Não desista de você

Trabalhar com o público feminino tem sido um sem fim de repensar minhas emoções, situações que enfrentei, o quanto sou privilegiada em muuuuita coisa, relembrar minha história e me reconhecer e me inspirar na história de tantas outras mulheres. Mulheres essas que em boa parte chegam pra gente frágeis e com dificuldades de reconhecerem o valor imenso que têm. E que, lindamente, quando dividem a mesma sala de um workshop por algumas horas, compartilham também sentimentos, desafios, risadas, lágrimas e apoio. Fazem novas amigas. Fecham novos negócios, encomendas, parcerias. Colocam a vida em outro movimento. Lembram quanto são capazes. Saem felizes.

Dali em diante vai ser fácil? Claro que não. Mas perceber que não estão mais sozinhas é uma riqueza que ajuda a tomar coragem, a juntar caquinhos de corações machucados e a fortalecer a autoestima. Acreditar em si. Ter com quem contar.

Neste domingo (que aqui pra mim é chuvoso, daqueles dias bons pra pensar na nossa trajetória e nos próximos passos), o que eu gostaria de dizer a quem puder ler esse texto é: não desista de você. Nunca. Não desista dos seus sonhos. Não desista de acreditar que encontrará saídas para as tristezas e problemas. Não desista de pedir ajuda. Não desista de enxergar o mundo com generosidade. Não desista de mudar tudo se assim precisar. De manter a mente aberta para transformar, adaptar. Não desista de aprender mais e novamente.

Tem hora que vai cansar? Vai, sim… Mas é só pra refletir um pouquinho. Talvez chorar um pouquinho… Ver mais uma semana iniciando. E logo mais recomeçar.

Para saber mais:
www.mulheresageis.com.br
www.facebook.com/mulheresageis

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Delicadeza em papel, caneta e colorido

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A gente às vezes perde muito tempo pensando em como poderia ajudar alguém. Acaba sem de fato ajudar, sem saber o que fazer. Dizer que não tem tempo é de praxe. Não é nem que não é verdade. Nos enrolamos mesmo nesse cotidiano preenchido demais. Sempre existe, porém, um caminho. E a ideia simples, mas desenvolvida com dedicação e carinho, pode ser bem impactante. Ter um efeito tão positivo que permite às pessoas retomarem sonhos, se reerguerem, recomeçarem. Acreditarem em dias melhores.

Hoje eu trago aqui no blog dois exemplos bonitos de projetos criativos que estão ajudando muitas mulheres pelo país. Por meio de cartas com palavras de acolhimento e ilustradas com sensibilidade, as voluntárias dizem “você não está sozinha”. Vocês precisam conhecer! Abaixo, mais detalhes dos projetos “Eu vejo flores em você” e “Flores e Histeria”:

Eu vejo flores em você (www.euvejofloresemvoce.com / www.facebook.com/asfloresemvoce/)

Feito por garotas que se viram em situações difíceis e encontraram na troca de cartas um jeito de apoiar outras mulheres. Diz a página do Facebook do projeto:

“Nós ilustramos cartas de mulheres para outras mulheres e enviamos por correio sem custo algum, mas num envelope lotado de amor! Para ver algumas das cartas já enviadas, acesse euvejofloresemvoce.com.”

As meninas também vendem cadernos do tipo Moleskine (com impressão em couro sintético) por R$ 50. A receita é revertida para pagar os custos de produção; pagar um caderno de presente para cada voluntária que está trabalhando intensamente desde fevereiro no projeto; cobrir alguns custos recorrentes do projeto; e financiar novas ações, inclusive a produção do livro para a gaúcha Gisele Santos, que teve as mãos decepadas por seu companheiro (http://bit.ly/campanhagisele).

Flores e Histeria (www.facebook.com/floresehisteria/)

Como diz a página do Facebook do projeto, “a decisão do tema veio da necessidade de reduzir a distância e a frieza com que, geralmente, a grande mídia trata os casos de transtornos psiquiátricos, que, com frequência, incidem mais sobre o sexo feminino. Não queremos falar de estatísticas, números ou estudos. Nosso objetivo é trazer a delicadeza e sensibilidade que estão em falta. Queremos promover o amor e carinho que existe entre as mulheres nesta condição. Ainda somos um grupo – uma dupla, na verdade – bem pequeno, então vamos explicar aqui como vai funcionar a primeira fase de “teste”:

• Vamos criar um formulário para receber as histórias e dados das interessadas em participar do projeto.
• Vamos fazer um processo de “triagem” (infelizmente, já que a gente queria poder mandar cartas para todas…), e entrar em contato.
• O critério principal da triagem será a diversidade (realidades distintas, diferenças regionais e culturais, etc).
• O contato será feito totalmente de forma virtual e a seleção dos pares (quem entrará em contato com quem) será feita por nós.
• As selecionadas vão encaminhar as cartas para nós (por e-mail) e todo o processo de escrita, ilustração e o envio ficará por nossa conta.
Nossa ideia é que isso ocorra mensalmente, criando assim um grande vínculo e um núcleo de mulheres que possam se ajudar com carinho, atenção e cuidado.”

As meninas, que são voluntárias em ambos os projetos, são uma excelente inspiração para começarmos mais uma semana. São alento em tempos em que tantas vezes nos custa acreditar na humanidade. Mas sempre tem quem se importe. Sempre vai existir quem seja capaz de espalhar doçura e delicadeza por onde passar.

Crédito da ilustração: Letícia Rodrigues

Como anda o coração feminino

Pessoal, nesse link abaixo está uma reportagem que escrevi para a Revista Cláudia, do mês de dezembro. Fiquei muito feliz ao saber essa semana que a matéria está concorrendo ao Prêmio Abril de Jornalismo:

http://issuu.com/paj2012/docs/paj2014_mc_saudefitnessesporte_clau?e=4648746%2F7086338

Coloco aqui o link pra vocês porque tem informações importantes sobre doenças cardiovasculares em mulheres. Mostra como a mulherada não identifica uma série de fatores de risco, ainda acredita que infarto acomete mais os homens (nada disso!) e não sabe identificar os sintomas de uma problema cardíaco (que pode se manifestar de maneira diferente do modo que se manifesta no sexo masculino).

E, sim, emoções, sentimentos negativos e estresse também afetam a saúde do coração feminino, que anda em perigo. Espero que gostem e que ajude a todas nós. 😉

O lado sombrio do Clube da Luluzinha

Baixei o tal aplicativo Lulu (que até ontem de manhã eu mal sabia o que era e minha prima me explicou). O app serve para mulheres classificarem os homens por meio de hashtags, que vão de engraçadinhas a ofensivas. Dá pra usar tanto no smartphone quanto no computador. Aí, de acordo com as observações, o cara ganha uma pontuação. Confesso que dei umas risadas, mas também achei que tem muita maldade, difamação… Tenso. Pode até ter umas verdades ali, mas é sem noção expor publicamente fragilidades tão pessoais de ex-namorados, ex-peguetes. Mais um passinho na falta de limites das “brincadeiras” que acabam em consequências desastrosas com a exposição da intimidade alheia.

Vamos lembrar que duas meninas se suicidaram recentemente aqui no Brasil depois de terem vídeos íntimos jogados na internet. Por desforra, “diversão”, nosso comportamento irresponsável tá levando à morte. E ninguém parece se dar conta do quanto isso é grave, do quanto temos culpa nesses resultados.

Eu também acho que tem muito cara canalha e babaca que merece pagar pelas merdas que faz. Mas do mesmo jeito tem mulher que se sente rejeitada, não aceita isso e não pensa duas vezes antes de ferrar com a vida de caras legais, mesmo que pra atingir esse objetivo inventem barbaridades. Rapazes também têm sentimentos. O Lulu é um dos maiores absurdos dos últimos tempos – e olha que vivemos uma era de absurdos sequenciados! É ultrapassar todos os limites da invasão de privacidade, da falta de bom senso.

Uma das explicações das criadoras do Lulu é que a “classificação” ajuda as mulheres a saberem quem são os caras confiáveis ou não. Mentira. Já teve amigo meu pedindo pra eu inflar a pontuação dele. Obviamente, não vou fazer isso. Mas é um exemplo de como é fácil fraudar as informações do aplicativo.

Vi algumas meninas comentando que “quem não deve, não teme”, sobre os rapazes que conseguiram excluir o perfil. Que desconfiam de quem prefere se “esconder”. Pois eu fico com o pé atrás com os caras que estão vaidosamente achando o máximo serem avaliados como se fossem o prato de um restaurante. Nem que o “score” do sujeito seja 10. Porque só precisa de uma massageada no ego dessa dimensão quem não confia nas próprias qualidades.

Enfim, gente, li agora de manhã essa matéria abaixo (coloco um trechinho e o link) que aborda as implicações jurídicas e psicológicas da polêmica do momento. Mostra também como fazer para excluir o perfil no aplicativo. Os rapazes que estão no Facebook automaticamente aparecem no Lulu.

“A Constituição garante proteção à intimidade e veda o anonimato. O sujeito exposto pode entrar com ação cível, por perdas e danos, ou penal, por difamação e crime contra a honra. O culpado pode pegar de 3 meses a 1 ano de detenção ou pagar multa de R$ 5 mil a 10 mil”, diz. Já a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática informou que é possível quebrar o sigilo do aplicativo e desmascarar os autores das supostas injustiças virtuais. O mais difícil, porém, é lidar com as feridas psicológicas, diz a psicóloga Alexandra Araújo. “Pessoas com baixa autoestima podem desenvolver quadro de depressão por acreditarem nos comentários. É uma plataforma perigosa, propícia para disseminar mentira, vingança e cyberbullyng”, avalia.
 
Não tem jeito. Se você é do sexo masculino e tem conta no Facebook, automaticamente já existe no aplicativo Lulu. Mas há um jeito — não muito simples, porém rápido — de deletar o perfil dos mais indignados e insatisfeitos. Basta acessar o link http://company.onlulu.com/deactivateO site em inglês pode ser traduzido para português.
 
Depois, o usuário deve clicar em ‘remover meu perfil agora’ e esperar até 15 minutos. Se houver falhas, pode repetir o procedimento. Outra alternativa é enviar um e-mail, indicando seu perfil para iwantout@lulu.com e esperar que os responsáveis pelo aplicativo retirem-no do ar.”

Outubro Rosa

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Esse seria o mês de aniversário da minha vó Lourdes, que foi embora há sete anos. Minha vozinha perdeu para um câncer que começou na mama. Lutou algum tempo. E que bom que uma hora descansou. Senhorinha de 75 anos na ocasião, ela já tinha sofrido bastante. Eu não queria mais que minha vó ficasse amuadinha e fraquinha como a via naqueles últimos meses, não.

Minha mãe sempre se preocupou bastante com a saúde da minha vó. Nunca deixou que ela passasse um ano sequer sem fazer exames de rotina. O nódulo no seio dela surgiu de repente, num intervalo de poucos meses, entre uma mamografia e outra. Se mesmo com todo cuidado o tumor apareceu, imagina o risco que você, que não dá a devida atenção ao seu corpo, anda correndo.

O Outubro de aniversário da minha vozinha é também o Outubro Rosa, o mês de conscientização na prevenção contra o câncer de mama. Dos casos diagnosticados no início, 95% têm chance de cura. O exame de mamografia é o principal meio para detectar o tumor. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a primeira mamografia a partir dos 40 anos, anualmente. Para mulheres com histórico familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau, como mãe ou irmã, o acompanhamento deve começar dez anos antes da idade que a parente apresentou a doença.

Mas mulheres entre 20 e 30 anos também precisam se submeter a exames clínicos com o ginecologista e realizarem o auto exame, apalpando os próprios seios para verificar alguma mudança ou caroço. Desde os 25 anos, passo por ultrassonografia nas mamas. Ano que vem, com 35, minha médica já avisou que vai pedir minha primeira mamografia porque existem outros casos de câncer na família.

É bom lembrar que apesar do câncer ser uma doença muito ligada ao envelhecimento, também atinge pessoas jovens. Há outros fatores de risco para o câncer de mama: primeira menstruação precoce (antes dos 12 anos), menopausa tardia (depois dos 55 anos), não ter filhos, reposição hormonal por mais de cinco anos na menopausa, obesidade, consumo de álcool, de cigarro ou quem fez tratamento de radioterapia.

Entre os sinais de alerta estão aparecimento de nódulo, inchaço da pele da mama, ulceração ou vermelhidão, abaulamento em alguma região da mama, sangramento pelo mamilo ou retração da aréola. Qualquer dor no seio fora do período menstrual deve ser investigada. Como prevenção, alimentação saudável, atividade física, manter o peso adequado, evitar cigarro sempre e bebida alcoólica em excesso, além de agendar visitas periódicas ao médico.

Na era da juventude a qualquer preço, vejo muitas amigas preocupadíssimas com a aparência, mas que passam anos sem enfrentar uma bateria de exames. Que o Outubro Rosa sirva também pra gente lembrar que vaidade em equilíbrio é saudável. De nada adianta, porém, se a beleza é montada e não reflexo de cuidados que realmente importam.

Como prejudicar sua filha para o resto da vida

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“O passo mais importante na vida de uma mulher, sem dúvida nenhuma, o matrimônio. Nem mesmo a realização profissional supera as expectativas do sonho de um bom casamento. Enfim, a ideia do ‘felizes para sempre’ é o sonho de toda Princesa.”

Li mais de uma vez o parágrafo acima. Li pra ver se eu tinha entendido direito. A afirmação está no site de uma empresa que se intitula Escola de Princesas. É parte de um conjunto de características que toda candidata a “princesa” deve ter. Me arrepiaram palavras como “matrimônio”, “bom casamento”, e fui pesquisar pra saber exatamente o público-alvo: meninas de 4 a 15 anos. No fim de semana, um jornal de São Paulo já publicara uma matéria sobre o assunto. Não achei que poderia ser pior do que a reportagem indicava. Pode. E o conceito “escola de princesas” é mais tendência do que a gente imagina. Há jogos online e aulas de Norte a Sul do país que se encaixam no modelo.

Não acreditei que encontraria alguma coisa mais machista pra me tirar do sério do que o surgimento recente de uma “heart hunter”. Ela afirma ensinar as mulheres a serem femininas. Mas feminilidade, pra ela, significa ser submissa. Do tipo não-fale-do-seu-trabalho-no-jantar-porque-isso-é-tarefa-dele, entre outros absurdos. Basicamente, a ideia é transformar a mulher numa pessoa sem voz de decisão só pra garantir marido. Em junho escrevi um post sobre o assunto: https://faleaomundo.wordpress.com/2013/06/page/2/ .

O problema na Escola de Princesas, porém, me parece muito mais grave porque é voltado a crianças. Meninas que desde tenra idade são educadas para acreditarem que o objetivo maior da vida de uma mulher é o casamento, como se a ela fosse proibido se deliciar com conquistas individuais. Como se uma opção que não inclua o casamento ou o jogue bem lá pra frente a torne um ser egoísta e até de menor valor diante da sociedade.

A escola promete “formar” as meninas dentro de “princípios morais, sociais, de etiqueta e de comportamento”. O “morais” aqui já me incomoda. Porque, pra mim, nada pode ser mais imoral do que alguém definir que uma criança precisa ser preparada pra suprimir parte de suas potencialidades no futuro e, assim, ser “aceita” dentro de um padrão.

O curso também enfoca habilidades de etiqueta que darão às meninas “confiança para lidar com qualquer situação”. Isso eu até concordo. Situações assim surgirão, muitas em que a gente nem entra por querer, como almoços e jantares de trabalho. E sacar algumas regras de etiqueta podem ajudar. Mas se um dia eu tiver filhos (meninos também podem aprender, óbvio) acredito que poderei ensiná-los em uma hora o básico da etiqueta que importa. Mais: deixar bem claro que gentileza, simpatia e bom senso são infinitamente mais fundamentais do que saber quais são os talheres para peixe.

As aulas também contemplam tarefas domésticas, como arrumar a cama. Afinal, como diz o site “toda princesa um dia será rainha e precisa aprender a cuidar do seu próprio castelo”. E por que raios o “castelo” não pode ser só dela? Por que ela não pode aprender que cuidar da casa é legal pra ELA se sentir bem no ambiente que vive – e não posar de mulherzinha perfeita seja lá pra quem for? E gente: pais precisam colocar uma menina numa escola dessas pra pequena aprender a arrumar a cama? Se são incapazes de ensinar algo tão simples, tem que ver essa paternidade/maternidade aí…

Não sou contra o casamento. Não sou contra que meninas divirtam-se de maneira lúdica e brinquem com fantasias. Nem mesmo que gostem de rosa e de se vestirem de princesas por acharem bonito. Mas acho grave que ainda hoje acreditem que uma mulher deva ser moldada de tal maneira pra atingir expectativas tão superficiais. Vamos perpetuando, então, a ideia de que manter as aparências é um valor essencial. E que sem isso a outra única alternativa é ser excluída e nunca verdadeiramente amada.

Crédito da imagem: Photography

Garotas, cuidem-se. Saúde vem antes de vaidade

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Corpo em cima, unhas feitas, cabelos sedosos, pele com o mínimo de sinais do tempo, e por aí vai. Ser vaidosa (sem exageros e neuroses) é saudável e desejável. Mas eu ando meio preocupada com a mulherada… Vejo umas tantas amigas e conhecidas minhas em busca de uma aparência bonita. Muitas delas, porém, cuidam tanto do lado de fora que esquecem de como anda o organismo em geral. Não passam seis meses sem a visita ao dermatologista. Passam até anos sem a consulta com o ginecologista – e isso é grave.

Observei quantas meninas compartilharam nas redes sociais a notícia sobre a atriz Angelina Jolie, que se submeteu a uma dupla mastectomia, a retirada das mamas para evitar um câncer. O lado bom é que chamou a atenção para o tema. O lado ruim é saber que ainda é necessário uma celebridade do porte de Angelina tomar uma atitude assim para as pessoas se interessarem. E só talvez se cuidarem de fato. O caso da atriz, como destacou a mídia semana passada, é raro. A cirurgia foi preventiva e é realizada apenas quando o risco de câncer é altíssimo. A possibilidade de Angelina desenvolver a doença caiu de 87% para 5%. Mas milhares de mulheres mundo afora enfrentam um câncer, simplesmente, porque não se preocuparam com exames básicos como deveriam. Nem mesmo estavam em grupos de alto risco.

Aí, o que era cura certa pode se transformar num problema grave. Às vezes, um pequeno nódulo no seio, por exemplo, pode dobrar de tamanho em dois anos e exigir um tratamento difícil, sofrido. Um apenas incômodo corrimento vaginal pode levar a uma séria infecção. E quantas de nós continuam sem compreender que após iniciada a vida sexual o teste papanicolau, capaz de detectar o risco de câncer de colo de útero, é indispensável?

Não estou falando de mulheres desinformadas, não. Nunca esqueço a bronca que dei numa amiga que só se submeteu pela primeira vez a uma série de exames ginecológicos já quase com 30 anos, meses antes de se casar. Moça pós-graduada. Minhas amigas de 20 e poucos anos dizem que esquecem a época certa das consultas. Minhas amigas de 30 e poucos anos dizem que andam sem tempo, estão trabalhando muito, a vida tá corrida – aquela ladainha. Em determinada ocasião, tentei a duras penas convencer minha manicure de que ela deveria sim marcar no laboratório o ultrassom transvaginal, conforme pedido médico. A recusa em relação ao procedimento, disse ela, era porque não se sentiria bem em saber que alguma coisa foi colocada lá dentro. “Naquele lugar? E se meu marido desconfiar de mim, achar que andei com outro homem?” Eu insisti que aquilo era uma bobagem, impossível. Não adiantou.

Preconceitos ou a clássica ideia do “comigo não vai acontecer” são perigosos demais quando se trata de saúde. Me espanta que, com tanto conhecimento disponível, tanta tecnologia, os tabus ainda estejam tão presentes.

Talvez seja porque minha avó materna tenha morrido de um câncer que começou na mama. Ou porque escrevi sobre saúde durante um bom tempo como jornalista (e acabei aprendendo muita coisa). Ou porque minha mãe também sempre foi atenta à saúde dela e tive esse comportamento como exemplo. Mas não consigo imaginar um ano da minha vida sem uma bateria de exames. Não tem nada a ver com hipocondria. Aliás, até onde posso, evito ao máximo tomar remédio. Sei, no entanto, que algumas patologias são silenciosas. Dos exames anuais não abro mão. São eles que indicam que algo vai mal – ou justamente se você pode ficar em paz, com tudo indo bem.

Garotas, cuidem-se. Não falo aqui do esmalte da moda. Nem do cosmético que vai descamar seu rosto até o espelho te garantir que você aparenta dez anos a menos. De novo, com parcimônia, vaidade é super válida. Mas a saúde vem antes. Beleza nenhuma vale tanto a pena se uma patologia limitar o que realmente importa: disposição para aproveitar cada minuto dos seus dias na companhia daqueles que você ama.

Crédito da imagem: Amedeo Modigliane (Cultura Inquieta)