Arriscar, petiscar, ser feliz

Comecinho da tarde do 31 de dezembro de 2017 e eu leio esse texto na timeline do Facebook da minha cunhada. Com o olhar sensível e o coração pronto para receber um novo tempo, ela percebeu na história de uma senhora que veio a Santos passar o Réveillon a inspiração pra fechar um ano que foi de recomeços alegres, com a certeza de que tudo chega no momento certo. Que antes é aprendizado. Pedi a ela permissão para republicar aqui no blog. Uma história bonita de esperança e postura positiva diante da vida, daquelas que atraem mais coisas boas, mais gente boa. Que ajuda a lembrar que tudo tem um lado bom. E que as oportunidades estão aí pra todo mundo. Precisa ser grato e aprender a enxergar o copo sempre mais pra cheio. Então, como ela diz aí, arriscar pra petiscar e ser feliz. 🙂

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Por Janainna Frutuoso

Agora a pouco, vindo pra casa dos meus pais, peguei o circular 30, ali na Francisco Glicério. Estava acompanhada do João, meu filhote. Junto com a gente, no mesmo ponto, subiu uma senhora, imagino que por volta dos seus 70 anos. Logo que nos sentamos, ela puxou conversa, dizendo que o ônibus tinha demorado muito. E que eu e o João tivemos sorte, pois havíamos acabado de chegar no ponto quando ele passou. Continuamos conversando e ela me pediu orientação. Disse que iria descer no Canal 5. Queria saber se estávamos longe. Expliquei pra ela o itinerário e onde deveria descer. Depois de agradecer, explicou que tinha vindo de São Paulo pra passar o Réveillon sozinha. Apesar de as filhas dizerem que “era loucura”, não desanimou. Veio mesmo assim. Na bagagem trouxe alguns chinelos, enfeitados com fitas e pedrarias. Artesanato feito por ela, pra passar o tempo. Um capricho só. Animada e motivada pelo velho ditado, que diz: “quem não arrisca, não petisca”, espera conseguir vender alguns pares na pousada em que está hospedada. Torço pra que ela consiga. Quando meu ponto chegou, e nos despedimos, pensei que tive sorte mesmo. Não por ter esperado pouco pelo ônibus. E, sim, pela oportunidade de conhecer uma pessoa tão inspiradora e cheia de vida. Desejo a vocês, amigos, que tenham um ano de 2018 tão inspirador quanto esta senhorinha, de muitas conquistas, saúde e paz. Que saibamos aproveitar as 365 novas oportunidades pra arriscar e petiscar. Sem medo de ser feliz.

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Crise de ética e caráter

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No auge dos meus 18 anos, quando havia uma eternidade de vida por construir e conquistas infinitas a realizar, eu ficava um pouco aborrecida quando minha vó se mostrava pessimista. Ela dizia que, por mais que a gente mantivesse a fé e a esperança nas situações e nas pessoas, as experiências nos endureciam um tanto.

Na arrogância de quem ainda não viu nada, de quem tinha um cotidiano protegido pela família classe média, pela educação particular e pelos amigos que em sua maioria viviam a mesma realidade, eu achava que minha vó se apegava demais às más lembranças, às mágoas, sem saber reconhecer o lado bom das coisas.

Quase 20 anos se passaram. Minha vó não está mais aqui pra conversar comigo sobre as durezas que a vida impõe. Mas suas palavras daquele tempo andam mais frescas do que nunca em minha memória.

2015 não será lembrado como um ano fácil, definitivamente. Foi para os fortes, arrisco dizer. A crise econômica e política que assola o país, de várias maneiras, reflete no nosso micro mundo com intensidade. O resultado é que tenho visto muito mais “salve-se quem puder” e “os fins justificam os meios”.

Nosso poder de compra caiu, e levou junto a confortável segurança de quem conta com um mercado de trabalho aquecido, com salários justos e dinheiro suficiente para o prazer e as emergências. Assistimos com desgosto duelos entre ratos que chegaram ao poder e conduziram nossa sociedade para dias piores com tanta corrupção (mas ainda acredito ser melhor assistir essa bandalheira do que saber que está tudo encoberto e em franca continuação).

Para deixar o horizonte mais nebuloso, parece que parte considerável das pessoas se inspira nesse cenário de horror do Brasil para serem também elas agentes da falta de ética. Tão grave quanto a da conduta de nossos políticos. Vivemos, sim, uma crise política e econômica. Vivemos também uma crise de caráter nas relações pessoais e profissionais.

Gente que sacaneia a pessoa amada como se fosse só uma mera diversão marota; amigos virando inimigos mortais por visões políticas; profissionais se sujeitando a boicotar serviços, clientes e superiores por mando de alguém com interesses escusos. É a promessa rompida, a palavra inválida, a mentira defendida com teatro. Que tristeza… Como chegamos a esse ponto? Será que parte de nós sempre foi assim ou nos influenciamos demais pelos acontecimentos?

Então, entendi, minha vozinha tinha lá as razões dela, não estava errada. Claro, não podemos viver limitados pelo pessimismo e a falta de esperança. Vamos é ser bem fortes contra tanta coisa ruim e gente duvidosa espalhada por aí. Ainda acredito nas pessoas até que me provem o contrário. E caso esse contrário fique provado é corte na raiz e pronto. Apesar de tudo, a vida também mostra que sempre há muita gente bacana pelo caminho e ao nosso lado que não nos deixa desabar.

E que a crença em dias melhores prevaleça. ❤

Uma lista para o seu novo ano

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Adoro fazer listas para o ano que inicia. Elencar aquilo que é precioso pra gente sempre me pareceu uma grande ajuda pra começar a nova fase com esperança, paz de espírito. Claro, nem tudo dá certo. E é assim mesmo. Mas a lista serve para nos lembrar dos desejos que vão no coração. Lembrar o que queremos alcançar. Nos dar força para a “arrancada”. Além das metas, algumas das coisas que considero fundamentais para nos sentirmos bem e capazes diante da vida são bem simples. Devem ser uma constante, devem ser parte das nossas atitudes, devem estar presentes na nossa consciência. Me digam o que acharam da listinha abaixo e o que vocês acrescentariam. Não me preocupei com critérios científicos. Só com o que me faz feliz , o que eu acredito ser bom, e que pode deixar vocês felizes também. 🙂

Tenha um melhor amigo
Tenha uma melhor amiga
Tenha um melhor amigo(a) gay
Tenha um ex-namorado(a) amigo(a)
Tenha amigos que acreditem em coisas diferentes de você

Use filtro solar
Tome os primeiros 15 minutos de sol sem filtro
Caminhe pelo menos 30 minutos, três vezes por semana
Se dê 30 minutos por dia só pensando na vida

Aprenda a meditar
Faça yoga, pilates, alongamento (qualquer coisa que estiiiique os músculos)
Dance. Pode ser em casa
Faça exames de rotina
Mergulhe. Serve mar, cachoeira, rio, piscina… Mas mergulhe

Volte a estudar
Faça algo pela primeira vez na vida
Viaje. Pra perto ou longe. Mas conheça novos lugares
Volte a lugares que te trazem boas lembranças
Passe um tempo conversando com crianças

Faça backup dos arquivos
Mande imprimir as fotos digitais para um belo álbum
Tenha plantas em casa
Tenha um sofá confortável e um bom colchão
Coloque objetos coloridos nos ambientes: vasos, almofadas, colchas, e assim vai

Agradeça se seus pais ainda são parte da sua vida
Agradeça pelo tempo que seus pais estiveram com você. Guarde as boas recordações
Nenhuma família é perfeita. E imperfeição não significa falta de amor

Entenda: você não tem razão sempre
Entenda: mesmo que tenha razão nem sempre rebater argumentos vai adiantar
Gentileza gera gentileza
Gentileza demais dá espaço pra gente folgada

Tenha filhos se esse é um sonho
Não tenha filhos só porque a sociedade diz que é o certo
Não tenha filhos ainda se você não se realizou individualmente
Fique tranquilo(a). A hora de ter filhos vai chegar. E será algo mágico

Case se esse é um sonho
Não case por pressão social
Entenda que existe mais de um tipo de relacionamento possível
Desconfie de quem faz propaganda demais do relacionamento perfeito
Aquela história de “completar” um ao outro não existe
Seja um ser único. Então, traga alguém na mesma vibe para seu lado

Entre quatro paredes tudo é permitido
Debaixo dos lençóis não dá pra ser normal (isso seria ‘anormal’)
Algumas relações são apenas casuais. Ponto.
Relações que começam casuais podem se tornar grandes amores
Relações que começam cheias de promessas podem acabar em frustração

Algumas coisas não mudam com o tempo. Que bom
Algumas coisas não mudam com o tempo. Que pena
Tente retomar histórias interrompidas. Pode não dar em nada. Pode ser tudo
Aliás, vai lá e acaba com tudo que não tem que continuar
Aliás, vai lá e finalmente começa o que tem que ser

Principalmente, seja você

Crédito da imagem: Kit Básico da Mulher Moderna (Renata Maneschy)

Nem sempre é fácil. Mas, ainda assim, é Natal

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Muita gente não gosta do Natal. São pessoas que ficam sensibilizadas por lembrarem que há quem não tenha uma mesa farta para festejar e nem possa trocar presentes entre os seus queridos. Ou que recorda todos aqueles a quem já foram obrigadas a dizer adeus, que não estão mais aqui.

Do outro lado, fica o pessoal que ama essa festa, que é (para eles) sinônimo de família reunida, alegria, amor. Fazem questão de celebrar, de enfeitar a casa, de não deixar ninguém sem pelo menos uma lembrancinha pra abrir.

Mas esse ano, coincidência ou não, descobri vários amigos que, como eu, ficam num sentimento de meio termo nessa data. Até estamos felizes com os presentes, a reunião familiar, a comilança boa, os abraços à meia-noite, os brindes, orações. Existe também, no entanto, uma certa melancolia… No meu caso, especialmente, acordo dia 24 sempre lembrando daqueles que já se foram.

Minha primeira lembrança é sempre meu padrinho. Ele morreu quando eu tinha 15 anos. Hoje tenho 33. Foi minha primeira grande perda. Antes, meu avó materno já havia falecido, mas eu tinha só três aninhos. Meu padrinho era aquele cara boa pessoa, bom coração, simples e com um sorrisão pronto pra mim quando me via chegar. Ainda me faz falta…

Muitas vezes na vida, quando eu precisei decidir alguma coisa, falei em pensamento com ele antes de dormir. Nem sempre surgia a solução, mas meu coração sempre se acalmava. Ainda nos dias de hoje, quando acordo na véspera de Natal, é pra ele a quem eu peço que a felicidade da data vença a minha melancolia. Geralmente, funciona. Espero que amanhã cedo, quando eu abrir os olhos, continue funcionando. Porque esse ano foi mais desafiante do que a maioria dos outros… Vamos ver…

O que eu quero dizer pra vocês é que não, nem sempre é fácil viver os dias 24 e 25. Mas, ainda assim, é Natal, que de alguma maneira mexe com as pessoas. Se você fica feliz e adora celebrar, não deixa de ligar, escrever, chamar pra festa aqueles amigos que você sabe que não curtem tanto o momento. Não precisa nem ser pra dizer “Feliz Natal”, mas pelo menos pra dizer “você é importante pra mim”, “gosto muito de você”, “o que precisar, estou aqui”.

Se você não curte a data, tenho certeza que você tem alguém a agradecer, alguém que te estendeu a mão nas horas complicadas. Então, usa esse dia pra dizer “obrigada”. Aos melancólicos, como eu, no fim, a gente se anima, né? Choramos um pouco, mas depois também damos boas risadas. Lembramos dos que partiram, mas celebramos os pequenininhos que já chegaram ou estão nas barrigas de irmãs, primas, amigas, quase prontos pra chegarem. Novas gerações que renovam o afeto, o bem-querer.

Seja lá como for que você sente o Natal, só te desejo que prevaleça a paz de espírito, a esperança de dias melhores, a consciência de tentarmos ser pessoas melhores. Porque, no fim, acho que Natal é isso… E tudo de bom pra vocês, pessoal! Não só Feliz Natal. Mas Feliz Sempre!

Crédito da imagem: As Devoradoras (Renata Maneschy)