário, como professora de balé para crianças, aos 16 anos, já foi guardado. E assim se tornou um hábito até hoje, nos meus 39 anos.

Foi graças a uma reserva financeira que pedi demissão no final de 2016 para me tornar empreendedora. Fico livre da preocupação com os boletos enquanto meus negócios dão seus pequenos mas constantes passos? Não. Mas saber que tenho como me manter, mesmo mudando parte do estilo de vida, cortando gastos, me permite fôlego para as coisas se estruturarem.

A Renata Leal, minha sócia, também começou a poupar cedo, ainda adolescente, quando ajudava a mãe de uma amiga a vender cosméticos. E ela também sempre fez o fundo viagem e saímos por aí pelo mundo juntas: Nova York, Paris, Amsterdam, Bruxelas… Já nem me lembro mais a lista! Bem antes de mim, no entanto, a Rê entendeu que existiam meios de fazer o dinheiro crescer, a importância de saber investir. Com esse conhecimento ela estruturou o – modéstia à parte – excelente workshop MAG Finanças, de Mulheres Ágeis, plataforma de inspiração e capacitação para mulheres, que é um das nossas frentes de negócios.

No workshop, que realizamos tanto para pessoas físicas quanto para empresas, Renata conta o que está por trás do comportamento feminino em relação às finanças, da maneira de gastar, influências históricas e sociais e – cereja do bolo! – quais são os tipos de investimentos que existem, as vantagens e desvantagens de cada um, quais são as corretoras para começar facilmente on-line, entre outras sacadas.

No dia 14 de abril, numa manhã de sábado, teremos mais uma edição do MAG Finanças em São Paulo, dessa vez com foco em investimentos de uma maneira mais detalhada. Todas as informações aqui nesse link: https://goo.gl/vRiJVd

O empoderamento econômico feminino é uma das nossas principais bandeiras em Mulheres Ágeis. E estamos bem acompanhadas na nossa certeza. Empoderar economicamente mulheres no mundo todo é uma das metas nos próximos 5 anos do W20, o grupo de mulheres do G20 (que concentra os países que são potências).

Pense nisso. Comprar mais uma blusinha traz prazer momentâneo. Ter grana para se jogar em grandes experiências é demais.

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Vai abrir mão de uma profissional talentosa? Azar da sua empresa

Eu nunca me senti muito confortável quando chegava para trabalhar e uma pessoa do time de RH entregava uma flor ou um bombom no 8 de Março. Menos ainda quando muitos caras aproveitavam a ocasião para fazer a famigerada brincadeirinha “hoje é dia da mulher, do homem é o ano todo”. Geralmente, vinha daquele sujeito que assediava, intimidava e era inconveniente com as mulheres com quem convivia no ambiente de trabalho.

Não que eu não goste de flores e bombons. Adoro. Mas que venham de quem eu desejar. E respeito e consideração profissional devem ser estampados no holerite. Nas oportunidades iguais de ascensão profissional. Com os mesmos salários pelas mesmas tarefas e cargos – não os 75% do total do salário dos homens, segundo o IBGE e muitos outros levantamentos mundiais que calculam essa diferença entre 31% e 75%. No ano passado, a ong britânica Oxfam divulgou um relatório mostrando que a igualdade salarial entre gêneros só será alcançada em – tá sentada, miga? – 170 anos.

A mulher prova, a cada dia, que quando uma empresa a valoriza, ela também retribui com excelente trabalho, dedicação, vontade de melhorar o ambiente corporativo e lealdade. A corporação que entende que é imoral demitir após a licença-maternidade, que permite à colaboradora horários flexíveis, meio período, home office, entre outras formas de apoio para que ela equilibre carreira e o cuidado com os filhos, com a família, que paga salários justos e dá chance e incentivo para que lideranças femininas despontem, vai se dar bem. Não só reterá talentos e será desejada por tantas outras profissionais talentosas, como também verá seu lucro aumentar.

Empresas com mulheres em cargos de liderança têm 15% a mais de lucro em relação às concorrentes que não levam em conta a questão da igualdade de gênero na escolha dos gestores. O dado é de uma pesquisa do Peterson Institute for International Economics, de 2016, com base em 22 mil organizações em 91 países. Além disso, um levantamento da empresa de recrutamento Catho mostrou que existem características femininas que trazem dinamismo ao ambiente de trabalho:

-> Entregam tarefas no prazo e promovem mudanças estratégicas;
-> Vencem dificuldades e antecipam crises, mantendo as competências e lidando bem com cenários adversos;
-> São mais flexíveis diante de novas ideias;
-> Contribuem mais com sugestões;
-> Promovem a diversidade, que traz diferentes perspectivas e impactam positivamente no desenvolvimento das atividades do grupo.

Enfim, organizações com mulheres na liderança tendem a registrar melhor desempenho.

Mais um dado para não deixar ninguém em dúvida, heim? Pesquisa da multinacional Regus confirma que 57% das companhias acreditam que reter mães trabalhadoras ajuda a melhorar a produtividade. Essas profissionais são valorizadas pela experiência e transparecem maior confiabilidade e organização que outros colaboradores. Uma boa notícia num mundo em que muitas mulheres ainda levam um choque emocional quando voltam da licença-maternidade.

Divulgado em 2017, um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com 247 mil mulheres entre 25 e 35 anos, apontou que metade das que tiveram filhos perderam o emprego até dois anos depois da licença-maternidade. No segundo mês após o retorno ao trabalho, a probabilidade de demissão chega a 10%. Imagina passar toda a gravidez insegura sobre o risco de perder o emprego justamente quando o bebê está prestes a chegar?

É conquista, não festa
O Dia 8 de Março, para quem não sabe, não é uma data aleatória para celebrar a mulher – como muitos ainda pensam. Se eu estou aqui hoje, escrevendo e falando o que eu penso sobre as empresas é só porque muito antes de mim, de você, mulheres abriram passagem, pagando muitas vezes com a vida. É conquista a ser reverenciada, com respeito.

Um pouco de história para vocês, amigxs, de todos os gêneros…

Em 25 de março de 1911 cerca de 130 operárias morreram carbonizadas em um incêndio em uma fábrica têxtil em Nova York. Um marco na luta feminista no século 20. Mas desde o final do século 19, organizações femininas nascidas entre as operárias da Europa e dos Estado Unidos já protestavam contra as jornadas de trabalho de 15 horas diárias, salários de fome e trabalho infantil comum nas fábricas.

Foram 1500 americanas que fizeram o primeiro Dia Nacional da Mulher surgir, quando aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política, em maio de 1908. Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual pelos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e obter apoio para o direito ao voto universal em diversas nações.

Mas foi em 8 de março de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, quando 90 mil operárias se manifestaram contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a miséria e a participação russa na guerra – em um protesto conhecido como “Pão e Paz” – que a data se consagrou. A oficialização do Dia Internacional da Mulher veio em 1921.

Vinte anos se passaram, e em 1945 a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que para princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista cresceu, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e, em 1977, o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

No Brasil, a partir dos anos 1970 surgiram organizações que passaram a debater a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, é criado o Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo e, em 1985, a primeira Delegacia Especializada da Mulher.

Vocês podem conhecer mais detalhes sobre a data no livro As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres, de Ana Isabel Álvarez Gonzalez.

Como a gente sempre diz em Mulheres Ágeis, plataforma na qual sou uma das fundadoras (www.mulheresageis.com.br), temos muito para avançar. E se você quer saber como tornar sua empresa um exemplo em equidade de gênero e levar reflexão sobre a importância do empoderamento feminino para seu time, conheça o projeto MAG In Company (https://goo.gl/uZ9nQr). Palestras e workshops sobre o tema para impactar positivamente o ambiente corporativo com ações justas. Não é só cuidar da imagem da marca. É discurso, sim, mas para despertar consciência e virar prática.

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Nenhum extremo é válido

A balança indica: já cumpri uma das metas que estipulei pra mim mesma em 2018. Ano passado ganhei felizes dois quilos no primeiro semestre depois de dar fim a uma situação que eu não desejava mais pra minha vida. Estava mais magra do que gosto de me ver. Aí, embarquei de vez no cotidiano de empreendedora, com dois negócios pra fazer acontecer e ainda tocar uns projetos pessoais/profissionais do coração. Diminui a frequência da academia e continuei comendo a mesma quantidade. No meu caso, quando você lê “quantidade” pode pensar em muita! Eu adoro comer!

Chega o segundo semestre, e os dois quilos a mais já tinham virado seis. Dá-lhe dor no joelho esquerdo por aumento de peso, menos disposição, cansaço batendo mais fácil. Não tive dúvida. Na lista de metas do novo ano perder quatro quilos estava no meu top five. Nada a ver com desejo de alcançar padrões estéticos x y z. Era saúde mesmo. Não queria um joelho doendo, não queria me sentir cansada logo quando havia um mundo de coisas exigindo disciplina, responsa, prazo, serviço bem feito. E, não! Não queria as roupas novas apertadas!

Então, no início de janeiro, comentei com uma conhecida que perder esses quilinhos a mais era um objetivo. Fui olhada com decepção, um pouco de horror. Por que como eu, uma mulher que trabalho com mulheres, em busca de levantar a autoestima delas, tinha coragem de sair falando por aí que estava em busca de me encaixar em um padrão estético determinado pela sociedade? Como eu me rendia, assim, à ditadura da magreza com tantas mulheres sofrendo com distúrbios alimentares? Como eu era incapaz de aceitar o meu corpo?

Oi?

Por alguns segundos, achei que era brincadeira. Mas percebi rápido que ela falava sério. Uma pessoa que se diz evoluída espiritualmente (?) e é incapaz de compreender a informação que eu passava. Precisa evoluir em compreensão de mensagem também, né? Magina como deve ser a compreensão de texto?

Ela ficou brava, realmente brava comigo. Eu era um mau exemplo. Eu perpetuava o sofrimento de quem faz de tudo para emagrecer independentemente das consequências.

Pra mim, a única coisa que ela fez naquele momento foi reproduzir um discurso carregado de preconceito típico de quem não sabe defender ideias com reflexão, poderação. Sem ouvir o outro! Que tem ódio de tudo. Que mesmo que você defenda a mesma bandeira que ela, mas por caminhos diferentes, não serve, não tem valor. Ela era, enfim, contra a ditadura da magreza que, sim, traz tantos danos para mulheres em todo o mundo. Mas determinava, naquele segundo, a ditadura do “só eu tô certa e não preciso ouvir mais nada”. E pra se fazer absolutamente certa, tudo bem distorcer os meus motivos pra mostrar que eu não servia mesmo pra trabalhar com mulheres.

Nenhum extremo é válido, gente. O radicalismo, seja pra que lado e assunto for, é cego, surdo – só não é mudo porque vem acompanhado de muita besteira sendo dita. Mergulhada num universo bonito de pessoas que se dedicam a dar fim a preconceitos variados, a jogar luz sobre ignorâncias, também vejo muita gente transformando lutas importantes para a sociedade em segregação. E aí, meu bem, seu discurso não só perde força e credibilidade como também ajuda outras dores a nascerem e o mundo a piorar um pouco mais.

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Empoderamento? Feminismo? Ainda vamos falar muito sobre isso – e queremos mais rapazes na conversa

Eu preferiria não falar sobre empoderamento feminino em 2018. De verdade. Preferiria saber que mulheres já ganham os mesmos salários pelas mesmas tarefas que os homens (não cerca de 76% do total), que não são mais vítimas de violência doméstica, física e emocional, que não têm o emprego em risco ao retornarem de licença-maternidade ou que meninas não estão sendo criadas para acreditar que algumas coisas não são para o bico delas (da infância à juventude, a autoestima das meninas cai três vezes em relação a dos meninos). Que não somos mais intimidadas em situações de assédio ou mesmo inferiorizadas caso a gente decida ser dona de casa e criar os filhos. Ou não ser dona de casa e não ter filhos.

Vem terminando o primeiro mês deste novo ano e tudo isso que citei continua acontecendo. Se não comigo, se não com você ou com uma mulher com quem você convive, com milhares de mulheres no Brasil e no mundo, de diferentes realidades e classes sociais. Não consigo viver ajeitando aqui o meu mundinho particular, com a certeza de que tenho voz e atitude para me defender se necessário de situações em que eu seja desrespeitada, e não dar a mínima para padrões nocivos da sociedade que fazem das mulheres reféns de agressões, dor, menos oportunidades.

De comportamentos que, mesmo que uma mulher acredite que não é com ela, um dia será com ela. Na vida pessoal, no trabalho, na rua. Não se trata de vitimismo, de tornar o feminino uma condição de eterna vulnerabilidade. Se trata de um cenário que para muitas de nós é, simplesmente, cruel. Onde há medo. Onde há morte. Ouvi recentemente de uma mulher que ela nunca foi assediada porque sabia se impor. Que bom. Mas esqueceu que 1) as pessoas são diferentes, com personalidades diferentes, com maior ou menor grau de segurança para reagir; 2) ninguém deve ser obrigada a se impor para não ser molestada ou agredida.

Empatia, por favor, gente. Não adianta pedir pela paz mundial e não ser capaz de se colocar no lugar do outro, de compreender os impactos negativos que nosso egocentrismo causa.

Com o fim deste janeiro, no dia 30 de ontem, veio também o aniversário oficial de um ano da plataforma Mulheres Ágeis (www.mulheresageis.com.br), que fundei com minha amiga e sócia, Renata Leal. Mais de 3 mil pessoas foram impactadas pelo nosso trabalho em 2017, entre eventos e redes sociais.

Mulheres Ágeis nasceu para contar histórias de mulheres inspiradoras e líderes em suas áreas, que são exemplos lindos para todas nós; e para criarmos workshops de desenvolvimento pessoal e profissional só para mulheres – sim, grupos de conhecimento e troca nos quais apenas elas entram. Decisão tomada após uma pesquisa on-line que realizamos em agosto de 2016, quando a ideia nascia, e mais de 500 mulheres responderam em menos de uma semana, entre outras questões, que adorariam cursos voltados especificamente ao público feminino.

A experiência mostrou que Renata e eu não estávamos erradas na escolha: num ambiente em que elas se sintam acolhidas e não julgadas, abrem o coração, se reconhecem nas histórias das outras, saem fortalecidas e com mais informações que permitem se não mudar de vez o que não querem mais, ao menos pensar sobre o assunto. Foram encontros ricos, gratificantes e poderosos, com reflexões, exercícios, boas risadas, lágrimas, amizades que se formaram, negócios que foram fechados. Apoio. O “não estou sozinha”. O “eu vou conseguir”.

Que venha o masculino
Além do site e dos workshops, criamos também o seminário O Impacto das Mulheres: onde chegamos e o que falta conquistar. O objetivo é debater o empoderamento feminino, o feminismo e as questões que impactam a vida não só das mulheres, mas também dos homens. Foram cinco edições em 2017, duas em São Paulo, uma em Santos, uma no Rio de Janeiro e a última em Campinas. Sempre gratuito e aberto ao público em geral, para pessoas de todos os gêneros.

Sempre tinha um rapaz. Poucos. Bem poucos. Mas tinha. Desde o começo de Mulheres Ágeis, recebemos apoio de muitos amigos e conhecidos. Eles entendiam quando a gente explicava sobre os workshops serem apenas para o público feminino, compreendiam o sentido.

Caras legais (e enquanto escrevo isso consigo lembrar de logo uns dez), que sabem bem quanto dividir igualmente tarefas de casa e educação dos filhos melhora os relacionamentos e que encorajar meninas a serem tudo o que desejarem e meninos a serem mais afetivos os tornará adultos mais felizes. Que promover mulheres torna suas empresas mais eficientes e lucrativas e oferecer alternativas na volta da licença-maternidade (home office, meio período por alguns meses) permite que elas cresçam na carreira mantendo o equilíbrio com a maternidade. Segura grandes talentos.

Caras legais que estão cansados de ouvir coisas como “onde está sua mulher?” quando avisam o chefe sobre sair mais cedo para a reunião de pais da escola ou para levar os filhos ao médico. Que não desejam mais carregar a obrigação de provedor e também querem tempo com os filhos; esperam que licença seja parental (com mesmo período da licença-maternidade e não a cinco dias da atual licença-paternidade).

Caras legais que, agora, dizem: “por favor, ajuda a gente a explicar para os outros caras, mostrar que é importante?”

Muitos homens ainda não conseguem entender completamente os nossos motivos. Mas já se sentem desconfortáveis com as reflexões que vieram à tona. Perceberam que carregaram ou carregam comportamentos que prejudicam as mulheres. Esse desconforto, alguns deles me disseram, os torna abertos a ouvir.

Então, quando em setembro de 2017, Rê e eu definimos o planejamento de Mulheres Ágeis deste ano, resolvemos que sim, era hora de trazer mais rapazes para a conversa, juntar forças. Para que eles conheçam nossas histórias e para que internalizem quanto a ideia ainda prevalente de uma educação em que a masculinidade é agressiva piora seus relacionamentos e suas próprias vidas.

Ainda precisamos desses momentos sozinhas, como nos workshops. Mas não podemos ficar falando sozinhas, sem que a outra parte tão fundamental das nossas relações entenda, aprenda e repasse esse aprendizado. Porque empoderamento feminino é sobre todos nós. É sobre mais do feminino na sociedade, que todos nós temos – sensibilidade, empatia, colaboração, intuição, cuidado. É sobre empoderar, que significa conceder poder de conscientização a si próprio e a outras pessoas, e não apoderar (tomar o poder, dominar alguém ou uma situação).

E vai ter feminismo
Feminismo não tem nada a ver com ser desse ou daquele partido político, odiar os homens, ser mal resolvida ou exigir o fim da liberdade sexual. Na real, é o contrário de tudo isso e muito mais. O feminismo só existe porque tivemos que aprender a nos defender de um preconceito violento, o machismo. E não, não são termos contrários. O feminismo é inclusivo e fala de uma sociedade mais equilibrada para todos nós, na qual as pessoas se realizam de diferentes maneiras e sem padrões limitantes estabelecidos.

Quem quer casar, casa. Quem não quer, não casa. Uns querem ter filhos e outros não. Mulheres podem ser CEOs de empresas, homens podem ser donos de casa. E, sim! Claro! Homens podem continuar CEOs de empresas e mulheres donas de casa! Mulheres podem ser empreendedoras e homens não precisam se ver obrigados a perseguir cargos de liderança para provar masculinidade se assim não desejarem. Entendem? Menos padrão, mais coração. E tudo com respeito, tratando o outro como se espera ser tratado.

O feminismo prova que quando um casal ganha salários semelhantes, eles desfrutam de uma vida mais confortável, segura. Quando dividem as tarefas de casa igualmente, os relacionamentos ganham mais tranquilidade, menos estresse. Há uma valorização do parceiro, do companheirismo.

E se eu ainda não convenci você: o machismo mata. O Brasil está num vergonhoso quinto lugar em taxas de feminicídio no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde e o Mapa da Violência de 2015. As mulheres negras são ainda mais afetadas por esse tipo de homicídio doloso, com aumento de 54% no número de mortes entre elas entre 2003 e 2013.

Por isso que quando alguém diz que movimentos como o #MeToo são um completo exagero, epa, epa, epa! Mais respeito com quem teve coragem de escancarar a própria ferida e se mobiliza para que assédios sexuais, estupros, agressões não continuem afetando mulheres ao redor do mundo. Não sejam a regra em muitas indústrias, mercados, escritórios, estúdios de cinema, salas de aula, chãos de fábrica e por aí vai.

Você sabe o que é, por exemplo, se certificar de não ficar sozinha no horário de almoço no mesmo ambiente que um cara que tem as costas quentes na empresa? Porque sabe que, assim que ele tiver a chance, vai te encurralar no corredor, falando bobagens pra você, colocando a mão na sua cintura, descendo no quadril, sem autorização? E depois ter que aguentar uma reunião em que o mesmo sujeito está presente e você nem conseguir se concentrar porque ele te encara, com raiva, pelo fora que levou?

Eu sei o que é isso. É pouco perto de situações que outras mulheres enfrentaram. Mas eu tinha 20 e poucos anos e, sem dúvida, atrapalhava meu trabalho, meu desempenho.

“Ah, mas um monte de mulheres começou a falar que sofreu assédio só porque outras falaram”. Lógico! Quando você não se vê sozinha, reflete sobre uma situação tão constrangedora, desagradável ou mesmo violenta que enfrentou, que entende que aquilo fez mal pra você e até impactou outras áreas da sua vida, relacionamentos, tem mais é que falar! E dar um jeito de não acontecer mais, seja comigo, com você, com senhoras ou meninas da nova geração.

O feminismo não quer o fim do flerte gostoso, devidamente recíproco. Não crucifica o sexo, por amor ou por tesão, com consentimento. Só exige limites, bom senso, sem invasões de privacidade graves, perturbadoras. Tá errado.

Sororidade se aprende
Não queremos os homens na guilhotina. Mas que repensem suas atitudes, se arrependam e não façam mais. Na onda de denúncias é bem possível, sim, que um inocente seja acusado. Falta de caráter não é exclusividade de gênero. Mas a verdade sempre aparece. Ninguém pode dizer que os casos de assédio nos últimos tempos são uma histeria coletiva feminina. É sintoma de uma sociedade em que a mulher é colocada como inferior há décadas, como objeto, propriedade. Não há mais espaço para tal.

Enfim, há um longo caminho, especialmente para os homens. Mas eles vão conseguir. Essa é uma discussão aberta, cheia de sutilezas e influências culturais, mas que está na ordem do dia e, juntos, a gente encontra a fórmula.

As pessoas têm tempos diferentes de compreensão. Não só homens, como também mulheres. Outro dia, uma mulher me disse que feminismo é coisa de quem quer roubar o marido da outra. Gente… É o tipo de fala que me assusta bastante. E é por isso que explicar mais o sentido de sororidade é fundamental.

O termo tem origem no latim. Vem da palavra “sóror” e significa irmãs. A sororidade se tornou um dos principais alicerces do feminismo e do movimento pelo empoderamento feminino. É a união e a aliança entre mulheres, com base na empatia e no companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum.

É o não julgamento entre as próprias mulheres, que também ajudam a fortalecer estereótipos preconceituosos criados por uma sociedade machista. Sororidade é lembrar que há espaço para todas nós, mais ainda quando estendemos a mão a outras mulheres. Criamos redes de apoio, de trocas de experiências, de histórias, de serviços.

De proteção também. Eu não preciso sofrer violência doméstica para lutar pelo fim da violência a que tantas e tantas mulheres são submetidas. Mas eu posso denunciar e mostrar quanto essa é uma situação grave com consequências de tantos outros desrespeitos e riscos para todas nós.

Não espere sentir em si própria para compreender a dor da outra. Não reforce preconceitos, inclusive, porque sua autoestima não está lá grande coisa e você precisa de certezas em voz alta para se convencer de que sua realidade é que é boa, não tem que mexer em nada. Mesmo que não esteja nada boa. Não tem uma angústia aí?

Parem, mulheres, de bater no peito dizendo “sou mãe, logo, sou melhor do que você”, “sou casada, logo sou melhor do que você”, “comando uma empresa, logo sou melhor do que você”, “sou dona de casa e estou em contato com o meu eu feminino, logo, sou melhor do que você”, “sou independente, logo, sou melhor do que você”.

Não há melhor ou pior. Existem realidades, construídas por cada uma e que podem mudar a qualquer momento. Há muitas mulheres infelizes na maternidade e no casamento, mas não podem nem pensar em falar a respeito. Há tantas outras emanando aquela aura de poder e liderança, mas que estão de saco cheio da pressão. E há as que são extremamente felizes como líderes e desbravadoras, ou mães e esposas, ou um mix de tudo, ou seja lá qual for o papel que optaram por desempenhar.

Em Mulheres Ágeis acreditamos que hoje a colaboração vence a competição; a rivalidade se desfaz e dá lugar ao vamos juntas para irmos mais longe. Essa é a beleza. Singularidades preservadas e celebradas para aprendermos umas com as outras numa ainda longa estrada.

Para saber mais:
http://www.mulheresageis.com.br
http://www.rme.com.br
http://www.b2mamy.com.br
http://www.feminaria.com.br
http://www.chegadefiufiu.com.br
http://www.facebook.com/empodereduasmulheres/
http://www.onumulheres.org.br
http://www.frmeninas.com.br
http://www.girlsrockcampbrasil.org
http://www.thinkolga.com
http://www.facebook.com/chegadeassedio/
http://www.papodehomem.com.br

Para assistir (trailers):
As Sufragistas (https://goo.gl/krBQEh)
She’s Beautiful When She’s Angry (https://goo.gl/LBvQ9X)
Repense o elogio (https://goo.gl/jkR3uw)
The Mask You Leave In (https://goo.gl/3oxfZH)
Precisamos Falar com os Homens (https://goo.gl/M3QA5T)
Ban bossy (https://goo.gl/HnbtnK)

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Não desista de você

Trabalhar com o público feminino tem sido um sem fim de repensar minhas emoções, situações que enfrentei, o quanto sou privilegiada em muuuuita coisa, relembrar minha história e me reconhecer e me inspirar na história de tantas outras mulheres. Mulheres essas que em boa parte chegam pra gente frágeis e com dificuldades de reconhecerem o valor imenso que têm. E que, lindamente, quando dividem a mesma sala de um workshop por algumas horas, compartilham também sentimentos, desafios, risadas, lágrimas e apoio. Fazem novas amigas. Fecham novos negócios, encomendas, parcerias. Colocam a vida em outro movimento. Lembram quanto são capazes. Saem felizes.

Dali em diante vai ser fácil? Claro que não. Mas perceber que não estão mais sozinhas é uma riqueza que ajuda a tomar coragem, a juntar caquinhos de corações machucados e a fortalecer a autoestima. Acreditar em si. Ter com quem contar.

Neste domingo (que aqui pra mim é chuvoso, daqueles dias bons pra pensar na nossa trajetória e nos próximos passos), o que eu gostaria de dizer a quem puder ler esse texto é: não desista de você. Nunca. Não desista dos seus sonhos. Não desista de acreditar que encontrará saídas para as tristezas e problemas. Não desista de pedir ajuda. Não desista de enxergar o mundo com generosidade. Não desista de mudar tudo se assim precisar. De manter a mente aberta para transformar, adaptar. Não desista de aprender mais e novamente.

Tem hora que vai cansar? Vai, sim… Mas é só pra refletir um pouquinho. Talvez chorar um pouquinho… Ver mais uma semana iniciando. E logo mais recomeçar.

Para saber mais:
www.mulheresageis.com.br
www.facebook.com/mulheresageis

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Mulher-Maravilha

O azulejo Wonder Woman, da imagem acima, foi presente que ganhei do meu sobrinho de 12 anos no meu aniversário, em fevereiro. Na verdade, minha cunhada, mãe dele, quem escolheu a lembrança. Mas como é bom saber que existem meninos sendo criados hoje para reconhecerem, sem medo, as potencialidades femininas. Aprendendo a respeitarem as mulheres de suas vidas…

Sim, ainda temos muito para avançar. É o que eu mais penso neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. Quanta violência, desrespeito, intimidação ainda nos cercam. Quantos homens ainda acreditam terem esses “direitos” baseados em suas ignorâncias. Ai da mulher que se sobressaia. Ai daquela que lhe fizer sombra. Ai da abusada que questionar seus erros. São moleques mimados, somente. Se acham espertos, poderosos. São apenas fracos. Que causam, porém, marcas e traumas nos dias de tantas de nós.

A pesquisa “Visível e Invisível: A Vitimização de Mulheres no Brasil”, realizada pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgada hoje, mostra que uma em cada três brasileiras foi vítima de violência no último ano. E quando se fala de violência não é apenas a física. Mas também verbal e emocional, que são graves e em algum momento acabam levando para a física (https://goo.gl/aSOiqX).

Se você foi espancada, xingada, ameaçada, agarrada, perseguida, empurrada, chutada; teve um objeto jogado na sua direção, levou um tapa; se viu em situação de intimidação, constrangimento e amedrontamento; foi tachada de louca ao apontar situações reais que o agressor quis dissimular; sim. Você foi vítima de violência.

Preocupa saber que uma em cada três brasileiras passaram por isso. Preocupa ainda mais saber que muitas não se dão conta que esse tipo de tratamento é agressão.

Por histórias assim, nos últimos meses venho me dedicando junto com minha amiga Renata Leal a uma nova empresa, a Mulheres Ágeis (www.mulheresageis.com.br). Nosso foco? Empoderamento Feminino. Vamos usar histórias de mulheres incríveis, líderes em suas áreas, para inspirar outras mulheres. Já estamos lançando nossos primeiros workshops de desenvolvimento pessoal e profissional para reforçar o quanto, garotas, vocês são lindas, fortes e capazes; para que despertem o melhor em si mesmas e transformem seus dias. Para que sejam capacitadas e encontrem caminhos fora da dependência financeira e emocional.

Não somos frágeis. Somos ágeis. Somos Mulher-Maravilha, sem dúvida!! Não sei se salvamos o mundo. Mas vamos melhorar muito o mundo de muitas outras queridas. Juntas somos mais. Ai de quem disser o contrário.