Não se acostume só com proximidade virtual

Acordei numa manhã gelada de domingo, há um mês, com os olhos ainda meio borrados da maquiagem mal tirada. Logo cedo, enquanto limpava melhor o rosto, lembrava do quanto o dia anterior, do casamento da minha prima, foi feliz, lindo, caprichado, emocionante. Mas uma das minhas tias não me saía da cabeça. Desde que eu havia acordado; ali, enquanto tomava meu café quentinho. Não tirei foto com ela e acabamos conversando pouco na festa.

Resolvi mandar mensagem. Oi, tia! Oi, minha linda! O que tá fazendo? Já tá quase tudo no carro. Quase tudo o que, tia? Ué? Até minha televisão grande. E vai onde? Morar lá perto deles.

Minha tia mudaria não só de cidade, mas de estado. Pra junto da filha única, da netinha e do genro. Vai começar vida nova perto dos queridos. Fiquei feliz por ela, e triste. Tinha em mente marcar um café em breve, colocar conversa em dia. Por que não marquei antes, poxa?

Muito por essa falsa sensação que as redes sociais nos dão: de que tá todo mundo perto, logo ali. É reconfortante, por um lado, acompanhar o dia a dia de quem a gente quer bem em fotos, compartilhamentos. Fazemos contato rápido. Mas é um tapa na cara quando a gente percebe que fica na tela do computador ou do smartphone vendo a vida passar e o aconchego do abraço, do olho no olho, acaba em último plano.

Já se deram conta quantos filhos de amigos vocês estão vendo crescer só pelo Facebook? Pensei nisso outro dia… É maravilhoso ter a chance de acompanhar o desenvolvimento dos pequenos por fotos, vídeos… Mas não pode ser só isso! A não ser que a pessoa more muito longe. Não pode a amiga ter bebê e você ver essa fofura um, dois anos depois!

O cotidiano é de pressa, sem dúvida. Estamos na batalha. Redes sociais nos conectam. Mas não nos afagam. Acho fantásticas as possibilidades que o mundo digital nos dá, pessoais e profissionais. Devem, no entanto, ser apenas meio de levar ao real. Não é a vida. É só um frame.

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Compre on-line o livro “Tem Dia Que Dói”, de Suzane G. Frutuoso

Lançado em setembro, o livro “Tem Dia Que Dói – Mas Não Precisa Doer Todo Dia e Nem o Dia Todo”, de Suzane G. Frutuoso, jornalista, escritora e autora do blog Fale Ao Mundo, pode ser adquirido on-line no link http://temdiaquedoi.lojaintegrada.com.br/. Veja resenha abaixo:

Como levantar da cama quando a primeira coisa que vem à cabeça ao abrir os olhos é um sofrimento? Não tem jeito. Tempos de felicidade se alternam com períodos de tempestades. É o ciclo natural da vida. Mas como fazer o coração (e mesmo o corpo) compreender que, simplesmente, faz parte? Porque tem dia que dói… E dói tanto que a dor chega a ser física. Falta o ar direito. Falta força pra arrumar a postura. Falta vontade de continuar a caminhada. A obra traz crônicas sobre relacionamentos e questões cotidianas; alegrias, desafios e afetos. E como lidar com tudo isso em tempos de incertezas socioeconômicas e instabilidades de comportamentos e sentimentos. É como se autora estivesse sentada num café conversando com um grande amigo (nessa caso o leitor), contando histórias e refletindo sobre como superar os obstáculos quando nos vemos diante deles. Editora Volpi & Gomes. 160 páginas. R$ 28,50.

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Suzane é jornalista formada pela Universidade Católica de Santos (Unisantos), mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e especialista em Comunicação Corporativa pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foi repórter nas revistas Época e Istoé, repórter especial no Jornal da Tarde (Grupo O Estado de São Paulo), e editora-chefe da revista Gosto (do segmento de gastronomia e estilo de vida). Hoje atua como assessora de comunicação corporativa em São Paulo. Criou o blog Fale Ao Mundo (www.faleaomundo.com.br) em outubro de 2012, que deu origem ao livro.

Memórias afetivas da gastronomia*

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Comida é afeto. Aprendi essa regra desde muito criança. Na minha família, de portugueses, a culinária sempre teve papel de destaque. Nenhuma festa, nenhuma ceia, era menos do que farta. Na verdade, nem as refeições diárias tinham o direito de se resumirem a meros pratos rápidos. Os tempos difíceis, do dinheiro curto e das incertezas de quem vivia num Brasil de inflação estratosférica, bateram à porta da minha casa na infância. Mas comida? Essa não faltaria jamais. Porque mais do que alimento, ela sempre significou cuidado, amor.

Boa parte das minhas melhores lembranças tem alguma coisa de comer no meio, sempre ligada a alguém importante pra mim: bolinho de chuva (minha avó materna), bolinho de arroz (minha madrinha), goiaba (minha avó paterna), batata frita (meu irmão), lasanha (minha mãe), coxinha com Guaraná (meu pai), bolos, gelatina com leite condensado e sopa da ‘fortuna’ (minhas tias), bem-casado (minha melhor amiga), mini pizza (minha cunhada), maria mole (meu padrinho), Diamante Negro e rabanadas (minha tia-avó)… A lista é interminável. Até a imagem que guardei do meu avô materno, que morreu quando eu tinha três anos e de quem me lembro pouco, é de me levar para comprar suspiros, uns que eram quadradinhos, em rosa e azul.

Talvez por isso, eu não consiga entender quem vive de saladinha, numa eterna dieta. Por favor, não me entendam mal. Sei que muita gente precisa mesmo, por recomendações médicas, maneirar na alimentação. Eu também, por mais que goste, não saio atacando tudo isso que descrevi todo dia. Cuidar da saúde é importante e uma alimentação equilibrada é fundamental. Mas tem quem quase desmaie de fome pra manter um padrão equivocado de magreza absoluto – e o mau humor junto. Eu realmente prefiro manter meus dois insistentes quilos a mais e me divertir num churrascão com os amigos do que deixar de conviver com gente querida porque a tentação está na mesa.

Não curtir uma refeição gostosa é um pecado ainda maior quando se vive em São Paulo, com seus 12,5 mil restaurantes, 15 mil bares e 3.200 padarias. Uma vez tive um encontro em uma das cantinas do Bexiga. Jantares/almoços são sempre um método de aprovação/eliminação de pretendente. Se ele me acompanhar na orgia gastronômica, ganha pontos. Não foi o que aconteceu na ocasião. Enquanto eu me acabava no pão de calabresa e no nhoque, ele comeu só salada (numa preocupação descomunal em dobrar a alface, sem cortá-la), deu meia dúzia de garfadas no capelete e – cavando a sepultura do encontro – colocou adoçante no café. Ninguém precisa concordar comigo, é coisa minha, mas dá pra ser sexy tomando café com adoçante?

Relacionamentos à parte, também as feiras de rua na capital sempre me ajudam a manter toda essa memória afetiva. Basta um passeio entre as barracas, um pastel e um caldo de cana. Pronto. Lá vêm as lembranças felizes das manhãs de sábado, quando minha mãe arrastava o carrinho em uma mão e eu em outra. Consigo até sentir o cheirinho da feira, aquele misturado de frutas e legumes. E atire a primeira pedra quem nunca se deliciou com a fritura do pastel se desfazendo na boca.

Outro dia uma amiga veio aqui em casa, potinho na mão, com um pedaço de bolo de chocolate que guardou pra mim. Tinha sido uma semana difícil. E essa lembrança fez toda a diferença naquele momento. Mais do que questão de sobrevivência, comida é um jeito de dizer ‘eu te amo’, ‘me preocupo com você’. É demonstrar, sem palavras mas com pratos, carinho e querer bem. E é por isso que eu vou lá agora, preparar o almoço de domingo para as visitas. Dizer a elas o quanto são importantes na minha vida, com a ajuda dos temperos e das panelas.

Crédito da imagem: blog As Devoradoras
*Texto publicado no Jornal da Tarde em abril de 2012

Tempinho precioso

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Quantas vezes você não para por dia pensando: “Preciso arrumar um tempinho para…”. As reticências podem ser preenchidas por uma infinidade de quereres. O problema é quando ficam só na ideia, no desejo, e a gente não coloca em prática. E como é bom arrumar aquele tempinho precioso pra fazer coisas especiais, falar com gente querida…

É verdade que fim de ano começa aquela correria para adiantar serviço, organizar festas, comprar presentes, ir a eventos da escola dos filhos ou da firma… Mas não esquece do tempinho, não… Vença o cansaço! Reserva uma hora pra ligar pra amiga que tá precisando de ajuda, pra escrever uma mensagem para o amigo que começou no novo emprego, pra mandar flores pra alguém importante, ou deixar um recadinho de voz gracinha no whatsapp desejando bom dia…

Quem sabe até marcar aquele café no fim da tarde. Ou caminhar com o pai e a mãe no calçadão da praia ou olhando vitrine no shopping. E quando não dá pra encontrar um querido por vez, organiza uma pizza, chama todo mundo, separa aquele mesão no restaurante. As conversas ficam meio cruzadas, não dá pra contar tudo o que precisa, mas pelo menos dá pra dar um abraço apertado em cada um. E sempre tenha uma tarde de sábado ou domingo inteiramente livres para brincar com as crianças da sua família.

No fim, o tal tempinho, que às vezes a gente considera bobagem, é a diferença que faltava pra deixar nossa vida mais repleta, aconchegante… Mais feliz… É riqueza grande… 🙂

Crédito da imagem: Creative Commons

Família imperfeita cheia de perfeições

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Essa semana recebi um comentário carinhoso aqui no blog sobre o post que falava dos benefícios de tomar sol e andar na praia. A Nazaré, que é mãe de uma amiga querida, acompanha o Fale ao Mundo assiduamente desde o começo. Virou minha amiga também. Disse que achava bonita a maneira como eu me referia à minha família em vários textos. Como recordo nos meus escritos muitas coisas que vivi pra exemplificar situações que acontecem na vida de todos nós, acabo realmente relembrando momentos especiais (e até difíceis) ao lado das pessoas que amo.

Família margarina?! Nada disso!! Aliás, desconfio profundamente de quem não tem um arranca-rabo com pai, mãe, irmãos, filhos, tios, primos, sogro, sogra, genro, nora, cunhados volta e meia. É natural. É saudável. É bem humano. Simplesmente porque onde tem gente tem bagunça. Tem pensamento diferente. Tem desejos diferentes. Ninguém precisa concordar comigo, mas eu sempre tenho um pé atrás com quem não ficou de bico, emburrado, chateado com um parente. A questão é até que ponto manter a cara amarrada ou bater o pé que tem razão e “pronto, cabô”. Precisa mesmo? Vai fazer taaanta diferença assim? Pensa bem…

Claro, conheço pessoas que precisaram se afastar de familiares. Por uma questão de saúde emocional. E é legítimo. Ninguém deve aceitar ser humilhado, mal tratado, só porque a atitude vem de alguém da família. Porque deve respeito ao outro. Alto lá! Independentemente de idade, respeito todo mundo merece. Direito à opinião também. Que cada um aprenda a falar o que pensa e se mantenha preparado pra ouvir. Eu sei… É aí que começam as confusões na sua casa, né? Pensa bem… Não tô sugerindo que você deixe de se expressar. Fale. Uma vez. E deixe aquele que insiste no bate-boca falando sozinho. Funciona. Vai por mim. Foque sua energia de debate e convencimento para o ambiente de trabalho, a sociedade, a rede social.

Com os mais folgados basta colocar um limite sem dó nem piedade – e muito amor e desprendimento – que tudo dá certo. Família imperfeita é a regra. Não imagine o contrário. E que delícia jogar um olhar generoso sobre a sua família imperfeita e ver que ela é cheia de perfeições. Que deixa de lado as picuinhas pra se ajudar nas horas difíceis. Que brinda no Natal. Que dá aqueles conselhos que você pensa “céus…”, mas é com base no que a outra pessoa acredita de verdade ser o melhor pra você.

Acho que nosso maior problema é reclamar demais do que foi, do que passou. Mirar nas situações de desacordo. Meu filtro interno é para as coisas boas. É assim que tenho tão claramente dias felizes à minha frente quando fecho os olhos. Como consigo isso? Não sei se é uma disposição interna, genética, comportamental… Eu só acredito mesmo que não vale a pena perder tempo com chatice. Somos uma história breve. Então, que seja cheia de abraços e sorrisos dos nossos queridos.

Crédito da imagem: CSV

A arte de compreender relacionamentos aos 30

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Relacionamento a dois não é fácil. Por mais que se goste, por mais que se aprenda o tal do ceder, se relacionar de um modo saudável, me parece, é uma arte para poucos. Sim, namoros e casamentos podem ser muito felizes! Eu acredito nisso fortemente porque vejo casais amigos meus, bem próximos, que estão genuinamente contentes e serenos com a escolha que fizeram. Mas se você chegou aos 30 e está solteiro, lamento dizer, terá que encarar uma profusão de desejos confusos. Tanto por parte dos homens como por parte das mulheres.

Porque 30 anos, eu descobri, pode ser a mais angustiante das fases sentimentais da vida de alguém. É verdade que, a essa altura, você já aprendeu aquilo que NÃO quer mais. E, cá entre nós, é um tremendo adianto ter certeza das situações/tipos de pessoas com as quais não se espera mais conviver. Mas dependendo de como conduziu seu caminho até aqui, você ainda não sabe realmente o que deseja, como dizem por aí, para o resto dos seus dias (o que me soa tempo demais, inclusive, caso eu chegue aos 100 anos).

Não bastassem dúvidas como “caso ou dou a volta ao mundo sozinho(a)”, “me torno pai/mãe ou continuo com um foco único na carreira pra ganhar dinheiro e fazer o que eu bem entender”, ainda temos que lidar com as fragilidades alheias. E as fragilidades femininas e as masculinas divergem horrores nessa fase. Comecei a conversa “o que eles querem, o que elas querem” com um amigo num almoço de domingo, que se estendeu num outro dia por telefone e acabou numa partida de sinuca numa noite depois do expediente. Temos teorias diferentes sobre o assunto, mas complementares.

Ele acredita que na casa dos 30, especialmente os caras separados (e são uns tantos) precisam de “espaço”. Querem ter alguém, mas não o tempo todo. Enquanto isso, a mulherada de 30 quer provar para o sujeito que pode amá-lo (em curto espaço de tempo!) mais do que sua própria mãe. Permear TODAS as horas do dia dele. Eu concordo que a situação descrita seja bem corriqueira, com destaque para parte (atenção para a palavra “parte” no contexto) das mulheres que se dedicaram nos últimos anos exclusivamente à carreira e a se realizarem individualmente. Mesmo que inconsciente, o desejo de ter alguém pra compartilhar os dias se torna urgente. Nem sempre pra casar e ter filhos. Mas pelo prazer único que é amar alguém e que andou em segundo plano. De ter companhia nas lutas que estão por vir – porque enfrentar tudo sozinha uma hora enche o saco e você quer sim um ombro mais forte que o seu pra deitar um pouquinho.

Como contrapartida, a outra parte das mulheres que optaram pela realização individual antes de pensar se realmente se encaixam no padrão família margarina é que PRECISA do tal espaço (que meu amigo julgou ser uma exclusividade masculina). Não é regra, não. E essa mulher não entende quando é atropelada pelos desejos de caras que querem sim casar, ter filhos, a família margarina – mas desde que seja do jeito deles. Amigo, essa moça não vai aceitar sem debate suas imposições. Ela foi dona de si até aqui, querido. Você acha mesmo que ela vai trocar automaticamente o estilo de vida dela pelo seu sem concessões? Não vai. E ela pode até chorar uns dias quando vocês romperem pela divergência de ideias. Mas em seguida estará planejando uma viagem pra Ibiza com as amigas.

Uma coisa a gente concordou nas nossas conversas: homens de 30, no fim, graças à insegurança e à preguiça, acabam preferindo meninas bem mais jovens, no começo dos 20 anos. Palavras dele: “Elas são muito mais fáceis de impressionar, têm menos experiência. Se eu te contar da minha última viagem pra Londres não vai ser nada incrível pra você. Tenho que te contar alguma coisa do tipo ‘a última vez que estive no Nepal’.” Significa que eles, bobinhos, temem não serem páreo pra nós em termos de experiências. Não entendem que levamos em consideração muitas outras coisas legais, como caráter, atenção e disposição de aprenderem junto com a gente infinitas possibilidades que o mundo tem a oferecer.

Independente da idade e da crise sentimental em que se está mergulhado, uma regra nunca deve ser esquecida: relação boa é relação saudável. Amor rima com dor só em caderno de poeta. Na vida real, amor tem que ser gostoso e leve. Eu acho. Do contrário, sempre cabe aqui o clássico “antes só do que mal acompanhado”.

Crédito da imagem: Casal Sem Vergonha

“On the road” pelos meus amigos

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Amo os meus amigos. Muitos deles são a prova de que os ditados “amigos são a família que a gente escolhe” ou “amigos são uma segunda família” têm um significado profundo. Amo colocar o pé na estrada. Ônibus, carro, avião, trem, navio, balsa, jangada… Não importa o meio. O que importa é chegar ao destino. Seja um novo destino. Seja um destino recorrente que sempre me faz feliz. Seja um destino conhecido antes e que continua a evocar lindas lembranças.

E como o mundo é grande e as pessoas precisam ir atrás daquilo que desejam, muitos dos meus amigos mais queridos foram (re)começar a vida em outras cidades, estados, países. E não importa onde eles estejam: se me pedirem pra visitá-los, eu vou. Dou meu jeito. Às vezes, demoro um pouquinho. Mas vou. Porque eu acredito de verdade que poucas coisas são mais preciosas na nossa existência do que essa gente especial que cruza nosso caminho e vira irmão/irmã – ou meio pai/mãe, ou meio filho/filha. Esse povo que te faz abrir o coração, que te dá bronca quando você precisa ou que abaixa a orelha quando é você que tá dando a bronca. Que sempre vai te abraçar apertado. Que te faz parar pra pensar em tanta coisa…

Quarta-feira acordei às 6h da manhã, enfrentei cinco horas de viagem e fui parar láaaa na divisa de São Paulo com o Paraná. Ainda no ônibus que encostava na rodoviária, olhando pela janela, vi minha amiga da época de faculdade. Senti até meu olho brilhar. Sorrisos de orelha a orelha, demos o tal abraço apertado da amizade. E era tanto assunto, tanta novidade pra contar, tanta história engraçada pra recordar, que a gente só parava de falar quando a fofa bebê dela, de quase seis meses, precisava dormir. Ficou a sensação de que foi tão pouquinho tempo… Mas também ficou a promessa de que, dessa vez, não demoraremos tanto pra nos reencontrarmos.

Eu recomendo que você vá buscar o abraço apertado dos seus amigos, não importa onde eles estejam. Se a grana tá curta, use as novas tecnologias a favor da amizade enquanto não dá pra ir pessoalmente. Mas não espera o momento ideal. Ele nem existe. Eu já falei isso aqui e vou falar de novo: não ensaie a vida. Somos finitos. Gostaria de ter passado mais dias com minha amiga, mas eu não sabia exatamente quando eu teria esses dias a mais. Então, fui. Fiquei meio cansadinha, mas nada que uma boa noite de sono e um alongamento não resolvam. E o carinho que recebi dela (e que você vai receber dos seus amigos também) foi revigorante.

Amigos de verdade são grandes presentes que, na correria diária, a gente até esquece o quanto são essenciais. O fim de semana tá aí. Aproveita pra dizer isso a eles! Liga, manda um e-mail ou uma carta enooorme, relembrando os momentos bons e as roubadas das quais vocês se safaram juntos. Ou das horas difíceis em que um esteve ao lado do outro. Se puder falar ao vivo, corre lá na casa dele. Só não deixa a distância (ou a preguiça) enterrar essa que é uma das melhores invenções da humanidade: a amizade e seus fortes laços de aço.

Crédito da imagem: Cultura Inquieta