Navegue na direção dos seus medos

10309203_725282904246541_6308060407603568258_n

Quase final de segunda-feira. Dou uma checada no Facebook antes de ir embora do trabalho. Leio a frase na foto que ilustra esse post na timeline de uma amiga e que caiu como uma luva para ser também o título do texto. Justamente porque passei o dia refletindo sobre uma insegurança minha, que há tempos não dava as caras, e que andou rondando meus pensamentos. Pior: sem motivo concreto algum. Bastou ser minimamente racional pra perceber rápido.

Todo mundo, em maior ou menor grau, guarda algum medo. É inegável. Quase sempre vem de experiências ruins ocorridas no passado. Talvez até já bem resolvidas na cabeça e no coração. Mas que, caso recordadas por alguma situação semelhante à vivida, trazem de volta lembranças dolorosas de tempos difíceis; de um período de aprendizado, mas que naquele momento parecia um castigo eterno. Com a sensação de uma ferida aberta que vai sendo arrastada no asfalto quente.

O resultado é a insegurança, que se manifesta das mais diversas formas: ciúmes, retraimento, agressividade, desrespeito, fuga das responsabilidades… Para cada um de nós, a insegurança ganha roupagem diferente. Todas negativas. E a única maneira de não ser engolido por comportamentos nada nobres é, justamente, navegar na direção dos nossos medos. Enfrentá-los. Colocá-los em perspectiva e sem olhos inundados de emoções exacerbadas e irreais.

Difícil? Sem dúvida. Um leão interno a ser domado. Mas não impossível. Encare. Se esforce. Se controle. Peça ajuda se preciso. Converse com pessoas de confiança para tentar se entender melhor. A recompensa é preservar o presente de sentimentos e sensações passadas a se manterem num só lugar: bem lá atrás.

Crédito da imagem: Laís D’Amato (lambe lambe na Rua Fradique Coutinho, Vila Madalena, São Paulo)

Anúncios

Observe as entrelinhas

caráter

Tenho a mania de sempre acreditar, logo de cara, no melhor de cada um. Pra mim, as pessoas são boas até que provem o contrário. Há quem canse de dizer que minha postura deveria ser justamente a inversa: ninguém é confiável até que prove o contrário. Mas ainda não consigo. E nessas eu acabo me decepcionando umas tantas vezes. Porque se tem uma coisa que a vida já provou é que existe um tanto de gente por aí com o que eu batizei de “caráter elástico”.

É o sujeito muito legal – desde que a situação seja constantemente favorável a ele, por exemplo. É também o indivíduo que se diverte em dar alfinetada disfarçada de elogio, que não dá a mínima em passar por cima nem de amigo pra conquistar algo e mostrar pra si mesmo o quanto é demais (e aqui ele aparece todo camarada, minimizando a importância da situação). Ah! Ele também minimiza os seus problemas, dizendo que tudo vai se resolver logo – e não perde um minuto sem contar vantagem, ignorando suas dores. Seria o famoso “duas caras”?

A insensibilidade dessa pessoa, no fundo, sempre esteve lá, da hora que você a conheceu até a última conversa que tiveram, mensagem que trocaram. É bem impulsionada pela vaidade. É bem baseada em insegurança. É um forte disfarce para a inveja. Mas tudo isso sempre esteve lá. Faça um breve retrospecto de momentos em que você teve uma leve sensação de mal estar com uma postura ou algo que a pessoa disse. Sem neuras. Também detesto gente com mania de teoria da conspiração.

Mas o que eu falo aqui é de uma atitude egoísta constante, mas camuflada com maestria por uma falsa simpatia. Observe nas entrelinhas. Porque não há ninguém verdadeiro que seja feliz, vitorioso e calmo o tempo todo. Alguma coisa tá errada. Olha bem… Tem um quê de falta de naturalidade, sabe? Tem a ganância (de dinheiro, poder, status) disfarçada de ambição saudável de quem corre atrás. Buscar reconhecimento e prosperidade é legítimo. Considerar todo e qualquer meio e método, embora duvidosos, pra chegar lá, não.

Eu ainda prefiro o devagar e sempre, o dormir com a consciência tranquila, o torcer genuinamente pela felicidade dos outros. Qualquer coisa construída desconsiderando o caráter é um castelo de cartas. E pra um castelo assim cair basta uma leve e certeira brisa.

Crédito da imagem: Kit Básico da Mulher Moderna