Desafios de um negócio que lida com preconceitos

“Su, chamei uma amiga, mas você não acredita no que ela me disse… Que não viria num curso de investimentos apresentado por uma mulher porque mulher não entende do assunto.” A admiração era de uma das participantes do último MAG Finanças, workshop da plataforma Mulheres Ágeis, na qual sou cofundadora com minha amiga Renata Leal.

Como contei a vocês no artigo anterior, a Rê é investidora e idealizou esse workshop para que cada vez mais mulheres se empoderem economicamente. No caso, a última edição foi criada especialmente para quem está com vida financeira em equilíbrio, mas deseja aprender mais sobre investimentos.

Eu, claro, já assisti a todas as edições que realizamos e garanto: ninguém antes me explicou tão bem sobre investimentos, com clareza, didática e respeito às minhas dificuldades e limitações sobre o tema quanto minha sócia. E a percepção não é só minha, mas de todas as MAGs que já fizeram o workshop.

MAG Finanças nasceu também porque muitas mulheres nos confidenciaram se sentirem mal e julgadas em grupos nas redes sociais que abordam finanças. Ou mesmo em cursos. Sofriam bullying e viam suas dúvidas ridicularizadas por homens dizendo que não era mesmo papo para mulher.

Mas aí a gente tem outra mulher que não bota fé no conhecimento de uma investidora…

Falar de gênero é sempre bater de frente com os preconceitos das pessoas. Mesmo aqueles que elas não admitem. Mesmo aqueles que acreditam nem ter. Mesmo aqueles que fazem com que elas também sofram. Faz parte do nosso trabalho mostrar quando é um preconceito e que tal postura gera um impacto negativo na sociedade. Afeta a todos nós.

Ainda assim, quando o machismo vem de uma mulher, a gente dá uma perdida de chão, sabe? Fica um tempo meio entre o choque e o desânimo. Passa rápido! Mostra, porém, que nosso caminho é longo. Bem longo.

Quando um negócio carrega na sua essência lidar com preconceitos, encontramos obstáculos que outras empresas não encontram. O resultado é que nosso crescimento pode ser, sim, mais lento. Mexer com comportamentos é uma tarefa que transforma você em heroína para uns e inimiga para outros. Não tem meio-termo.

O lado bom é que quem enxerga a necessidade de mudança junto com a gente se torna não só defensora (ou defensor) das nossas ideias, como “espalha a palavra” também. Toma pra si a tarefa de nos ajudar a estar em mais lugares, espaços, eventos, empresas, para um público crescente.

Dias depois dessa última edição de MAG Finanças, fiz a sessão de mentoria com uma jovem promissora de 18 anos que começou este ano a faculdade de relações internacionais. Há pouco mais de seis meses, conversamos uma hora, uma vez por semana, com foco na elaboração e no desenvolvimento de seu pensamento crítico. Como já completávamos um semestre de conversas era hora de um balanço. Mandei a ela algumas perguntas.

Uma das coisas que a mentoria despertou na minha futura diplomata foi a possibilidade de, quem sabe, lá na frente também venha a empreender. Que eu, à frente de dois negócios diferentes, mantinha bom humor e parecia ter tempo para minhas questões pessoais. “Sempre achei que mulher dona de empresa era estressada e sem vida”.

Adorei o elogio por um lado, mas chamei a atenção. “Você pensaria isso de um homem à frente de um negócio? Que ele seria estressado e sem vida?”

Ela levou a mão à boca e pediu desculpas, que não tinha se dado conta de que era um preconceito. Que realmente não pensaria isso de um homem. Rimos juntas. Pedi que não se preocupasse, que tudo bem. Nem de longe ela é uma moça preconceituosa. Pelo contrário. É daquelas jovens que permite acreditar que o mundo não está perdido.

Até aqui, fomos criadas com uma série de crenças limitantes de “isso não é para mulher; isso vai prejudicar a sua feminilidade, ninguém vai te querer”, entre outras bobagens. Acabamos projetando as percepções negativas sobre nossa própria capacidade em outras mulheres. “Se não é coisa de mulher, como é que ela sabe fazer? Como entende do assunto?”

O resultado dos padrões de incapacidades que aprendemos é não só deixar de avançar em aspectos pessoais e profissionais, como tentar desqualificar quem já avança. E enfraquecermos as outras é jogar a favor de tudo o que nos prejudica: assédios, violências, salários menores, sobrecarga de tarefas domésticas…

Como eu disse, o caminho é longo. Como prova minha mentorada, são padrões absolutamente possíveis de serem deixados para trás. Cada uma a seu tempo, é verdade. Mas, por favor, quanto antes, melhor.

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Suzane G. Frutuoso é criadora e autora no blog Fale Ao Mundo, cofundadora da plataforma Mulheres Ágeis e da consultoria ComunicaMAG. É jornalista, mestre em sociologia pel PUC-SP, especialista em comunicação corporativa pela FGV e escritora

Artigo originalmente publicado no LinkedIn Brasil

Para comprar meu livro Tem Dia que Dói – mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo, acesse a loja virtual: https://temdiaquedoi.lojaintegrada.com.br/

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Onde vocês me encontram ;)

Pessoal, quem acompanha sempre o blog sabe que volta e meia eu acabo escrevendo um pouco menos por aqui, depois volto a escrever com bastante frequência… É como a vida: momentos intensos, outros mais mornos, períodos tranquilos, outros bem locos… rsrs

Mas, atualmente, vocês podem continuar lendo meus escritos em outros canais! ❤

Agora, sou colunista do Juicy Santos, o portal mais descolado da Baixada Santista! Minha última crônica, destes sábado, foi O clássico tempo certo das coisas.

Também no portal de Mulheres Ágeis, plataforma de empoderamento feminino no qual sou uma das cofundadoras, também tem artigos meus sobre questões que impactam diretamente a vida das mulheres, além de perfis que escrevi de mulheres com histórias incríveis que são lideres em suas áreas, estão mudando o mundo pra melhor!

No impresso, dá pra conhecer algumas das minhas ideias no Jornal Gazeta do Litoral. E no LinkedIn também! Me acha lá! 😉

Lembrando que o Dia das Mães está chegando e pra essa data tão especial vocês podem encomendar uma edição do meu livro “Tem Dia Que Dói – mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo”. Quem leu se emocionou… Na loja virtual https://temdiaquedoi.lojaintegrada.com.br/ ou me chama no inbox da página de Fale Ao Mundo no Facebook, tá?

De um jeito ou de outro, eu nunca vou deixar de falar com vocês ❤ Obrigada por estarem sempre aqui ❤

Bjs,

Suzane G. Frutuoso

A educação financeira empodera as mulheres

Um dos motivos no topo da lista das mulheres que não conseguem se separar de homens que as agridem está a dependência financeira. Não ter para onde ir, não conseguir criar sozinha os filhos. Antes de apontar aquele dedo julgador, lembre que muitas estão fora do mercado de trabalho há anos. Tantas outras continuam ganhando menos do que seus pares masculinos, mesmo que executem as mesmas tarefas. Há as que estão distantes das famílias de origem. Não é simples. Mas o que importa é que a falta de dinheiro é um dos fatores que as deixam reféns da violência doméstica. São cerca de 34% das mulheres agredidas, segundo levantamento do DataSenado.

Ao mesmo tempo, quando nossas finanças estão bagunçadas, a vida bagunça. Quando nos endividamos, vem a preocupação constante e a dificuldade de se concentrar no trabalho, nas atividades cotidianas, nos relacionamentos pessoais. Não vale o desgaste, não. Mais vale aprender a se controlar, a poupar e – mágica das mágicas – investir para o dinheiro render, trabalhar para você, crescer e aparecer.

A mulher economicamente empoderada é mais forte para dar fim a relacionamentos abusivos. Tem mais poder de escolha, de decisão, pessoal e profissional. A mulher que lida bem com seus recursos financeiros tem mais conforto, segurança, capacidade de realizar os mais diversos sonhos. Viverá uma aposentadoria mais tranquila. Vivemos mais anos do que os homens, é bom não esquecer.

Então, não só guarde – pelo menos! – entre 10% e 20% do que você ganha, como estude investimentos, foque na educação financeira. A partir de R$ 30 é possível investir no Tesouro Direto, um produto de renda fixa. Em muitas cidades brasileiras esse é o preço de uma ida à manicure, gente. Dá pra fazer a unha a cada 15 dias, não toda semana, e já usar esse valor, hein?

Eu, como talvez você, não sou expert em finanças – ainda! Mas sempre fui poupadora, separando uma parte dos meus ganhos para reservas de emergência e (o que eu mais gostava) meu fundo viagem que me permitiu conhecer muitos outros países. Metade do meu primeiro salário, como professora de balé para crianças, aos 16 anos, já foi guardado. E assim se tornou um hábito até hoje, nos meus 39 anos.

Foi graças a uma reserva financeira que pedi demissão no final de 2016 para me tornar empreendedora. Fico livre da preocupação com os boletos enquanto meus negócios dão seus pequenos mas constantes passos? Não. Mas saber que tenho como me manter, mesmo mudando parte do estilo de vida, cortando gastos, me permite fôlego para as coisas se estruturarem.

A Renata Leal, minha sócia, também começou a poupar cedo, ainda adolescente, quando ajudava a mãe de uma amiga a vender cosméticos. E ela também sempre fez o fundo viagem e saímos por aí pelo mundo juntas: Nova York, Paris, Amsterdam, Bruxelas… Já nem me lembro mais a lista! Bem antes de mim, no entanto, a Rê entendeu que existiam meios de fazer o dinheiro crescer, a importância de saber investir. Com esse conhecimento ela estruturou o – modéstia à parte – excelente workshop MAG Finanças, de Mulheres Ágeis, plataforma de inspiração e capacitação para mulheres, que é um das nossas frentes de negócios.

No workshop, que realizamos tanto para pessoas físicas quanto para empresas, Renata conta o que está por trás do comportamento feminino em relação às finanças, da maneira de gastar, influências históricas e sociais e – cereja do bolo! – quais são os tipos de investimentos que existem, as vantagens e desvantagens de cada um, quais são as corretoras para começar facilmente on-line, entre outras sacadas.

No dia 14 de abril, numa manhã de sábado, teremos mais uma edição do MAG Finanças em São Paulo, dessa vez com foco em investimentos de uma maneira mais detalhada. Todas as informações aqui nesse link: https://goo.gl/vRiJVd

O empoderamento econômico feminino é uma das nossas principais bandeiras em Mulheres Ágeis. E estamos bem acompanhadas na nossa certeza. Empoderar economicamente mulheres no mundo todo é uma das metas nos próximos 5 anos do W20, o grupo de mulheres do G20 (que concentra os países que são potências).

Pense nisso. Comprar mais uma blusinha traz prazer momentâneo. Ter grana para se jogar em grandes experiências é demais.

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Vai abrir mão de uma profissional talentosa? Azar da sua empresa

Eu nunca me senti muito confortável quando chegava para trabalhar e uma pessoa do time de RH entregava uma flor ou um bombom no 8 de Março. Menos ainda quando muitos caras aproveitavam a ocasião para fazer a famigerada brincadeirinha “hoje é dia da mulher, do homem é o ano todo”. Geralmente, vinha daquele sujeito que assediava, intimidava e era inconveniente com as mulheres com quem convivia no ambiente de trabalho.

Não que eu não goste de flores e bombons. Adoro. Mas que venham de quem eu desejar. E respeito e consideração profissional devem ser estampados no holerite. Nas oportunidades iguais de ascensão profissional. Com os mesmos salários pelas mesmas tarefas e cargos – não os 75% do total do salário dos homens, segundo o IBGE e muitos outros levantamentos mundiais que calculam essa diferença entre 31% e 75%. No ano passado, a ong britânica Oxfam divulgou um relatório mostrando que a igualdade salarial entre gêneros só será alcançada em – tá sentada, miga? – 170 anos.

A mulher prova, a cada dia, que quando uma empresa a valoriza, ela também retribui com excelente trabalho, dedicação, vontade de melhorar o ambiente corporativo e lealdade. A corporação que entende que é imoral demitir após a licença-maternidade, que permite à colaboradora horários flexíveis, meio período, home office, entre outras formas de apoio para que ela equilibre carreira e o cuidado com os filhos, com a família, que paga salários justos e dá chance e incentivo para que lideranças femininas despontem, vai se dar bem. Não só reterá talentos e será desejada por tantas outras profissionais talentosas, como também verá seu lucro aumentar.

Empresas com mulheres em cargos de liderança têm 15% a mais de lucro em relação às concorrentes que não levam em conta a questão da igualdade de gênero na escolha dos gestores. O dado é de uma pesquisa do Peterson Institute for International Economics, de 2016, com base em 22 mil organizações em 91 países. Além disso, um levantamento da empresa de recrutamento Catho mostrou que existem características femininas que trazem dinamismo ao ambiente de trabalho:

-> Entregam tarefas no prazo e promovem mudanças estratégicas;
-> Vencem dificuldades e antecipam crises, mantendo as competências e lidando bem com cenários adversos;
-> São mais flexíveis diante de novas ideias;
-> Contribuem mais com sugestões;
-> Promovem a diversidade, que traz diferentes perspectivas e impactam positivamente no desenvolvimento das atividades do grupo.

Enfim, organizações com mulheres na liderança tendem a registrar melhor desempenho.

Mais um dado para não deixar ninguém em dúvida, heim? Pesquisa da multinacional Regus confirma que 57% das companhias acreditam que reter mães trabalhadoras ajuda a melhorar a produtividade. Essas profissionais são valorizadas pela experiência e transparecem maior confiabilidade e organização que outros colaboradores. Uma boa notícia num mundo em que muitas mulheres ainda levam um choque emocional quando voltam da licença-maternidade.

Divulgado em 2017, um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com 247 mil mulheres entre 25 e 35 anos, apontou que metade das que tiveram filhos perderam o emprego até dois anos depois da licença-maternidade. No segundo mês após o retorno ao trabalho, a probabilidade de demissão chega a 10%. Imagina passar toda a gravidez insegura sobre o risco de perder o emprego justamente quando o bebê está prestes a chegar?

É conquista, não festa
O Dia 8 de Março, para quem não sabe, não é uma data aleatória para celebrar a mulher – como muitos ainda pensam. Se eu estou aqui hoje, escrevendo e falando o que eu penso sobre as empresas é só porque muito antes de mim, de você, mulheres abriram passagem, pagando muitas vezes com a vida. É conquista a ser reverenciada, com respeito.

Um pouco de história para vocês, amigxs, de todos os gêneros…

Em 25 de março de 1911 cerca de 130 operárias morreram carbonizadas em um incêndio em uma fábrica têxtil em Nova York. Um marco na luta feminista no século 20. Mas desde o final do século 19, organizações femininas nascidas entre as operárias da Europa e dos Estado Unidos já protestavam contra as jornadas de trabalho de 15 horas diárias, salários de fome e trabalho infantil comum nas fábricas.

Foram 1500 americanas que fizeram o primeiro Dia Nacional da Mulher surgir, quando aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política, em maio de 1908. Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual pelos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e obter apoio para o direito ao voto universal em diversas nações.

Mas foi em 8 de março de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, quando 90 mil operárias se manifestaram contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a miséria e a participação russa na guerra – em um protesto conhecido como “Pão e Paz” – que a data se consagrou. A oficialização do Dia Internacional da Mulher veio em 1921.

Vinte anos se passaram, e em 1945 a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que para princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista cresceu, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e, em 1977, o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

No Brasil, a partir dos anos 1970 surgiram organizações que passaram a debater a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, é criado o Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo e, em 1985, a primeira Delegacia Especializada da Mulher.

Vocês podem conhecer mais detalhes sobre a data no livro As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres, de Ana Isabel Álvarez Gonzalez.

Como a gente sempre diz em Mulheres Ágeis, plataforma na qual sou uma das fundadoras (www.mulheresageis.com.br), temos muito para avançar. E se você quer saber como tornar sua empresa um exemplo em equidade de gênero e levar reflexão sobre a importância do empoderamento feminino para seu time, conheça o projeto MAG In Company (https://goo.gl/uZ9nQr). Palestras e workshops sobre o tema para impactar positivamente o ambiente corporativo com ações justas. Não é só cuidar da imagem da marca. É discurso, sim, mas para despertar consciência e virar prática.

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Nenhum extremo é válido

A balança indica: já cumpri uma das metas que estipulei pra mim mesma em 2018. Ano passado ganhei felizes dois quilos no primeiro semestre depois de dar fim a uma situação que eu não desejava mais pra minha vida. Estava mais magra do que gosto de me ver. Aí, embarquei de vez no cotidiano de empreendedora, com dois negócios pra fazer acontecer e ainda tocar uns projetos pessoais/profissionais do coração. Diminui a frequência da academia e continuei comendo a mesma quantidade. No meu caso, quando você lê “quantidade” pode pensar em muita! Eu adoro comer!

Chega o segundo semestre, e os dois quilos a mais já tinham virado seis. Dá-lhe dor no joelho esquerdo por aumento de peso, menos disposição, cansaço batendo mais fácil. Não tive dúvida. Na lista de metas do novo ano perder quatro quilos estava no meu top five. Nada a ver com desejo de alcançar padrões estéticos x y z. Era saúde mesmo. Não queria um joelho doendo, não queria me sentir cansada logo quando havia um mundo de coisas exigindo disciplina, responsa, prazo, serviço bem feito. E, não! Não queria as roupas novas apertadas!

Então, no início de janeiro, comentei com uma conhecida que perder esses quilinhos a mais era um objetivo. Fui olhada com decepção, um pouco de horror. Por que como eu, uma mulher que trabalho com mulheres, em busca de levantar a autoestima delas, tinha coragem de sair falando por aí que estava em busca de me encaixar em um padrão estético determinado pela sociedade? Como eu me rendia, assim, à ditadura da magreza com tantas mulheres sofrendo com distúrbios alimentares? Como eu era incapaz de aceitar o meu corpo?

Oi?

Por alguns segundos, achei que era brincadeira. Mas percebi rápido que ela falava sério. Uma pessoa que se diz evoluída espiritualmente (?) e é incapaz de compreender a informação que eu passava. Precisa evoluir em compreensão de mensagem também, né? Magina como deve ser a compreensão de texto?

Ela ficou brava, realmente brava comigo. Eu era um mau exemplo. Eu perpetuava o sofrimento de quem faz de tudo para emagrecer independentemente das consequências.

Pra mim, a única coisa que ela fez naquele momento foi reproduzir um discurso carregado de preconceito típico de quem não sabe defender ideias com reflexão, poderação. Sem ouvir o outro! Que tem ódio de tudo. Que mesmo que você defenda a mesma bandeira que ela, mas por caminhos diferentes, não serve, não tem valor. Ela era, enfim, contra a ditadura da magreza que, sim, traz tantos danos para mulheres em todo o mundo. Mas determinava, naquele segundo, a ditadura do “só eu tô certa e não preciso ouvir mais nada”. E pra se fazer absolutamente certa, tudo bem distorcer os meus motivos pra mostrar que eu não servia mesmo pra trabalhar com mulheres.

Nenhum extremo é válido, gente. O radicalismo, seja pra que lado e assunto for, é cego, surdo – só não é mudo porque vem acompanhado de muita besteira sendo dita. Mergulhada num universo bonito de pessoas que se dedicam a dar fim a preconceitos variados, a jogar luz sobre ignorâncias, também vejo muita gente transformando lutas importantes para a sociedade em segregação. E aí, meu bem, seu discurso não só perde força e credibilidade como também ajuda outras dores a nascerem e o mundo a piorar um pouco mais.

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Arriscar, petiscar, ser feliz

Comecinho da tarde do 31 de dezembro de 2017 e eu leio esse texto na timeline do Facebook da minha cunhada. Com o olhar sensível e o coração pronto para receber um novo tempo, ela percebeu na história de uma senhora que veio a Santos passar o Réveillon a inspiração pra fechar um ano que foi de recomeços alegres, com a certeza de que tudo chega no momento certo. Que antes é aprendizado. Pedi a ela permissão para republicar aqui no blog. Uma história bonita de esperança e postura positiva diante da vida, daquelas que atraem mais coisas boas, mais gente boa. Que ajuda a lembrar que tudo tem um lado bom. E que as oportunidades estão aí pra todo mundo. Precisa ser grato e aprender a enxergar o copo sempre mais pra cheio. Então, como ela diz aí, arriscar pra petiscar e ser feliz. 🙂

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Por Janainna Frutuoso

Agora a pouco, vindo pra casa dos meus pais, peguei o circular 30, ali na Francisco Glicério. Estava acompanhada do João, meu filhote. Junto com a gente, no mesmo ponto, subiu uma senhora, imagino que por volta dos seus 70 anos. Logo que nos sentamos, ela puxou conversa, dizendo que o ônibus tinha demorado muito. E que eu e o João tivemos sorte, pois havíamos acabado de chegar no ponto quando ele passou. Continuamos conversando e ela me pediu orientação. Disse que iria descer no Canal 5. Queria saber se estávamos longe. Expliquei pra ela o itinerário e onde deveria descer. Depois de agradecer, explicou que tinha vindo de São Paulo pra passar o Réveillon sozinha. Apesar de as filhas dizerem que “era loucura”, não desanimou. Veio mesmo assim. Na bagagem trouxe alguns chinelos, enfeitados com fitas e pedrarias. Artesanato feito por ela, pra passar o tempo. Um capricho só. Animada e motivada pelo velho ditado, que diz: “quem não arrisca, não petisca”, espera conseguir vender alguns pares na pousada em que está hospedada. Torço pra que ela consiga. Quando meu ponto chegou, e nos despedimos, pensei que tive sorte mesmo. Não por ter esperado pouco pelo ônibus. E, sim, pela oportunidade de conhecer uma pessoa tão inspiradora e cheia de vida. Desejo a vocês, amigos, que tenham um ano de 2018 tão inspirador quanto esta senhorinha, de muitas conquistas, saúde e paz. Que saibamos aproveitar as 365 novas oportunidades pra arriscar e petiscar. Sem medo de ser feliz.

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Prosperidade vem de não enxergar só a gente

Faça o bem. Porque quando se ajuda alguém o ajudado é você. Essa verdade aí está no poema que o artista Bráulio Bessa, cearense que encanta com a literatura de cordel, declamou no programa da Fátima Bernardes na semana passada (olha que linda a mensagem toda no vídeo no fim do texto).

Nos últimos dias, antes do Natal, pensei muito justamente sobre esse assunto. De como as coisas voltam pra gente quando a gente constrói pontes, não muros, nas nossas relações, na maneira como existimos na sociedade. Pra mim, tem três palavrinhas que se completam e são o melhor exemplo de como fazer para que aquilo que volta seja coisa boa: gratidão, gentileza, generosidade.

Mais do que uma hashtag da moda na foto do pôr do sol, gratidão é reconhecer quando alguém estendeu a mão a você. Quando disse que estaria ao seu lado para o que der e vier. Que te ouviu e, junto, pensou em saídas, avaliou situações. É dizer “muito obrigada” para quem não concordou, mas compreendeu suas razões, e seguiu com você. É oferecer o que tem no momento, por mais simples que seja, mesmo que um abraço apertado. Mas que demonstre que não, você não esqueceu o que fizeram por você. Olha, é até primeiro conhecer toda uma história antes de julgar, sem só comprar a ideia que lhe convém. Já parou pra pensar que um benefício ou algo que você tem hoje só foi possível porque alguém que veio antes construiu? Pois é… Agradecer (muito!) quem tornou, por exemplo, um patrimônio ou uma vida confortável possível é pra entrar na listinha de metas de 2018, heim?!

A gratidão também vem na forma de gentileza. Aquela atenção delicada numa conversa, num telefonema, mensagem que deseja o melhor sempre. De um gesto bonito, nem que seja o de bom dia dado com sorriso no rosto. Um afago. Um compromisso honrado. E gratidão, um dia, precisa aprender a virar generosidade. Assim que possível. Não quando for perfeita porque esse dia pode demorar ou nunca chegar. Não necessariamente pra ser algo material. Nada caro. Mas com valor. Para ser retribuição, a que faz a roda das coisas boas girar. Voltar.

Sabe o que acontece, então, quando ela volta? Prosperidade. Aquela que todo mundo passa o ano correndo atrás, especialmente quando se pensa em dinheiro. O que parte considerável das pessoas não entende é que prosperidade não significa a conta transbordando pela Mega da Virada. Prosperidade é criar o retorno. Criar o reconhecimento quando ajuda. Não é esperar o em troca de. Inclusive porque talvez não venha. A equação gratidão + gentileza + generosidade = prosperidade ainda precisa ser aprendida por tanta gente… É só que quanto mais corações são tocados por afeto, mais gira a roda pra melhor. Pra te indicar para um trabalho, por exemplo. Ou o seu trabalho. Ou quem interfira positivamente no seu caminho. Ou te apresente para novas pessoas que se tornarão seus novos amigos. Talvez um amor?

Prosperidade, no fim, não depende em nada dos votos que nos fazem quando mais um novo ano chegar. Menos ainda de simpatias. Depende de como nos posicionamos diante da vida. Prosperidade vem de não enxergar só a gente.

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