A resposta ao vivo de uma jornalista chamada de gorda

Vi esse video na timeline do Facebook de uma amiga ontem e achei inspirador! Todo tipo de preconceito deve ser rechaçado. E como eu sempre digo: se você perde algum mísero tempo da sua vida atacando gratuitamente os outros, é cruel e maldoso em seus julgamentos e opiniões sobre as pessoas, sinceramente, o “problema” não está no “alvo”, mas no algoz. Tem quatro minutos, gente… Vale o tempo. Coloco aqui a versão com legenda que está no site awebic.com. Diz o texto do site:

“Insultos gratuitos são comuns de serem vistos, principalmente com o poder do anonimato na internet. A pessoa se esconde por trás do computador e dispara uma série de xingamentos desnecessários contra alguém que, na maioria das vezes, não quer confusão. O curioso acontece quando a vítima sabe se defender com inteligência. O vídeo abaixo mostra um caso desse, quando uma apresentadora é insultada por email e decide dar uma resposta ao vivo.”

http://awebic.com/pessoas/essa-apresentadora-foi-chamada-de-gorda-entao-ela-resolveu-responder-ao-vivo-na-tv/

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O quadril de Alicia. Meu sutiã 44

alicia by paulo filho

Conheço poucas músicas da cantora americana Alicia Keys. Mas muita gente dizia que o show dela era bem bacana. Resolvi assistir a apresentação da artista no Rock in Rio pela tevê, na noite de domingo. Acho o tipo de show pra um lugar mais intimista, que perde um pouco no palco de um festival. Impressão pessoal à parte, inegável que Alicia esbanjava talento, simpatia, charme e beleza. Tomei um susto quando abri meu Facebook ontem de manhã e encontrei uns oito comentários de mulheres dizendo que a cantora estava gorda demais, que a roupa não a favorecia em nada. Teve uma que descreveu a moça como “ridícula pra usar legging”.

Achei o fim. E acabei escrevendo o seguinte no meu Face: “Eu estava com o note já desligado enquanto assistia ao show de Alicia Keys no Rock in Rio ontem a noite. Eis que, passeando só um pouco agora pela minha timeline, me assustei com o tanto de mulher despeitada dizendo que a cantora (aliás, voz belíssima) é gorda. Gente, presta atenção, Alicia tem corpo de mulher de verdade! E seria tão mais saudável e inteligente pra humanidade compreender isso… Por mais gente real e linda do jeito que é nesse mundo! Sem padrões falsos e doentios de beleza!”

Cometi um pequeno erro na minha observação acima. Quando escrevi “corpo de mulher de verdade”, pensei em “mulherão”. Porque é óbvio que quem é naturalmente magra também é de verdade. Só acreditei que ao escrever “Por mais gente real e linda do jeito que é nesse mundo! Sem padrões falsos e doentios de beleza!” a ideia estivesse bem clara. De que não importa peso, altura, se o cabelo é liso ou cacheado, e por aí vai. O belo é cheio de variações. Pra bom entendedor…

Mas nenhuma das críticas de Alicia era naturalmente magra. Pelo contrário. É gente que força a barra (e coloca a saúde em risco) em dietas malucas e exercícios extenuantes pra se encaixar num padrão de beleza bem discutível. É gente que precisa de ajuda urgente pra entender que pode ser querida sem ser “perfeita”. Sem perseguir uma imagem no espelho igual a da capa da revista. Vocês ainda não sabem o que é Photoshop?

Desconfio quando alguém se julga no direito de criticar a aparência do outro, seja pelo que for. Sempre parto do princípio de que se você perde tempo medindo o que as pessoas vestem, por exemplo, é um desocupado. Já o sujeito que se acha melhor porque está em forma e aponta o dedo na cara de quem está acima do peso esquece que nem sempre magreza é sinônimo de saúde. Nem curva arredondada é sinal de desleixo ou doença. Claro que a gente deve se cuidar pra viver bem. Mas que seja com equilíbrio. Não obsessão.

Tenho 1,63 metros de altura e 59 quilos. Meu índice de massa corporal (IMC) é normal. Não tô nem perto da margem de sobrepeso. Sou considerada gorda por muita noiada por aí. Nunca fui magérrima. O ponteiro da balança subiu sete quilos desde que parei o balé, há 14 anos. Desde então, só não me exercitei por breves períodos. Passei, porém, dos 30 anos. E é bem mais difícil emagrecer. A história do metabolismo desacelerar é verdade! Ao invés de lamentar um corpo diferente do passado, resolvi tirar proveito e superar trauma de adolescência.

Fui a última da minha turma na escola a ver os seios aparecerem. E quando cresceram nem foi grande coisa – pra meu completo desespero. Essa semana comprei lingerie e estranhei quando o sutiã 42 não fechava. Desce o 44 do estoque da loja. É. Teve que ser um número maior mesmo e… nunca tive um colo tão bonito! Nem nos meus sonhos adolescentes!

Ando feliz com a nova silhueta. Não porque acho que beleza feminina precisa de um sutiã 44. Mas porque pra ser “mulher de verdade” importa muito pouco (ou nada) o que os outros vão achar. Importa se você se acha linda do jeito que é. Se valoriza o que tem de melhor. E todo mundo tem. Sem nunca esquecer que nenhuma beleza se sustenta sem atitude e simpatia – do tipo que Alicia Keys tem de sobra.

Crédito da imagem: Paulo Filho

Barriga negativa, o exagero da imagem – e uma resposta à altura

balança

Recebi uma mensagem inbox no meu Facebook semana passada de uma conhecida. Não falava com essa moça há muito tempo. Nunca fomos amigas, mas temos amigos em comum e resolvi aceitar o pedido de amizade dela. Ela viu uma foto em que estou com meus pais num restaurante. Comemorávamos o aniversário do meu irmão, que passa por um tratamento de saúde. A sujeita escreve a seguinte frase na mensagem: “você não se incomoda de sair ‘gorda’ nas fotos que posta?” Antes de vocês saberem o que respondi, basta estarem cientes de que a pessoa é neurótica por dieta, aparência e afins.

Também achei que eu estava gordinha naquela foto. Não dei a mínima, porém, para o que “mostrava” a imagem, e sim para o que ela “transmitia”. Porque minha família estava feliz e cheia de esperança por dias melhores (que, tenho certeza, estão a caminho). É a única coisa que realmente me importa no momento.

Tenho 1,63m de altura. Hoje (me pesei de manhã na academia), estou com exatos 59,8 quilos. Já fui bem mais magra, especialmente quando estudava balé e me submetia a um ritmo intenso de atividade física. No post de segunda-feira, contei pra vocês o quanto sou ansiosa. E uma das válvulas de escape para minhas tensões são carboidratos. Pão quentinho faz de mim um ser humano mellhor! Juro! E A-DO-RO comer. É um dos maiores prazeres da vida e desconfio fortemente de quem é incapaz de se entregar a uma mesa farta com boa conversa entre amigos e família.

Mas em meio a um 2012 turbulentíssimo, enfrentei problemas hormonais que desregularam completamente meu organismo. Um dos resultados foi justamente ganhar sete quilos e bater nos 63. Firme na academia e com reeducação alimentar, a saúde vem entrando nos eixos novamente. Devagar, como deve ser. Porque mudanças físicas rápidas não são positivas. Se você é minimamente esperto, deve ter consciência disso.

Ah! A calculadora de IMC (índice de massa corpórea) disse o seguinte pra mim: “Seu IMC é de 22,5. Parabéns! Você está em seu peso ideal!” O IMC é mais importante ao avaliarmos a saúde do que a balança. Só pra constar. De qualquer maneira, quando olho no espelho, gosto muito do que vejo. Acredito até que teve uma época que emagreci demais.

Mas… eu fiquei chateada ao abrir minhas mensagens e dar de cara com a observação de uma pessoa que não sabe nada sobre o combo problemas + saúde em desequilíbrio que enfrentei recentemente. E parei fortemente pra pensar que sociedade pequena é essa que julga tanto pela aparência. Claro que é bacana se cuidar. Não acho saudável alguém que não tá nem aí pra si mesmo, que não tem alguma vaidade. Mas perceber que minha atenção é chamada porque optei em postar uma foto na qual não pareço esteticamente “adequada” pra alguns me deixa enfurecida.

É gente assim que inventa a imbecilidade estética do momento: barriga negativa. Não, não é a clássica “tanquinho”. É ter o abdome com a curvatura invertida, com ossos do quadril e das costelas mais proeminentes que a barriga. Igualzinho o de quem passa fome na África. Imaginar que uma aparência dessas é bonita é ter uma noção muito perigosa do que é beleza. Doentia, eu diria.

Acredito que avançamos muito nos últimos cinco anos no debate sobre o que é esteticamente bonito e saudável ao mesmo tempo. Foi nesse meio tempo que explodiu o mercado plus size, de moda para quem está acima do peso. Campanhas publicitárias e blogs surgiram com a mensagem de que não existe um só padrão de beleza. Mas vários, cada um com sua particularidade. A diversidade é sempre infinitamente mais rica e interessante. Lembrando que tem muito gordinho com a saúde muito mais em dia do que quem parece em forma…

Para a sujeita que questionou minha aparência na foto, não entrei em muitos detalhes. Só fui rápido dar uma pesquisada no álbum dela pra me certificar que ela continuava a viver no melhor estilo magra-com-cara-de-doente. Então, ela só merecia uma resposta… “Querida, alguns preferem ficar bem nas fotos. Eu prefiro ficar bem sem roupa.” Ela não respondeu.

Crédito da imagem: Blog da Helo