Flores no asfalto

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“Para Suzane, um pequeno manual de como encontrar flores no asfalto.”

A dedicatória era simples, curta, mas cheia de sentido em apenas uma frase. Coisa de poeta mesmo.

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Há um mês comecei um curso de comunicação corporativa em uma das mais renomadas instituições de ensino do país quando se trata do universo empresarial.

Na aula da última quinta-feira, o professor nos falou sobre visão, imagem, identidade, reputação. Gostei muito. Interessante perceber e entender que a essência, no caso das empresas, está sempre lá na marca que carregam. Em seus logos, escudos, que nos levam a identificá-las. O recado que esperam passar. Mesmo que não escancarado, mas no detalhe, talvez na menor parte da imagem, na ideia que deseja transmitir. No nosso subconsciente.

A ideia de que parece que a gente não sabe, mas no fundo sempre soube. Acontece o mesmo, vejam só, com as pessoas que lidamos. Visão, imagem, identidade, reputação. Essência. O que tenta ser, parecer, e o que é de fato.

Mas enfim…

O professor, Marcílio Godoi, é também escritor. E no final da aula sorteou entre os alunos três de seus livros. Ganhei um deles! Justamente o de poesia, esses escritos que desmancham meu coração.

“Para Suzane, um pequeno manual de como encontrar flores no asfalto.”

Abri um sorriso tímido diante da dedicatória. Mas será que nessas de decifrar e criar os símbolos e signos das marcas, o professor também decifra os alunos??? Não o conhecia previamente. Como saberia que eu ando, justamente, tentando encontrar doçura no árduo? Ou “flores” no “asfalto”?

Em verdade, quem não está… Vivemos dias duros, de egos superlativos, de mentiras públicas e privadas, de convivência com gente que parece mas não é. Tudo fake demais. Da política que guia nosso país às relações sociais.

Desanima. Mas aí surgem aqueles capazes de enxergar a delicadeza até no asfalto. De inspirar, seja com uma boa aula, com palavras, com um livro. Ou com um abraço amigo. Ou ajudando você a não esquecer quem você é, o que já construiu, o que realizou – aqui, em geral, entram aqueles amigos de longa data, que até apontam suas fraquezas como aprendizado, mas te dão um sacode porque conhecem em minúcias o seu melhor. E ninguém pode esquecer do seu melhor!

Ainda tem muito asfalto quente pra gente pisar e se queimar nessa vida, sem dúvida. A quantidade de flores no caminho, porém, pode ser da mesma proporção. Sim, precisa de resiliência. Fé. Um mea-culpa pra ver onde errou. Desejo de transformação sincero. Se cercar de pessoas que tragam luz aos nossos pensamentos e ações. Deixar para trás o que já serviu de lição (pessoas, atitudes, situações). Perdoar.

Não é impossível, não. Dá pra colher buquês inteiros! Precisa atenção. As flores caem no nosso colo, nas nossas mãos, são jogadas pelo vento no nosso destino. Apenas, preste atenção.

Crédito da imagem: blog Universo em Poemas

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3 Fotos Felizes

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Meses atrás, um grande amigo meu enfrentou a lenta recuperação de um problema de saúde. Ele andava desanimado, preocupado se realmente ficaria bem. Lembrei o quanto ele adorava fotografar tudo o que via pela frente. Para animá-lo e passar melhor por aquelas semanas delicadas, lancei um desafio: três fotos felizes por dia.

A ideia era capturar três momentos especiais no cotidiano corriqueiro e, por vezes, triste, doloroso, cansativo… Não importava quão difícil era o dia, nem quantos obstáculos e problemas tiveram que ser digeridos naquelas 24 horas. A gente tinha que aprender a olhar além do óbvio, valorizar o simples e o que realmente merecia nossos sentimentos e emoções.

Começamos a trocar as imagens via Whatsapp. Logo, contamos a uma outra amiga querida, que adorou a brincadeira e embarcou. Virou o grupo 3 Fotos Felizes no Whatss. Mais uns meses e outra amiga se animou em compartilhar suas alegrias. E mais uma começou a mandar dos Estados Unidos, onde hoje vive com o marido e os filhos, ajudando a matar a saudade.

Nosso 3 Fotos é meio brincadeira, meio terapia em grupo, meio palco da celebração das vitórias e horas boas que nós cinco vivemos. Nem sempre é fácil. Às vezes, é bem complicado encontrar a magia da felicidade simples e pequenininha em meio ao stress, às dúvidas da vida, ao sofrimento inevitável. Mas quando alguém diminui o número de fotos ou não manda nenhuma imagem por alguns dias, aparece aquela outra mensagem de alguém do grupo com “coragem”, “não desista”, “tá tudo bem?”, “simples, foca no simples”.

O 3 Fotos ajuda a mim e aos meus amigos a não esquecermos do que é essencial. Do quanto é importante mantermos a capacidade de abrir um sorriso, mesmo que levinho no rosto, com o que é bonito, acontece toda hora, e basta sensibilidade para observar e aconchegar a alma. Nossas fotos nos lembram que tem muita coisa especial ao redor, a cada minuto. Só precisa saber enxergar mesmo, não só dar uma olhada. Precisa estar presente, sentindo a vida de verdade, no instante exato. É disso que ela é feita. Porque o que vem depois nunca será pleno o suficiente se a gente não entende a beleza do que se tem agora.

Crédito da imagem: blog CSV

Barriga negativa, o exagero da imagem – e uma resposta à altura

balança

Recebi uma mensagem inbox no meu Facebook semana passada de uma conhecida. Não falava com essa moça há muito tempo. Nunca fomos amigas, mas temos amigos em comum e resolvi aceitar o pedido de amizade dela. Ela viu uma foto em que estou com meus pais num restaurante. Comemorávamos o aniversário do meu irmão, que passa por um tratamento de saúde. A sujeita escreve a seguinte frase na mensagem: “você não se incomoda de sair ‘gorda’ nas fotos que posta?” Antes de vocês saberem o que respondi, basta estarem cientes de que a pessoa é neurótica por dieta, aparência e afins.

Também achei que eu estava gordinha naquela foto. Não dei a mínima, porém, para o que “mostrava” a imagem, e sim para o que ela “transmitia”. Porque minha família estava feliz e cheia de esperança por dias melhores (que, tenho certeza, estão a caminho). É a única coisa que realmente me importa no momento.

Tenho 1,63m de altura. Hoje (me pesei de manhã na academia), estou com exatos 59,8 quilos. Já fui bem mais magra, especialmente quando estudava balé e me submetia a um ritmo intenso de atividade física. No post de segunda-feira, contei pra vocês o quanto sou ansiosa. E uma das válvulas de escape para minhas tensões são carboidratos. Pão quentinho faz de mim um ser humano mellhor! Juro! E A-DO-RO comer. É um dos maiores prazeres da vida e desconfio fortemente de quem é incapaz de se entregar a uma mesa farta com boa conversa entre amigos e família.

Mas em meio a um 2012 turbulentíssimo, enfrentei problemas hormonais que desregularam completamente meu organismo. Um dos resultados foi justamente ganhar sete quilos e bater nos 63. Firme na academia e com reeducação alimentar, a saúde vem entrando nos eixos novamente. Devagar, como deve ser. Porque mudanças físicas rápidas não são positivas. Se você é minimamente esperto, deve ter consciência disso.

Ah! A calculadora de IMC (índice de massa corpórea) disse o seguinte pra mim: “Seu IMC é de 22,5. Parabéns! Você está em seu peso ideal!” O IMC é mais importante ao avaliarmos a saúde do que a balança. Só pra constar. De qualquer maneira, quando olho no espelho, gosto muito do que vejo. Acredito até que teve uma época que emagreci demais.

Mas… eu fiquei chateada ao abrir minhas mensagens e dar de cara com a observação de uma pessoa que não sabe nada sobre o combo problemas + saúde em desequilíbrio que enfrentei recentemente. E parei fortemente pra pensar que sociedade pequena é essa que julga tanto pela aparência. Claro que é bacana se cuidar. Não acho saudável alguém que não tá nem aí pra si mesmo, que não tem alguma vaidade. Mas perceber que minha atenção é chamada porque optei em postar uma foto na qual não pareço esteticamente “adequada” pra alguns me deixa enfurecida.

É gente assim que inventa a imbecilidade estética do momento: barriga negativa. Não, não é a clássica “tanquinho”. É ter o abdome com a curvatura invertida, com ossos do quadril e das costelas mais proeminentes que a barriga. Igualzinho o de quem passa fome na África. Imaginar que uma aparência dessas é bonita é ter uma noção muito perigosa do que é beleza. Doentia, eu diria.

Acredito que avançamos muito nos últimos cinco anos no debate sobre o que é esteticamente bonito e saudável ao mesmo tempo. Foi nesse meio tempo que explodiu o mercado plus size, de moda para quem está acima do peso. Campanhas publicitárias e blogs surgiram com a mensagem de que não existe um só padrão de beleza. Mas vários, cada um com sua particularidade. A diversidade é sempre infinitamente mais rica e interessante. Lembrando que tem muito gordinho com a saúde muito mais em dia do que quem parece em forma…

Para a sujeita que questionou minha aparência na foto, não entrei em muitos detalhes. Só fui rápido dar uma pesquisada no álbum dela pra me certificar que ela continuava a viver no melhor estilo magra-com-cara-de-doente. Então, ela só merecia uma resposta… “Querida, alguns preferem ficar bem nas fotos. Eu prefiro ficar bem sem roupa.” Ela não respondeu.

Crédito da imagem: Blog da Helo