O que está na hora de mudar (ou passou da hora)?

Incentivada por amigas e conhecidas que disseram não à chapinha recentemente e libertaram os cachos, eu tomei coragem e libertei os meus também. Foi no último sábado. Nem lembrava como eles, os meus cachinhos, eram tão bonitos. Não lembrava nem o formatinho – grande, médio, pequeno, ondulado, fechado, mais aberto…

Simplesmente, não reconhecia a textura do meu próprio cabelo. Simplesmente porque há alguns anos eu me rendi a um padrão de beleza que exigia cabelos escorridos. Simplesmente porque eu vivia tão focada no relógio para não chegar atrasada que entendi ser uma escova progressiva a solução para não perder tempo com o cabelo logo cedo.

Cheguei a ouvir que mulher de cabelo cacheado não era considerada sofisticada e, por vezes, era vista como alguém mais displicente, menos comprometida com questões importantes como o trabalho ou relacionamentos sérios. Juro. Como me arrependo de ter ficado calada na ocasião.

Rios de dinheiro e anos depois, cá estou eu, passando de hora em hora na frente do espelho pra conferir a graça e a leveza das voltinhas dos meus fios vermelhos. Reaprendendo a arrumá-los. Pesquisando acessórios para os penteados. Mas não dá pra deixar de pensar como a gente é besta de querer tantas vezes se “encaixar”, esquecendo o valor e a beleza das nossas particularidades.

A animação com o novo visual me faz pensar também como tem hora que a gente PRECISA mudar. Ou até deixa passar da hora. E apesar de já saber que 2017 ficará marcado como um ano de grandes mudanças na minha vida, pessoais e profissionais, só me dei conta disso finalmente quando uma transformação visual veio para carimbar de vez o reconhecimento de como tratavam-se de mudanças urgentes e enriquecedoras. De uma infinidade de portas se escancarando e de pessoas especiais por elas entrando.

A gente sempre espera a virada de ano para fazer aquela lista de desejos e de novos passos que queremos dar. Por que esperar? Faz hoje. Faz agora. Faz de qualquer jeito. No computador, em um bloquinho, no caderno, em um papel solto na bolsa. Com caneta ou lápis. Só faz. Não pensa demais. Começar tudo de novo dá trabalho, sim. Mas é melhor o desafio de construir e reencontrar felicidade pelo caminho do que a certeza da zona de conforto que não traz alegrias, satisfação, tesão, sentido. Ou pior: que exige dias tão arrastados e longe do melhor que podemos ser que, assim como os cachinhos, não são reconhecidos mais com as bonitezas que podem carregar.

Pra fechar, vou recomendar que reservem sete minutinhos de vocês pra assistir essa animação chamada “Alike”. Em uma vida agitada, Copy é um pai que tenta ensinar o caminho correto a seu filho Paste. Mas… O que é correto fazer? Vale a reflexão. Para as transformações que nos ajudarão a abandonar os dias arrastados. ❤

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Mudar por fora. Mostrar por dentro

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Quando eu tinha sete anos ganhei minha primeira Barbie. Eu não lembro bem quem me deu. Acho que foi uma das minhas tias. Aquele presente foi marcante. Não simplesmente por ser uma boneca tão desejada pelas meninas. Mas porque a minha Barbie era muito mais legal do que as outras. Não era uma Barbie festa, com vestido de princesa, não. Nada disso! A minha era pilota de corrida! Vinha de macacão, carregava um capacete e… era ruiva. Enquanto todas as Barbies das minhas amigas eram loiras, a que me pertencia tinha cabelos de fogo e personalidade diferente. Me encantei.

Tantos anos depois, cá estou eu, ruiva. Sem dirigir, é verdade – muito menos carro de corrida. Praticamente, porém, com a mesma sensação de encantamento quando olho a cor dos meus cabelos no espelho. Me perdoem o narcisismo. Mas completando um mês hoje de ruivice, sinto que mudar o tom das madeixas foi muito mais significativo do que eu imaginava. Serviu pra marcar o fim de um período tenso e intenso de mais de um ano. Serviu pra expressar ao mundo aquilo que eu sinto como sendo quem sou. Além de me tornar ponto de referência: “Onde?”; “Ali, do lado da menina ruiva.”

Fios vermelhos, diz pesquisa no Google (com respaldo de uma amiga psicóloga, que eu fui dar uma perguntada), indica modernidade, independência, obstinação, temperamento forte, segurança, determinação, certeza do que se quer. E impõe um curioso respeito. Já tinha percebido algo nessa direção quando tive uma professora ruiva no mestrado. Baixinha (não deve alcançar nem 1,60m de altura), a presença dela era absolutamente marcante. A gente até prestava mais atenção. E, claro, ela é ruivíssima.

Não significa que ser ruiva espante as fraquezas, as tristezas, as incertezas, as preocupações. Afinal, sou ruiva, mas continuo sendo bem humana e cheia de defeitos. Os cabelos vermelhos, no entanto, me ajudam a lembrar que dentro de mim permanecem as características que preciso pra seguir em frente, não importa quão difícil seja o momento. Me recorda que, sim, eu posso ser bem forte.

Me descobrir uma ruiva inconsciente desde sempre (e agora de fato) me fez parar pra pensar como às vezes precisamos de um empurrão exterior pra mostrar aquilo que vai na alma, no coração, no pensamento. Mudar por fora e vir à tona o que está lá dentro. Tem quem faça isso com um novo corte de cabelo. Deixando a barba crescer. Outros, numa diferente maneira de se vestir. Até de se maquiar. Só não pode ser uma coisa fake. Não pode querer representar aquilo que não é só pra se “encaixar”. Acho grave quando a mudança exterior é pra manter, por exemplo, um status sem ser de fato a representação dos sentimentos, das crenças, dos desejos sinceros. A pessoa corre o risco de deixar de se reconhecer, de saber quem ela é e cair numa crise de identidade. É achismo meu. Nada científico. Mas não sei… Repara se não é assim.

Junto com o tom avermelhado do cabelo também decidi começar a pintar as unhas em cores além do vinho, do ameixa e do rosa claro, até então minhas opções constantes. Ando apaixonada pelo laranja. Hoje estou com um esmalte azul escuro. É como quando você escolhe a roupa, de acordo com o estado de espírito. E sempre achei que cor, no jeito de vestir, de se enfeitar, de decorar a casa, traz movimento e alegria pra vida. Ver coloridos intensos emoldurando meu rosto e destacando minhas unhas, no fim, tem me ajudando não só a expressar minha identidade, mas a encontrar meu lugar no mundo. E, por que não, a enfrentá-lo.

Crédito da imagem: Suzane G. Frutuoso