Para um novo ano, construa um novo eu

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Toda virada de ano a gente promete: vai ser diferente.

Vamos ser melhores. Vamos acertar mais. Vamos nos dedicar ao que realmente tem valor, focar em projetos pessoais e profissionais que nos farão mais felizes. Passaremos tempo de qualidade com quem amamos e… já quebramos as promessas. Lembrando que hoje ainda é dia 5 de janeiro!

A mudança, é verdade, não é um processo fácil e rápido. Antes dos passos que de fato levam à transformação vem a conscientização de que do jeito que tá não dá. Não tá bom, não tá feliz. O problema é que muitas vezes esperamos as insatisfações chegarem ao limite (ou ir além dele) para só então agir. Pode ser pior também: carregar a vida sem coragem de correr mesmo atrás do sonho, dos tais dias melhores.

Não adianta ter se vestido todo(a) de branco no Réveillon para ficar em paz e insistir em comportamentos que despertam angústia, em si mesmo e em quem nos cerca; que levem à guerra e não ao entendimento.

A blusa rosa não tem efeito algum se não há respeito, admiração e companheirismo em uma relação, que é o que faz o amor ser real e se renovar a cada dia. Se quem deseja iniciar uma relação não descola de atitudes egoístas, narcisistas, irresponsáveis e incapazes de criar laços sinceros e fortes de afeto.

O azul só permite saúde pra quem cuida do corpo, da alma e da mente. Pra quem não deixa a promessa de uma reeducação alimentar ser quebrada pela promoção de chocotone (essa é mesmo um desafio, eu sei… rsrs…); pra quem para de arrumar desculpas de não ter tempo, dinheiro e lugar, mesmo sabendo que 30 minutos de caminhada três vezes por semana já traz disposição e ajuda na perda de peso. Enfim, pra quem levanta a bunda do sofá e se mexe, pra quem mantém cardápio em equilíbrio, pra quem dedica algumas horas necessárias ao autoconhecimento – e não bobeia na bateria de exames anuais.

E não tem calcinha/cueca amarela que dê jeito na falta de dinheiro, de prosperidade, se não há determinação pra fazer um trabalho cada vez mais bem feito; se cada horário de almoço só serve para reclamar com os colegas (esse tempo tão mal gasto é o ideal para alimentar seu networking e cair fora do atual emprego – ou você gosta mesmo é de reclamar?); se o salário é torrado todo mês e nada é poupado para emergências e, justamente, para te dar margem de segurança na hora que provocar transformações significativas na vida.

Não basta. Cores das roupas são simbólicas. Sua vida ganhará um colorido especial de verdade quando você quiser sair dos dias cinzas que criou pra si mesmo. Para um novo ano, construa um novo eu. 2017 tem tudo pra ser especial. Mas cada um precisa fazer sua parte.

Crédito da imagem: site Elegante Sempre

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Como anda o coração feminino

Pessoal, nesse link abaixo está uma reportagem que escrevi para a Revista Cláudia, do mês de dezembro. Fiquei muito feliz ao saber essa semana que a matéria está concorrendo ao Prêmio Abril de Jornalismo:

http://issuu.com/paj2012/docs/paj2014_mc_saudefitnessesporte_clau?e=4648746%2F7086338

Coloco aqui o link pra vocês porque tem informações importantes sobre doenças cardiovasculares em mulheres. Mostra como a mulherada não identifica uma série de fatores de risco, ainda acredita que infarto acomete mais os homens (nada disso!) e não sabe identificar os sintomas de uma problema cardíaco (que pode se manifestar de maneira diferente do modo que se manifesta no sexo masculino).

E, sim, emoções, sentimentos negativos e estresse também afetam a saúde do coração feminino, que anda em perigo. Espero que gostem e que ajude a todas nós. 😉

Além de educação, aprender a pensar

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Uma vez uma pessoa me perguntou se, caso eu pudesse definir verbas de governos, para qual área destinaria mais recursos: saúde ou educação? Acredito de verdade que saúde é a coisa mais importante na vida. Com ela, a gente corre atrás do resto. Mas sem educação, uma das muitas consequências é, inclusive, não saber cuidar da saúde.

Na ocasião, então, minha resposta foi educação. E minha convicção só aumenta. Com uma ressalva importante – não me interessa apenas a educação formal para todos que é incapaz de levar o sujeito a refletir. A clássica decoreba pra passar de ano vem perdendo força no ensino e dando lugar à reflexão. É o que forma cidadãos questionadores, conscientes de seus direitos, deveres, limites e liberdades. Mas essa é uma realidade nas escolas particulares de elite. Aparece muito pouco nas redes públicas.

Enfim, há avanços, cujos resultados demorarão algum tempo pra aparecer. E ainda não dá pra saber se de fato essa educação “pensadora” vai se expandir para todas as classes. Mantenhamos o otimismo. Enquanto isso, é de chorar o tanto de opinião destrambelhada que a gente ouve por aí. Eis um dos ganhos que as redes sociais trouxeram: escancarar o quanto somos despreparados e ignorantes.

Não falo aqui de gente que não teve a chance de estudar, não. Tô falando de gente que frequentou bons colégios, gente pós-graduada, viajada. Mas que, apesar dos diplomas, não consegue fazer uma observação “fora da caixa”. Só enxerga o mundo por uma ótica simplista demais, não faz conexões da realidade, de como uma situação puxa a outra. Por exemplo, que violência tá sim ligada aos padrões de uma sociedade consumista, que dá tanto valor e julga pela aparência e por questões materiais. A arma na cara na hora do roubo é impulsionada por desejos e instintos alimentados pela desigualdade.

Em ano de eleição (e não só de Copa!), me impressiona quanto ainda as pessoas não têm a menor ideia de como funciona a divisão das responsabilidades de governos municipais, estaduais e federal. Falam mal da presidente por um problema que é municipal. Xingam o prefeito por uma questão estadual. Detonam o governador que não pode se meter numa determinação federal. E esquecem completamente a poderosa força de deputados e senadores e como eles dão as cartas no jogo.

Taí algo que nem de longe aparece na educação do brasileiro: política. Especialmente de uns cinco anos pra cá, surgiu uma enorme preocupação com educação financeira nas escolas. É mesmo essencial. Quem sabe lidar com dinheiro não se endivida, se mantém em segurança, ganha a chance de realizar sonhos e ter uma vida mais tranquila. Mas conhecer política é ter nas mãos a oportunidade de decidir melhor pra onde caminhará nosso país e saber de quem cobrar os erros.

Por fim, era bom que nossa educação nos ensinasse também a avaliar situações com generosidade. Nos últimos dias choveu no Facebook posts sobre todos os motivos pra ser contra o Bolsa Família, dizendo que tem gente que se aproveita do benefício pra levar vida mansa. Numa nação corrupta (lembrando que é corrupta porque nós também somos no cotidiano) é claro que alguém vai se aproveitar. Não significa ser a regra.

Pesquisa indicam, por exemplo, o empoderamento de mulheres que recebem o benefício. Menos dependentes financeiramente, elas puderam colocar pra fora de casa homens que as espancavam e exigiam que os filhos trabalhassem ou mendigassem ao invés de estudarem. Como a gente é preconceituoso demais, também tem o outro triste lado. Um levantamento da Organização Internacional do Trabalho diz que essas mesmas mulheres são vistas no mercado de trabalho como preguiçosas. É, no mínimo, injusto e generalista. É a tal ótica simplista.

Preguiçoso é quem tá com a faca e o queijo na mão desde sempre, teve todas as oportunidades, mas não se dá ao trabalho de estudar, analisar, debater e buscar informações coerentes pra fazer escolhas mais conscientes e uma sociedade menos doente. Ativismo de Facebook tem pouca valia se você não sabe (e nem quer) compreender como fazer a sua parte de verdade.

Crédito da imagem: Creative Commons

Vem, 2014!! :)

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Último dia, heim?! Aquele, que renovamos as esperanças, pensamos em tudo o que vivemos nos últimos 12 meses, avaliamos, agradecemos… Que bom que chegamos aqui, mais um 31 de dezembro. Eu sei, a gente andou cortando um dobrado vez por outra em 2013… Mas, agora, é o 31. Vencemos.

Dizem que alguns ciclos se fecham na virada do ano e novas perspectivas se abrem. Na verdade, a maior parte das coisas só continua em processo mesmo. Mas o dia de hoje pode ser simbólico pra realmente se deixar algumas situações e dores para trás. Feche ciclos no seu coração e o deixe receptivo para as boas surpresas da vida. Pensa bem… Quantas foram as vezes que você achou que nada mudaria e o melhor aconteceu? As alegrias sempre estão pelo nosso caminho. Sempre.

Para os festeiros, aproveitem com a alegria e cuidado a celebração. Aos que estarão mais recolhidos (meu caso, pra compensar o enfiar de pé na jaca que foi o Réveillon anterior), nada de deixar lembranças difíceis abaterem. Foco nas recordações felizes e na organização da ceia! A todos, peço paciência e amor acima de tudo, evitando discussões e a tal história de querer dar a última palavra. Hoje não é dia de dizer aquelas verdades que a gente sempre pode deixar pra lá. Abrace. Beije. Chore de emoção pra limpar a alma.

Se por algum motivo ou imprevisto você estiver só na hora da virada, não se acanhe. Celebre como o merecedor que é. Prepare a mesa com a toalha mais bonita que tiver. Faça um arranjo com flores ou posicione um vasinho que já tenha. Velas. Eu as acho indispensáveis. Cozinhe algo bem gostoso pra si mesmo. Abra um espumante. Brinde à vida e a tudo que ela ainda te reserva. Nem acho que roupa precisa ser nova, não. Vou passar com uma blusa de paetês em tons de rosa, lilás, umas pitadinhas de azul e laranja – emprestada da minha mãe. Vista algo que agrade a seus olhos diante do espelho. Branco total não é comigo. Gosto de cor, assim como acho que a vida tem que ser colorida.

E, especialmente, quando o relógio indicar que mais um ano nasce, tenha bons pensamentos. Agradeça. Pelas horas boas, que encantaram seus dias, e pelos desafios, que te tornaram mais forte. Desejo pra todos vocês um novo ano de saúde, principalmente. É com saúde em dia, física e emocional, que corremos atrás do resto. Para as horas difíceis que são inevitáveis, desejo serenidade, resiliência e bravura. No mais, sorriso no rosto, fé (no que cada um acreditar), gratidão e generosidade, pra expandir correntes virtuosas e valiosas.

Que nosso mundo aprenda a ser mais tolerante também. Que todas as pessoas, de todos os povos, possam viver com dignidade.

Feliz 2014, queridos!!

Tomar sol, pé no mar

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Dizem que mãe sabe tudo. Sente tudo. Não sou mãe. Então, não sei – nada?! Mas tenho uma mãe inteligente, que me ensinou o valor do estudo, do conhecimento, sem esquecer de me ajudar a enxergar soluções práticas nas ações bem simples. Tomar sol e colocar o pé no mar foram remédios maternos pra uma variedade de problemas na minha vida.

Exemplo 1:
– Tô cansada, mãe…
– Vai tomar sol! Andar na praia!

Exemplo 2:
– Mãe, acho que tô ficando gripada.
– Toma sol. Se o mar não estiver gelado, caminha um pouco na beira d’água. Mas leva um camiseta pra não pegar friagem.

Exemplo 3:
– Ai, mãe, tô tão triste… (lágrimas)…
– Filha… Vai tomar um solzinho, vai… Bota o pé na água do mar, faz uma oração e deixa a energia ruim ir embora.

Exemplo 4:
– Tô ansiosa, mãe! Não consigo parar de pensar nisso!
– Para! Vai andar na praia e sentir o sol pra relaxar. Mas para!

E não é que, segundo pesquisadores, ela sempre teve toda a razão? A ciência já mostrou que os benefícios da luz solar são enormes. Um deles, o mais conhecido, é a produção de vitamina D no organismo, substância que ajuda num montão de coisa: prevenção de vários tipos de câncer, de doenças cardíacas, no fortalecimento do sistema imunológico (o que evita, por exemplo, gripes e resfriados) e dos ossos.

Até as funções cognitivas ficam comprometidas quando a exposição ao sol não é suficiente. Os bronzeados têm os neurônios mais protegidos, o que retarda o aparecimento de males como Alzheimer ou falhas de memória.

Andar na praia tem efeito calmante. Relaxa, desestressa, desacelera. No quesito estética, a caminhada na areia exige maior desempenho muscular, cria resistência. E melhora uns tantos indicadores de saúde: mantém peso em equilíbrio, diminui taxas como as do colesterol e de diabetes, traz mais disposição física, entre outros benefícios.

Claro, como tudo em excesso, sol demais e sem protetor solar causa câncer de pele e envelhecimento precoce. Um mar poluído, contaminado, pode levar ao aparecimento de doenças de pele. Mas com cuidado e informação é possível aproveitar só o lado bom.

Nos últimos dias provei tanto a máxima da minha mãe (tomar sol, pé no mar) quanto as conclusões dos cientistas. Me sinto mais disposta do que há algumas semanas, desacelerei preocupações e pensamentos. Na verdade, coloquei em prática uma outra função da dupla sol/mar que descobri ao longo de tantas andanças na praia. A de decidir.

Quando fico em dúvida, tenho uma decisão a tomar, é com a água salgada cobrindo o tornozelo, o sol batendo nas costas e os olhos fixos no oceano que eu defino que rumo seguir. Há 34 anos. A julgar pelo que vivi até aqui, no balanço de prós e contras, deu certo. Mais uma vez, sei o que fazer. Certeza absoluta? Jamais. Nada nunca é 100% certeza. Sei, porém, qual o próximo passo. O que acabou e o que vai adiante. O que não merece mais esforço e em que colocar energia. Vem, volta, leva, se desfaz de vez, refaz o novo com força. Como movimento de onda do mar.

Crédito da imagem: Suzane G. Frutuoso

Orenda!!!

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A gente é bom pra se reunir em dia de jogo de Copa do Mundo e vestir a camisa da Seleção. A gente é bom pra se reunir na hora de brincar o Carnaval e usar fantasia. E eu espero que a gente continue fazendo tudo isso com o entusiasmo que nos é peculiar. Mas hoje pode ser o dia que a gente se reuniu também pra mostrar que não é só por R$ 0,20, não. Que R$ 0,20 foi a gota d’água que faltava pra mover um mar de pessoas inconformadas com transporte público ineficiente, saúde precária, educação fraca, impostos altos que não se revertem em benefícios, corrupção, entre outros problemas que o brasileiro enfrenta há décadas. Incluímos aí a violência, a falta de segurança. E a ação daqueles que deveriam ser agentes de proteção e optam pela brutalidade.

Em iroquês (língua dos índios iroqueses, de origem norte-americana), a palavra “orenda” é a magia, o poder místico, o desejo humano. Não há nada na natureza que não tenha “orenda”. Não há pessoa que não tenha “orenda”. É a força presente em todos nós, que nos capacita a afetar o mundo ou efetuar mudança em nossas vidas. Eu não conhecia essa palavra. Descobri ontem graças à imagem que vocês estão vendo aí acima do post. Fui pesquisar e achei demais! Perfeita para o dia de hoje!

Como as manifestações ganharam um novo caráter, duvido que você não se sinta atingido de alguma maneira por um dos motivos pelos quais se protestam agora. Nossa inércia até o momento só serviu pra reclamarmos da vida no corredor do escritório, na mesa do bar, no almoço de domingo. Quando uma população inteira entra no movimento é mais difícil os governantes (e os reaças de plantão) questionarem e classificarem milhares de pessoas de baderneiras.

Então, quem puder ir pra rua hoje, vai! Sem violência e vandalismo, focando na força maior que temos juntos pra melhorar a sociedade. Sei que muita gente tem medo de participar dos protestos. E é legítimo. Eu tenho um pouco, mas vou. Mas quem realmente teme pode se vestir de branco durante o dia ou amarrar um lenço branco na janela de casa, na antena do carro. É pra marcar posição! É pra mostrar a quem tá no poder que se continuar fazendo tudo do jeito que bem entende, sem consultar a população e repassando a ela apenas o ônus social, a gente vai gritar, sim.

Vai, Brasil! Me dá essa alegria?

Abaixo, como você pode se manifestar neste 17 de junho de 2013. Também coloco um texto sobre orientações jurídicas que está na página do Facebook do Movimento Passe Livre pra quem for participar das manifestações. Chamo a atenção para o último parágrafo do texto: “E lembrem-se: uma luta séria, sem violência, sem destruição de patrimônio público, nos dá mais força. FORTALECE O MOVIMENTO. Não seja violento, para não legitimar a violência policial.”

Orenda!!!

– Quinto grande ato contra o aumento das passagens: concentração no Largo da Batata, aqui em São Paulo, às 17h. Leve seu smartphone ou câmera fotográfica pra registrar desde a beleza do movimento até qualquer tipo de abuso da polícia
– #vemprajanela: amarre um lenço/fronha/toalha/pano de prato, qualquer tecido branco, na sua janela hoje. Se não puder sair às ruas, vem pra janela!!
– Segunda-feira Branca/White Monday: vista-se de branco. Pode ser só a camiseta/camisa/blusa. Mas marque seu protesto com a cor da paz

ORIENTAÇÕES JURÍDICAS PARA QUEM FOR NA MANIFESTAÇÃO:

1. A polícia PODE te deter, por alguns minutos, para “averiguação”. Ou seja, para verificar se você está carregando bombas, armas, drogas, etc. A polícia NÃO PODE te prender para averiguação, te jogar em um camburão, e te levar para a delegacia;

2. Se você for pego cometendo algum crime (independente das razões para isso), você poderá ser preso. Se você estiver portando drogas, bombas, armas, ou estiver depredando o patrimônio público, a polícia PODE te prender e te levar para a delegacia;

3. Você tem o direito de permanecer calado diante de qualquer pergunta, de qualquer autoridade. Você também tem direito, na delegacia, de contar com o auxílio de um advogado. Se você for preso, levado para a delegacia, e quiserem tomar o seu depoimento, EXIJA um advogado presente. Se não permitirem a presença de um, dê como declaração o seguinte: “PERMANECEREI EM SILÊNCIO, PORQUE ME FOI NEGADO O DIREITO DE TER UM ADVOGADO ACOMPANHANDO ESTE ATO”. Isso tem que ficar documentado no papel. Se o delegado ou o agente da polícia civil se negar a colocar isso no papel, NÃO ASSINE NADA!

4. Na delegacia, LEIA TUDO ANTES DE ASSINAR! Se o que estiver escrito não for a realidade, ou se você não disse alguma coisa que está escrita, NÃO ASSINE;

5. Se você for preso, não adianta discutir com o policial. Não reaja. Anote o nome de todos. Grave-os na sua memória. Se você vir alguém sendo preso, FILME! E, se souber o nome de quem está sendo preso, colete outros nomes ao redor, com telefone para contato, que poderão no futuro servir de testemunhas. Após, entre em contato com a pessoa que foi presa e repasse as informações.

6. Qualquer revista da polícia, em você ou em mochilas, DEVE SER FEITA NA PRESENÇA DE TODOS. A polícia NÃO PODE pegar a sua mochila e ir verificá-la longe dos olhos de todos.

7. Se você estiver machucado, EXIJA ATENDIMENTO MÉDICO IMEDIATO, mesmo antes de ir para a delegacia. A sua saúde deve ser mais importante do que a sua prisão.

8. Alguém foi preso ou está precisando de auxílio de algum advogado, entre em contato pela página “Habeas Corpus Movimento Passe Livre Manifestação 17/6”. Já somos mais de 4000 dispostos a te ajudar, gratuitamente.

9. E o mais importante: viu alguém sofrendo qualquer tipo de abuso? FILME! A polícia levou a mochila para revistar, sem o acompanhamento de ninguém? FILME! Viu alguém sendo preso por portar coisas legais, como vinagre ou máscaras, FILME! Anote o nome dos policiais que abusarem. Se ele não estiver portando alguma identificação, TIRE UMA FOTO! Depois buscaremos, com esses dados e com essas provas, a responsabilização do Estado e do policial que cometer os abusos.

E lembrem-se: uma luta séria, sem violência, sem destruição de patrimônio público, nos dá mais força. FORTALECE O MOVIMENTO. Não seja violento, para não legitimar a violência policial

Garotas, cuidem-se. Saúde vem antes de vaidade

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Corpo em cima, unhas feitas, cabelos sedosos, pele com o mínimo de sinais do tempo, e por aí vai. Ser vaidosa (sem exageros e neuroses) é saudável e desejável. Mas eu ando meio preocupada com a mulherada… Vejo umas tantas amigas e conhecidas minhas em busca de uma aparência bonita. Muitas delas, porém, cuidam tanto do lado de fora que esquecem de como anda o organismo em geral. Não passam seis meses sem a visita ao dermatologista. Passam até anos sem a consulta com o ginecologista – e isso é grave.

Observei quantas meninas compartilharam nas redes sociais a notícia sobre a atriz Angelina Jolie, que se submeteu a uma dupla mastectomia, a retirada das mamas para evitar um câncer. O lado bom é que chamou a atenção para o tema. O lado ruim é saber que ainda é necessário uma celebridade do porte de Angelina tomar uma atitude assim para as pessoas se interessarem. E só talvez se cuidarem de fato. O caso da atriz, como destacou a mídia semana passada, é raro. A cirurgia foi preventiva e é realizada apenas quando o risco de câncer é altíssimo. A possibilidade de Angelina desenvolver a doença caiu de 87% para 5%. Mas milhares de mulheres mundo afora enfrentam um câncer, simplesmente, porque não se preocuparam com exames básicos como deveriam. Nem mesmo estavam em grupos de alto risco.

Aí, o que era cura certa pode se transformar num problema grave. Às vezes, um pequeno nódulo no seio, por exemplo, pode dobrar de tamanho em dois anos e exigir um tratamento difícil, sofrido. Um apenas incômodo corrimento vaginal pode levar a uma séria infecção. E quantas de nós continuam sem compreender que após iniciada a vida sexual o teste papanicolau, capaz de detectar o risco de câncer de colo de útero, é indispensável?

Não estou falando de mulheres desinformadas, não. Nunca esqueço a bronca que dei numa amiga que só se submeteu pela primeira vez a uma série de exames ginecológicos já quase com 30 anos, meses antes de se casar. Moça pós-graduada. Minhas amigas de 20 e poucos anos dizem que esquecem a época certa das consultas. Minhas amigas de 30 e poucos anos dizem que andam sem tempo, estão trabalhando muito, a vida tá corrida – aquela ladainha. Em determinada ocasião, tentei a duras penas convencer minha manicure de que ela deveria sim marcar no laboratório o ultrassom transvaginal, conforme pedido médico. A recusa em relação ao procedimento, disse ela, era porque não se sentiria bem em saber que alguma coisa foi colocada lá dentro. “Naquele lugar? E se meu marido desconfiar de mim, achar que andei com outro homem?” Eu insisti que aquilo era uma bobagem, impossível. Não adiantou.

Preconceitos ou a clássica ideia do “comigo não vai acontecer” são perigosos demais quando se trata de saúde. Me espanta que, com tanto conhecimento disponível, tanta tecnologia, os tabus ainda estejam tão presentes.

Talvez seja porque minha avó materna tenha morrido de um câncer que começou na mama. Ou porque escrevi sobre saúde durante um bom tempo como jornalista (e acabei aprendendo muita coisa). Ou porque minha mãe também sempre foi atenta à saúde dela e tive esse comportamento como exemplo. Mas não consigo imaginar um ano da minha vida sem uma bateria de exames. Não tem nada a ver com hipocondria. Aliás, até onde posso, evito ao máximo tomar remédio. Sei, no entanto, que algumas patologias são silenciosas. Dos exames anuais não abro mão. São eles que indicam que algo vai mal – ou justamente se você pode ficar em paz, com tudo indo bem.

Garotas, cuidem-se. Não falo aqui do esmalte da moda. Nem do cosmético que vai descamar seu rosto até o espelho te garantir que você aparenta dez anos a menos. De novo, com parcimônia, vaidade é super válida. Mas a saúde vem antes. Beleza nenhuma vale tanto a pena se uma patologia limitar o que realmente importa: disposição para aproveitar cada minuto dos seus dias na companhia daqueles que você ama.

Crédito da imagem: Amedeo Modigliane (Cultura Inquieta)