Para onde você voltaria?

Meus amigos de infância, meus amigos de faculdade, meus professores. Os amigos dos meus pais, tão orgulhosos quanto eles, com aquele olhar cheio de afeto de quem me viu crescer. Havia calor. O do clima e o de gente que me quer bem.

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Antes de tudo, pessoal, mil desculpas por ficar mais tempo do que o esperado sem escrever por aqui. A ideia é postar sempre uma vez por semana. E lá se vão 16 dias desde o último texto. Mas olha, foi por bom e feliz motivo: a correria gostosa pra mais um dia de lançamento do meu livro Tem Dia Que Dói – Mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo (Editora Volpi & Gomes), no último dia 15.

Foi em Santos, litoral de São Paulo. A cidade onde nasci. O lugar de onde vim. A tarde de autógrafos ocorreu na Livraria Realejo. Ali eu folheava e admirava os livros nas prateleiras quando ainda era uma jovem jornalista, recém-formada, com um desejo secreto guardado no coração – ser também escritora.

Foi especial. Com a minha família. Minhas tias! Meus amigos de infância, meus amigos de faculdade, meus professores. Os amigos dos meus pais, tão orgulhosos quanto eles, com aquele olhar cheio de afeto de quem me viu crescer. Havia calor. O do clima e o de gente que me quer bem.

Foi especial. Na hora e nos dias seguintes. Ao andar na praia com sol no rosto e água fresquinha na altura do tornozelo. Ao conhecer minha viralatinha filhote, a Charlotte, que meu irmão e minha cunhada salvaram das ruas e me deram de presente. Ao sentar para conversar com universitários da região, lembrar a carreira que construí e incentivá-los mostrando que eles podem muito mais.

Ao olhar em volta e, de repente, tantos anos depois pensar: “Eu não só tenho para onde voltar. Eu tenho também, se assim eu decidir, como aqui (re)começar uma nova parte da minha história.” Por muito tempo eu não me senti mais parte desse lugar. Acho saudável. Acredito que a gente deve construir nosso caminho respeitando nossa identidade e aquilo que desejamos para nós. São Paulo me deu isso e muito mais. Sou grata e ainda me sinto em casa na capital cheia de poréns, mas também repleta de motivos de alegria pra mim.

Foi especial, no entanto, saber que parte do meu melhor tem raiz num lugar para onde eu voltaria. Cheio de referências positivas e no qual conseguiria desenvolver meus novos planos de vida que estão aí, batendo na minha porta.

É especial ter para onde voltar. Já pensou a respeito? Para onde você voltaria? Para uma cidade? Uma casa? Um colo? Ou um coração? Haverá uma volta em parte da história que você está (re)construindo a partir de agora?

Porque o novo é sempre bom e excitante. Mas a transformação que leva ao inédito caminho não precisa deixar para trás a nossa essência. Pelo contrário. É justamente a essência do que temos de bom que vai nos segurar e nos guiar pelos horizontes que se descortinam.

Então, pense bem… O que ficou para trás, mas ainda é parte importante de você? Para onde você voltaria?

Crédito da imagem: Tumblr

O livro Tem Dia Que Dói (Editora Volpi & Gomes) está à venda na Livraria da Vila da Alameda Lorena (www.livrariadavila.com.br), em São Paulo, e na Livraria Realejo (www.oseulivreiro.com.br), em Santos. A partir de novembro a publicação será comercializada também pela internet. Chegaremos em novas livrarias até o fim do ano. 🙂

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Música pra inspirar e embalar nossa história

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Acho que não conheço ninguém nesse mundo que não goste de música. Eu adoro. É incrível como ela é capaz de mudar meu estado de espírito em questão de segundos. Sou daquelas que, quando conheço uma música nova, a ouço repetidas vezes, uma atrás da outra. É o que tem acontecido desde ontem com “The Ligthning Strike” (algo como “o ataque relâmpago”), da banda irlandesa Snow Patrol. Na verdade, nesse caso, não é apenas uma música. “The Ligthning” se divide em três partes (estou ouvindo agora, inclusive, pra escrever pra vocês).

A primeira parte, “What If This Storm Ends?” (“e se esta tempestade termina?”) não podia ter vindo parar no meu laptop em momento mais significativo (http://www.youtube.com/watch?annotation_id=annotation_597848&feature=iv&src_vid=cHl6dLaUAjk&v=Ml-swexTzEQ). Não sei se é meu inferno astral que se aproxima. Ou porque muita coisa do meu passado veio bater na minha porta no último mês. Se é reflexo de um inevitável balanço do último ano feito esses dias. Ou se é por começar pela primeira vez um ano cheia de dúvidas como nunca: tomei as decisões certas até aqui?

Mas “What If This Storm Ends?” me fez pensar na minha tempestade particular recente. E me perguntar: e se ela não acabar? Na real, a letra da música tem uma pegada romântica. Muitas frases, porém, mesmo que de forma desconexa do restante, estão batendo aqui na minha cabeça. Se minha tempestade particular não acabar logo como eu previa, o que vou fazer?

A parte dois é “The Sun Light Through the Flags” (algo como “a luz do sol através da bandeira”), que serviu quase como um alento a minha angústia com a frase “por que você não descansa seus ossos frágeis?” (“why don’t you rest your fragile bones?”). Talvez eu ainda não tenha muito o que fazer mesmo… E posso descansar enquanto algumas coisas que não dependem só de mim se resolvem (http://www.youtube.com/watch?annotation_id=annotation_267987&feature=iv&src_vid=Ml-swexTzEQ&v=cHl6dLaUAjk).

A última parte (linda, por sinal) é “Daybreak” (que significa “madrugada”). A frase “e em meio ao dilúvio eu senti meu valor” (“and in the middle of the flood I felt my worth”) é o que eu busco sentir agora… Meu valor em meio a minha tempestade particular… (http://www.youtube.com/watch?annotation_id=annotation_945590&feature=iv&src_vid=cHl6dLaUAjk&v=7crkx40sr8k).

Música inspira. Eu sempre ouço música antes de escrever. Dependendo do texto, também durante. Mas aí, geralmente, escolho algo só instrumental porque me distraio muito com a letra. Trilhas sonoras de filmes têm minha preferência. Uma delas é a trilha de “As Horas” (espere os primeiros dois minutos para ‘embarcar’ na música – http://www.youtube.com/watch?v=e-vrNaIWPZQ). Outra é do filme “O Ilusionista” (http://www.youtube.com/watch?v=9TBUbzKAlTY). Ambas são do compositor americano Philip Glass.

E quantas do U2 já embalaram as histórias da minha vida? A primeira vez que a voz de Bono me chamou a atenção foi com o tema do filme “Em Nome do Pai” (com o sempre incrível ator Daniel Day-Lewis e que me marcou muito – um dia explico). “In the name of the father” (http://www.youtube.com/watch?v=LP2-hfe6VnI) é forte, daquelas canções que te fazem criar coragem pra tomar decisões, lutar por algo. Daí em diante, virei uma U2maníaca.

Tem música que se torna difícil de ouvir, trazendo lembranças tristes… Até hoje tenho dificuldade de escutar “Streets of Philadelphia”, de Bruce Springsteen (http://www.youtube.com/watch?v=4z2DtNW79sQ). Era ela que eu ouvia quando me avisaram que meu padrinho tinha falecido, depois de dias no hospital… Só há pouco tempo parei pra acompanhar a canção até o fim. Deve demorar pra eu fazer isso de novo. Ou nem vou fazer.

Por outro lado, tem aquelas músicas que te jogam quase que instantaneamente em horas felizes. Como não lembrar das minhas amigas de faculdade com “Dancing Queen”, do Abba (http://www.youtube.com/watch?v=y62OlGvC-bk)? Era a que a gente sempre escolhia pra cantarmos juntas no karaokê. E qualquer coisa dançante de Madonna e Michael Jackson vai me lembrar festas divertidas, cenas impagáveis e me fazer sair dançando pelo kinder apê toda animada!

Acredito mesmo que música no nosso cotidiano é tão fundamental quanto dormir e comer. Porque, não importa o estilo, música alimenta a alma, emociona, acalenta nossa tristeza, deixa a gente esperançoso com letras que dizem exatamente aquilo que estamos sentido. Ela sempre trará um pouquinho de magia para os nosso dias. E em meio a tantas tempestades, às vezes é justamente essa mágica ritmada que nos salva…

Crédito da imagem: Cultura Inquieta