Não se preocupe: ninguém é feliz o tempo todo

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Eu ando feliz. Bem feliz. Muita coisa boa aconteceu nas últimas semanas. Tomei decisões importantes. Me senti querida por gente que é especial pra mim. Transformei projetos que me são caros em realidade. Não quer dizer que é fácil o tempo todo. Pelo contrário. Em meio a tudo, teve aborrecimento, teve estresse, teve atraso, teve gente agindo da pior maneira possível. Mas a felicidade foi mais forte. E é nisso que eu tenho que focar.

Eu ando bem feliz e sei bem que é temporário. Por isso, o negócio é aproveitar a onda boa e surfar nela. Porque acaba. É assim que é. É da vida. É oscilação. É alto e baixo. Alguns dos períodos de “alto” são super realizadores, com uma coisa boa chamando a outra, rápido, na sequência, se completando. Alguns dos períodos “baixo” parecem se arrastar, não terem fim, com problemas se sobrepondo, com tristeza dura que exige valentia pra superar.

Mas é vai e volta. Pra mim. Pra você. Pra todos nós.

Não se preocupe. Não deixe aquela invejinha que gela a espinha tomar conta de você quando vê alguém realizado. Ninguém é feliz o tempo todo. Claro, há quem vá atrás de criar oportunidades para si mesmo. Que busca o que acredita e não se deixa acomodar com o que não faz bem. Que tem, sim, medo de errar. Mas mais medo ainda de não tentar. Lembrando que se não dá certo fica como aprendizado. E ponto.

Exige coragem? Sem dúvida. E capacidade de lidar com o desconforto da incerteza. Rende, no entanto, uma existência plena, de momentos inesquecíveis.

Ninguém é feliz o tempo todo, vamos reforçar. Mas você precisa fazer a sua parte. A invejinha que gela a espinha pode até, de certa maneira, te impulsionar a correr atrás do que também quer. Só não vai ser combustível real e suficiente. Pare de perder dias preciosos incomodado com a alegria dos outros e construa alegrias para você e para aqueles que ama. ❤ 🙂

Crédito da imagem: YouTube Seu Jorge

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Sucesso e status, os enganadores

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Nos últimos seis meses, graças ao trabalho, tenho o privilégio de acompanhar de perto as ideias e valores de um dos maiores empresários do país. Cara direito, filho de um imigrante português, transformou a empresa fundada pelo pai em uma das maiores companhias brasileiras – e ainda daquelas que se preocupa de verdade com a equipe. Entre as frases que costumo ouvir dele quando concede entrevistas há uma que é aprendizado pra colar na parede do quarto, ler todo dia, lembrar a vida inteira: “Quando você começa a acreditar no sucesso é porque começou a fracassar.”

Significa que a chegada do sucesso leva a enganos como a certeza de ter vencido e poder relaxar; a soberba de se achar bom demais e poder esnobar; a tolice de focar na ganância e, de repente, atropelar aspectos essenciais da existência. Passar por cima. Aí, começa a queda livre. Vai ladeira abaixo. Perde-se a confiança de chefes e subordinados, torna-se o arrogante da família, o contador de vantagem na roda de amigos.

Manter complexo de vira-lata? De jeito nenhum! Não ter orgulho de si mesmo? Jamais! Pelo contrário. Autoestima é fundamental. Mas é não acreditar que o topo é eterno. Quanto mais alto, maior o tombo, diz um ditado por aí. Então, não se deve almejar chegar mais longe? Também não é disso que eu tô falando.

Mire alto, sim, suas flechas. Sem esquecer, porém, que a vida é feita de ciclos, de perdas e ganhos, altos e baixos. E que a gente nunca deve esquecer de onde veio, quem nos ajudou, quem acreditou em nós. Que quando tudo parecia difícil, alguém foi lá e nos estendeu a mão. Pra recomeçar. Pra tentar de novo. Com orgulho sim da própria história, mas com humildade, gratidão e empatia para se colocar no lugar de quem nos cerca; ajudar como um dia se foi ajudado.

Diretamente ligado à ideia de sucesso está mais um enganador: o status. Andam juntos, mãos dadas. Acho esse aí até pior. Porque tem quem queira manter as aparências, o status, sem nem ter de fato construído algo que possa ser visto como um sucesso. É vazio. É mesquinho.

Sei de gente que na hora que o marido perdeu o cargo de diretor, caiu fora do casamento. A mesada começou a minguar, sabe. Tem quem abandonou a namorada na hora que ela foi demitida do cargo de editora de revista de lifestyle porque era importante para o fulano ter ao lado uma mulher de “sucesso” como ele, empresário. Dava status, afinal. Ela se reergueu ao mesmo tempo que a empresa dele pediu falência. A moça arrumou um cara realmente legal e que lhe dá valor. E a mãe que pouco se importava com as queixas da filha de que o noivo a traía? “Bobagem, minha filha. Ele é um partidão, te dá uma vida confortável e segura”, dizia a tola senhora, enterrando o destino da própria filha. Tudo pelo status. Alguns exemplos. Infelizmente, corriqueiros demais.

E as selfies, minha gente? Todo mundo já tirou uma, claro. Eu até entendo selfie numa viagem que se faz sozinho, por exemplo. Mas pra dar bom dia em rede social, fazendo bico e caprichando no filtro pra passar a imagem da “perfeição”, essa obviamente inalcançável? Estamos indo longe demais na busca de um status que só enche os olhos dos outros e rapidamente esvazia nossos corações. Não é verdadeiro. Não preenche a alma. Causa inveja, uau! E depois? Depois, nada. Depois, volta-se para as angústias, as eternas insatisfações de quem não constrói trajetórias sólidas com trabalho e estudo, relações consistentes e confiáveis, projetos que fazem a diferença na sociedade.

Depois que os enganadores sucesso e status mostram a grande ilusão que são, o castelo de cartas desmorona. E não adianta levantá-lo de novo. Os alicerces são frágeis demais.

Não inveje a vida de ninguém

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Pessoal, antes de tudo, me perdoem a demora em escrever um novo post. Ideias não faltam, juro! Só tô naquele looping de final de ano, tentando dar conta de tudo o que chega na vida. A boa notícia é que o que tem chegado, 90% das vezes, é de momentos divertidos e de felicidade. E pensando nisso é que escrevo o post de hoje.

Vocês sabem que uns meses atrás as coisas não andaram exatamente bacanas para o meu lado. Nada que outras pessoas não tenham, de uma maneira ou de outra, enfrentado algum dia também. As tristezas e as dificuldade, os momentos de dúvidas e até desespero, que por vezes parecem não ter fim, são parte do nosso roteiro. Especialmente de quem se arrisca no dia a dia, de quem busca novas experiências e alegrias, que não fica parado só esperando milagres transformarem o destino.

Mas como tudo é cíclico e ninguém é totalmente feliz ou infeliz, parece que a bad vibe, finalmente, deu lugar a conquistas especiais e dias bonitos. Não para sempre, claro. Por mais um período, ao menos. Um dos motivos é que há quase cinco meses comecei a trabalhar com jornalismo gastronômico em uma revista especializada. Pra mim, que amo comer e considero a comida uma maneira de demonstrar afeto, é uma farra.

Já conheci muita gente legal, fui em lugares da moda ou elegantes, fiz viagens incríveis. Fora que beber em serviço não é problema! 😛 Divido algumas das experiências desse trabalho nas redes sociais, com fotos de onde vou. Me divirto com os comentários dos amigos. Ninguém mais acredita quando digo que é um trabalho que também tem seu lado puxado, pressão, datas a cumprir, decisões importantes a tomar! Mas de fato o lado bom compensa conflitos e entraves, que são parte de qualquer função e profissão.

Dia desses, no entanto, fiquei um pouco surpresa com o tom que uma amiga deu a uma mensagem que me enviou inbox no Facebook. Não acho que foi maldade, não. Longe disso. É uma opinião com base em crenças profundas dela. E eu respeito. Mas a questão foi colocada como se eu, que sempre acreditei no jornalismo como forma de melhorar a vida das pessoas, estivesse traindo a classe ao me dar o direito de trabalhar com um assunto mais “leve”. Não é. Gastronomia, antes de tudo, é reflexo de nossa cultura e da nossa história. Explica muito mais de cada um de nós do que percebemos. Então, não é “fútil” como parece. É uma arte exercida por gente bem talentosa, curiosa, criativa. Representa, inclusive, a alma de um povo e até mesmo novas tendências de comportamento da sociedade. É rico, vasto, interessante.

Mergulhar num mundo que até pouco tempo não era o meu, parece, me desabona como a moça forte de um passado recente. Mas justamente por isso, convenhamos, eu mereço. Assim como todos que enfretam/enfrentaram horas duras são merecedores de tempos de gandaia e/ou bonança. Portanto, não inveje a vida de ninguém. Nunca. Simplesmente porque se tá ruim pra você agora, logo vai ficar bom. E pra quem tá bom, volta e meia piora. É a roda. Só para de se preocupar demais com a vida alheia. Isso sim faz os sentimentos ruins perdurarem.

Crédito da imagem: blog Casal Sem Vergonha

Observe as entrelinhas

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Tenho a mania de sempre acreditar, logo de cara, no melhor de cada um. Pra mim, as pessoas são boas até que provem o contrário. Há quem canse de dizer que minha postura deveria ser justamente a inversa: ninguém é confiável até que prove o contrário. Mas ainda não consigo. E nessas eu acabo me decepcionando umas tantas vezes. Porque se tem uma coisa que a vida já provou é que existe um tanto de gente por aí com o que eu batizei de “caráter elástico”.

É o sujeito muito legal – desde que a situação seja constantemente favorável a ele, por exemplo. É também o indivíduo que se diverte em dar alfinetada disfarçada de elogio, que não dá a mínima em passar por cima nem de amigo pra conquistar algo e mostrar pra si mesmo o quanto é demais (e aqui ele aparece todo camarada, minimizando a importância da situação). Ah! Ele também minimiza os seus problemas, dizendo que tudo vai se resolver logo – e não perde um minuto sem contar vantagem, ignorando suas dores. Seria o famoso “duas caras”?

A insensibilidade dessa pessoa, no fundo, sempre esteve lá, da hora que você a conheceu até a última conversa que tiveram, mensagem que trocaram. É bem impulsionada pela vaidade. É bem baseada em insegurança. É um forte disfarce para a inveja. Mas tudo isso sempre esteve lá. Faça um breve retrospecto de momentos em que você teve uma leve sensação de mal estar com uma postura ou algo que a pessoa disse. Sem neuras. Também detesto gente com mania de teoria da conspiração.

Mas o que eu falo aqui é de uma atitude egoísta constante, mas camuflada com maestria por uma falsa simpatia. Observe nas entrelinhas. Porque não há ninguém verdadeiro que seja feliz, vitorioso e calmo o tempo todo. Alguma coisa tá errada. Olha bem… Tem um quê de falta de naturalidade, sabe? Tem a ganância (de dinheiro, poder, status) disfarçada de ambição saudável de quem corre atrás. Buscar reconhecimento e prosperidade é legítimo. Considerar todo e qualquer meio e método, embora duvidosos, pra chegar lá, não.

Eu ainda prefiro o devagar e sempre, o dormir com a consciência tranquila, o torcer genuinamente pela felicidade dos outros. Qualquer coisa construída desconsiderando o caráter é um castelo de cartas. E pra um castelo assim cair basta uma leve e certeira brisa.

Crédito da imagem: Kit Básico da Mulher Moderna

Essa mania de achar que alguém tem inveja de você (e costuma ser bem o contrário)

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Das coisas que eu acho chatas no mundo, poucas são tão irritantes quanto a mania que algumas pessoas têm de se considerarem constantemente invejadas. É aquele povo que fica falando que “o lugar tá com uma vibe ruim”, “fulano tem uma energia negativa”, “ciclana fica me copiando”, “ela faz tudo pra ser igual a mim”, “ele deseja o que eu tenho”, e por aí vai. Não desacredito na inveja. Não descarto sua influência num ambiente e nem sua interferência nas relações. Simplesmente porque é uma característica do ser humano. Ela é parte da nossa obscuridade emocional. Um sentimento natural, que só se torna problema de fato dependendo da dose.

A inveja pode até ser útil quando serve pra impulsionar vontades e fazer com que se corra atrás de objetivos. Claro, isso é melhor se for apenas efeito de admiração, de se espelhar no outro de maneira saudável. Só que nem sempre é assim e muita gente segue em frente é graças mesmo a um incômodo no peito pela vitória alheia. Também não significa que a pessoa seja do mal, não tenha boa índole. Nada disso. Psicologicamente, pode existir algum desequilíbrio, a falta do desenvolvimento de crenças positivas sobre seu valor que bloqueiam a capacidade de olhar aquilo que se tem e se conquistou com orgulho, com amor próprio. É o eterno achar de grama do vizinho mais verde.

O curioso pra mim, no entanto, é que o discurso da inveja costuma vir justamente daqueles que mais a sentem. Pode reparar. Quem muito diz que o outro sente inveja disso e daquilo é um tremendo invejoso. Carrega uns muitos recalques pela vida. Fica desconfortável quando alguém conta que um amigo, conhecido ou familiar “comprou”, “ganhou”, “viajou”, “foi”, “fez”, “conseguiu” o que ele desejaria também.

Aí, surge mais um comportamento intrigante: o minimizar da conquista do “concorrente”. A festa dele sempre vai ser a melhor, o relacionamento é o perfeito, o lugar que ele compra roupa é incomparável, o restaurante que frequenta é o badalado, o lugar em que estudou é mais reconhecido, o destino onde passou férias é mais exótico e os planos futuros, ah, são muito ousados, garantia de sucesso! Tudo do invejoso é melhor nas rodas de conversa. Dos demais nunca é tão bom assim.

A tentativa aqui é de rebaixar ao máximo aquele de quem se sente a inveja pra parecer melhor, mais vencedor, mais satisfeito, mais feliz, mais bem-resolvido. Fachada. Só te coloca pra baixo quem teme sua capacidade. Quem tem certeza de que não consegue fazer igual ou melhor. Quem sabe que tem mais limitações do que gostaria. Pessoas de bem consigo mesmas, satisfeitas com os rumos da própria vida, ficam genuinamente contentes por verem os que estão a seu redor crescendo, seja profissionalmente ou pessoalmente. Não perdem tempo remoendo as sensações amargas do velho olho gordo.

No geral, basta dar de ombros pra turma da inveja. A não ser que você seja vítima de um invejoso capaz de te prejudicar, transformando a admiração torta em raiva. Fofocas, calúnias, bullying, difamação são situações realmente ruins que podem, sim, nascer da inveja. Nesse caso, não tenha medo de tomar medidas enérgicas contra o invejoso que extrapola, inclusive judiciais. Mas também não esquente a cabeça se for algo menor. Porque, no fundo, o invejoso e seu modo de agir são sacados por muita gente. A rotatividade das amizades é alta (ninguém aguenta). Um exagero aqui, outro ali, e logo ele deixa de ser levado a sério por todo mundo. Vai, obviamente, continuar se vangloriando. Só que uma hora, apenas para as paredes.

Crédito da imagem: Cultura Inquieta