Empoderamento? Feminismo? Ainda vamos falar muito sobre isso – e queremos mais rapazes na conversa

Eu preferiria não falar sobre empoderamento feminino em 2018. De verdade. Preferiria saber que mulheres já ganham os mesmos salários pelas mesmas tarefas que os homens (não cerca de 76% do total), que não são mais vítimas de violência doméstica, física e emocional, que não têm o emprego em risco ao retornarem de licença-maternidade ou que meninas não estão sendo criadas para acreditar que algumas coisas não são para o bico delas (da infância à juventude, a autoestima das meninas cai três vezes em relação a dos meninos). Que não somos mais intimidadas em situações de assédio ou mesmo inferiorizadas caso a gente decida ser dona de casa e criar os filhos. Ou não ser dona de casa e não ter filhos.

Vem terminando o primeiro mês deste novo ano e tudo isso que citei continua acontecendo. Se não comigo, se não com você ou com uma mulher com quem você convive, com milhares de mulheres no Brasil e no mundo, de diferentes realidades e classes sociais. Não consigo viver ajeitando aqui o meu mundinho particular, com a certeza de que tenho voz e atitude para me defender se necessário de situações em que eu seja desrespeitada, e não dar a mínima para padrões nocivos da sociedade que fazem das mulheres reféns de agressões, dor, menos oportunidades.

De comportamentos que, mesmo que uma mulher acredite que não é com ela, um dia será com ela. Na vida pessoal, no trabalho, na rua. Não se trata de vitimismo, de tornar o feminino uma condição de eterna vulnerabilidade. Se trata de um cenário que para muitas de nós é, simplesmente, cruel. Onde há medo. Onde há morte. Ouvi recentemente de uma mulher que ela nunca foi assediada porque sabia se impor. Que bom. Mas esqueceu que 1) as pessoas são diferentes, com personalidades diferentes, com maior ou menor grau de segurança para reagir; 2) ninguém deve ser obrigada a se impor para não ser molestada ou agredida.

Empatia, por favor, gente. Não adianta pedir pela paz mundial e não ser capaz de se colocar no lugar do outro, de compreender os impactos negativos que nosso egocentrismo causa.

Com o fim deste janeiro, no dia 30 de ontem, veio também o aniversário oficial de um ano da plataforma Mulheres Ágeis (www.mulheresageis.com.br), que fundei com minha amiga e sócia, Renata Leal. Mais de 3 mil pessoas foram impactadas pelo nosso trabalho em 2017, entre eventos e redes sociais.

Mulheres Ágeis nasceu para contar histórias de mulheres inspiradoras e líderes em suas áreas, que são exemplos lindos para todas nós; e para criarmos workshops de desenvolvimento pessoal e profissional só para mulheres – sim, grupos de conhecimento e troca nos quais apenas elas entram. Decisão tomada após uma pesquisa on-line que realizamos em agosto de 2016, quando a ideia nascia, e mais de 500 mulheres responderam em menos de uma semana, entre outras questões, que adorariam cursos voltados especificamente ao público feminino.

A experiência mostrou que Renata e eu não estávamos erradas na escolha: num ambiente em que elas se sintam acolhidas e não julgadas, abrem o coração, se reconhecem nas histórias das outras, saem fortalecidas e com mais informações que permitem se não mudar de vez o que não querem mais, ao menos pensar sobre o assunto. Foram encontros ricos, gratificantes e poderosos, com reflexões, exercícios, boas risadas, lágrimas, amizades que se formaram, negócios que foram fechados. Apoio. O “não estou sozinha”. O “eu vou conseguir”.

Que venha o masculino
Além do site e dos workshops, criamos também o seminário O Impacto das Mulheres: onde chegamos e o que falta conquistar. O objetivo é debater o empoderamento feminino, o feminismo e as questões que impactam a vida não só das mulheres, mas também dos homens. Foram cinco edições em 2017, duas em São Paulo, uma em Santos, uma no Rio de Janeiro e a última em Campinas. Sempre gratuito e aberto ao público em geral, para pessoas de todos os gêneros.

Sempre tinha um rapaz. Poucos. Bem poucos. Mas tinha. Desde o começo de Mulheres Ágeis, recebemos apoio de muitos amigos e conhecidos. Eles entendiam quando a gente explicava sobre os workshops serem apenas para o público feminino, compreendiam o sentido.

Caras legais (e enquanto escrevo isso consigo lembrar de logo uns dez), que sabem bem quanto dividir igualmente tarefas de casa e educação dos filhos melhora os relacionamentos e que encorajar meninas a serem tudo o que desejarem e meninos a serem mais afetivos os tornará adultos mais felizes. Que promover mulheres torna suas empresas mais eficientes e lucrativas e oferecer alternativas na volta da licença-maternidade (home office, meio período por alguns meses) permite que elas cresçam na carreira mantendo o equilíbrio com a maternidade. Segura grandes talentos.

Caras legais que estão cansados de ouvir coisas como “onde está sua mulher?” quando avisam o chefe sobre sair mais cedo para a reunião de pais da escola ou para levar os filhos ao médico. Que não desejam mais carregar a obrigação de provedor e também querem tempo com os filhos; esperam que licença seja parental (com mesmo período da licença-maternidade e não a cinco dias da atual licença-paternidade).

Caras legais que, agora, dizem: “por favor, ajuda a gente a explicar para os outros caras, mostrar que é importante?”

Muitos homens ainda não conseguem entender completamente os nossos motivos. Mas já se sentem desconfortáveis com as reflexões que vieram à tona. Perceberam que carregaram ou carregam comportamentos que prejudicam as mulheres. Esse desconforto, alguns deles me disseram, os torna abertos a ouvir.

Então, quando em setembro de 2017, Rê e eu definimos o planejamento de Mulheres Ágeis deste ano, resolvemos que sim, era hora de trazer mais rapazes para a conversa, juntar forças. Para que eles conheçam nossas histórias e para que internalizem quanto a ideia ainda prevalente de uma educação em que a masculinidade é agressiva piora seus relacionamentos e suas próprias vidas.

Ainda precisamos desses momentos sozinhas, como nos workshops. Mas não podemos ficar falando sozinhas, sem que a outra parte tão fundamental das nossas relações entenda, aprenda e repasse esse aprendizado. Porque empoderamento feminino é sobre todos nós. É sobre mais do feminino na sociedade, que todos nós temos – sensibilidade, empatia, colaboração, intuição, cuidado. É sobre empoderar, que significa conceder poder de conscientização a si próprio e a outras pessoas, e não apoderar (tomar o poder, dominar alguém ou uma situação).

E vai ter feminismo
Feminismo não tem nada a ver com ser desse ou daquele partido político, odiar os homens, ser mal resolvida ou exigir o fim da liberdade sexual. Na real, é o contrário de tudo isso e muito mais. O feminismo só existe porque tivemos que aprender a nos defender de um preconceito violento, o machismo. E não, não são termos contrários. O feminismo é inclusivo e fala de uma sociedade mais equilibrada para todos nós, na qual as pessoas se realizam de diferentes maneiras e sem padrões limitantes estabelecidos.

Quem quer casar, casa. Quem não quer, não casa. Uns querem ter filhos e outros não. Mulheres podem ser CEOs de empresas, homens podem ser donos de casa. E, sim! Claro! Homens podem continuar CEOs de empresas e mulheres donas de casa! Mulheres podem ser empreendedoras e homens não precisam se ver obrigados a perseguir cargos de liderança para provar masculinidade se assim não desejarem. Entendem? Menos padrão, mais coração. E tudo com respeito, tratando o outro como se espera ser tratado.

O feminismo prova que quando um casal ganha salários semelhantes, eles desfrutam de uma vida mais confortável, segura. Quando dividem as tarefas de casa igualmente, os relacionamentos ganham mais tranquilidade, menos estresse. Há uma valorização do parceiro, do companheirismo.

E se eu ainda não convenci você: o machismo mata. O Brasil está num vergonhoso quinto lugar em taxas de feminicídio no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde e o Mapa da Violência de 2015. As mulheres negras são ainda mais afetadas por esse tipo de homicídio doloso, com aumento de 54% no número de mortes entre elas entre 2003 e 2013.

Por isso que quando alguém diz que movimentos como o #MeToo são um completo exagero, epa, epa, epa! Mais respeito com quem teve coragem de escancarar a própria ferida e se mobiliza para que assédios sexuais, estupros, agressões não continuem afetando mulheres ao redor do mundo. Não sejam a regra em muitas indústrias, mercados, escritórios, estúdios de cinema, salas de aula, chãos de fábrica e por aí vai.

Você sabe o que é, por exemplo, se certificar de não ficar sozinha no horário de almoço no mesmo ambiente que um cara que tem as costas quentes na empresa? Porque sabe que, assim que ele tiver a chance, vai te encurralar no corredor, falando bobagens pra você, colocando a mão na sua cintura, descendo no quadril, sem autorização? E depois ter que aguentar uma reunião em que o mesmo sujeito está presente e você nem conseguir se concentrar porque ele te encara, com raiva, pelo fora que levou?

Eu sei o que é isso. É pouco perto de situações que outras mulheres enfrentaram. Mas eu tinha 20 e poucos anos e, sem dúvida, atrapalhava meu trabalho, meu desempenho.

“Ah, mas um monte de mulheres começou a falar que sofreu assédio só porque outras falaram”. Lógico! Quando você não se vê sozinha, reflete sobre uma situação tão constrangedora, desagradável ou mesmo violenta que enfrentou, que entende que aquilo fez mal pra você e até impactou outras áreas da sua vida, relacionamentos, tem mais é que falar! E dar um jeito de não acontecer mais, seja comigo, com você, com senhoras ou meninas da nova geração.

O feminismo não quer o fim do flerte gostoso, devidamente recíproco. Não crucifica o sexo, por amor ou por tesão, com consentimento. Só exige limites, bom senso, sem invasões de privacidade graves, perturbadoras. Tá errado.

Sororidade se aprende
Não queremos os homens na guilhotina. Mas que repensem suas atitudes, se arrependam e não façam mais. Na onda de denúncias é bem possível, sim, que um inocente seja acusado. Falta de caráter não é exclusividade de gênero. Mas a verdade sempre aparece. Ninguém pode dizer que os casos de assédio nos últimos tempos são uma histeria coletiva feminina. É sintoma de uma sociedade em que a mulher é colocada como inferior há décadas, como objeto, propriedade. Não há mais espaço para tal.

Enfim, há um longo caminho, especialmente para os homens. Mas eles vão conseguir. Essa é uma discussão aberta, cheia de sutilezas e influências culturais, mas que está na ordem do dia e, juntos, a gente encontra a fórmula.

As pessoas têm tempos diferentes de compreensão. Não só homens, como também mulheres. Outro dia, uma mulher me disse que feminismo é coisa de quem quer roubar o marido da outra. Gente… É o tipo de fala que me assusta bastante. E é por isso que explicar mais o sentido de sororidade é fundamental.

O termo tem origem no latim. Vem da palavra “sóror” e significa irmãs. A sororidade se tornou um dos principais alicerces do feminismo e do movimento pelo empoderamento feminino. É a união e a aliança entre mulheres, com base na empatia e no companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum.

É o não julgamento entre as próprias mulheres, que também ajudam a fortalecer estereótipos preconceituosos criados por uma sociedade machista. Sororidade é lembrar que há espaço para todas nós, mais ainda quando estendemos a mão a outras mulheres. Criamos redes de apoio, de trocas de experiências, de histórias, de serviços.

De proteção também. Eu não preciso sofrer violência doméstica para lutar pelo fim da violência a que tantas e tantas mulheres são submetidas. Mas eu posso denunciar e mostrar quanto essa é uma situação grave com consequências de tantos outros desrespeitos e riscos para todas nós.

Não espere sentir em si própria para compreender a dor da outra. Não reforce preconceitos, inclusive, porque sua autoestima não está lá grande coisa e você precisa de certezas em voz alta para se convencer de que sua realidade é que é boa, não tem que mexer em nada. Mesmo que não esteja nada boa. Não tem uma angústia aí?

Parem, mulheres, de bater no peito dizendo “sou mãe, logo, sou melhor do que você”, “sou casada, logo sou melhor do que você”, “comando uma empresa, logo sou melhor do que você”, “sou dona de casa e estou em contato com o meu eu feminino, logo, sou melhor do que você”, “sou independente, logo, sou melhor do que você”.

Não há melhor ou pior. Existem realidades, construídas por cada uma e que podem mudar a qualquer momento. Há muitas mulheres infelizes na maternidade e no casamento, mas não podem nem pensar em falar a respeito. Há tantas outras emanando aquela aura de poder e liderança, mas que estão de saco cheio da pressão. E há as que são extremamente felizes como líderes e desbravadoras, ou mães e esposas, ou um mix de tudo, ou seja lá qual for o papel que optaram por desempenhar.

Em Mulheres Ágeis acreditamos que hoje a colaboração vence a competição; a rivalidade se desfaz e dá lugar ao vamos juntas para irmos mais longe. Essa é a beleza. Singularidades preservadas e celebradas para aprendermos umas com as outras numa ainda longa estrada.

Para saber mais:
http://www.mulheresageis.com.br
http://www.rme.com.br
http://www.b2mamy.com.br
http://www.feminaria.com.br
http://www.chegadefiufiu.com.br
http://www.facebook.com/empodereduasmulheres/
http://www.onumulheres.org.br
http://www.frmeninas.com.br
http://www.girlsrockcampbrasil.org
http://www.thinkolga.com
http://www.facebook.com/chegadeassedio/
http://www.papodehomem.com.br

Para assistir (trailers):
As Sufragistas (https://goo.gl/krBQEh)
She’s Beautiful When She’s Angry (https://goo.gl/LBvQ9X)
Repense o elogio (https://goo.gl/jkR3uw)
The Mask You Leave In (https://goo.gl/3oxfZH)
Precisamos Falar com os Homens (https://goo.gl/M3QA5T)
Ban bossy (https://goo.gl/HnbtnK)

***
Para comprar meu livro Tem Dia que Dói – mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo, acesse a loja virtual: https://temdiaquedoi.lojaintegrada.com.br/

Anúncios

Prosperidade vem de não enxergar só a gente

Faça o bem. Porque quando se ajuda alguém o ajudado é você. Essa verdade aí está no poema que o artista Bráulio Bessa, cearense que encanta com a literatura de cordel, declamou no programa da Fátima Bernardes na semana passada (olha que linda a mensagem toda no vídeo no fim do texto).

Nos últimos dias, antes do Natal, pensei muito justamente sobre esse assunto. De como as coisas voltam pra gente quando a gente constrói pontes, não muros, nas nossas relações, na maneira como existimos na sociedade. Pra mim, tem três palavrinhas que se completam e são o melhor exemplo de como fazer para que aquilo que volta seja coisa boa: gratidão, gentileza, generosidade.

Mais do que uma hashtag da moda na foto do pôr do sol, gratidão é reconhecer quando alguém estendeu a mão a você. Quando disse que estaria ao seu lado para o que der e vier. Que te ouviu e, junto, pensou em saídas, avaliou situações. É dizer “muito obrigada” para quem não concordou, mas compreendeu suas razões, e seguiu com você. É oferecer o que tem no momento, por mais simples que seja, mesmo que um abraço apertado. Mas que demonstre que não, você não esqueceu o que fizeram por você. Olha, é até primeiro conhecer toda uma história antes de julgar, sem só comprar a ideia que lhe convém. Já parou pra pensar que um benefício ou algo que você tem hoje só foi possível porque alguém que veio antes construiu? Pois é… Agradecer (muito!) quem tornou, por exemplo, um patrimônio ou uma vida confortável possível é pra entrar na listinha de metas de 2018, heim?!

A gratidão também vem na forma de gentileza. Aquela atenção delicada numa conversa, num telefonema, mensagem que deseja o melhor sempre. De um gesto bonito, nem que seja o de bom dia dado com sorriso no rosto. Um afago. Um compromisso honrado. E gratidão, um dia, precisa aprender a virar generosidade. Assim que possível. Não quando for perfeita porque esse dia pode demorar ou nunca chegar. Não necessariamente pra ser algo material. Nada caro. Mas com valor. Para ser retribuição, a que faz a roda das coisas boas girar. Voltar.

Sabe o que acontece, então, quando ela volta? Prosperidade. Aquela que todo mundo passa o ano correndo atrás, especialmente quando se pensa em dinheiro. O que parte considerável das pessoas não entende é que prosperidade não significa a conta transbordando pela Mega da Virada. Prosperidade é criar o retorno. Criar o reconhecimento quando ajuda. Não é esperar o em troca de. Inclusive porque talvez não venha. A equação gratidão + gentileza + generosidade = prosperidade ainda precisa ser aprendida por tanta gente… É só que quanto mais corações são tocados por afeto, mais gira a roda pra melhor. Pra te indicar para um trabalho, por exemplo. Ou o seu trabalho. Ou quem interfira positivamente no seu caminho. Ou te apresente para novas pessoas que se tornarão seus novos amigos. Talvez um amor?

Prosperidade, no fim, não depende em nada dos votos que nos fazem quando mais um novo ano chegar. Menos ainda de simpatias. Depende de como nos posicionamos diante da vida. Prosperidade vem de não enxergar só a gente.

***
Para comprar meu livro Tem Dia que Dói – mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo, acesse a loja virtual: https://temdiaquedoi.lojaintegrada.com.br/

O efeito vilarejo

Banquinha de frutas, verduras, legumes. A moça que vende massas, o rapaz que vende queijos da Serra da Canastra. Tem o tio do pastel, a menina boleira e a representante de cosméticos das mais simpáticas, que também vende prata e chocolate, e salva quem precisa dos presentinhos de última hora. É feira, meio bazar. E sabe onde acontece? No meu condomínio.

Tendência em São Paulo a feirinha ir até as pessoas. Inclusive em prédios comerciais. A ideia é facilitar a vida de quem tá sempre na corrida eterna paulistana, que é pior pra quem enfrenta trânsito nos horários de pico. Mas aqui no meu condomínio a coisa cresceu e ganhou um novo significado: o de aproximar as pessoas.

“Uma volta às vilas de antigamente, onde todos se conheciam, se ajudavam, consumiam produtos e serviços dos vizinhos”, logo lembrou minha mãe, que é historiadora. Foi nesse encontro semanal que conheci gente nova das mais variadas – e olha que lá se vão dez anos que moro aqui. É louco como não sabemos quem tá na parede ao lado, né? Minha vizinha de porta é hoje uma das minhas melhores amigas. Quando comento isso, muitos se espantam porque nunca falam com os vizinhos. Magina ser amiga? Quase exótico.

Depois das compras, o pessoal acaba ficando mais tempo por ali para papear, se conhecer. E finalmente o salão de festas e a área da churrasqueira passam a ser um lugar melhor além dos bate-bocas das reuniões de condomínio! 🙂

A psicóloga canadense Susan Pinker é autora do livro The Village Effect: How Face-To-Face Contact Can Make us Healthier, Happier and Smarter (em tradução livre O Efeito Vilarejo: Como o Contato Cara a Cara Pode Nos Tornar Mais Saudáveis, Felizes e Inteligentes). Susan aborda a importância do contato pessoal para a longevidade em tempos digitais. Ela esteve no Brasil e falou do assunto no começo do mês como conferencista do projeto Fronteiras do Pensamento (assiste um trecho da apresentação, de cinco minutinhos, no final do texto).

Susan defende quanto integração social e relações próximas são fatores essenciais para que as pessoas sejam felizes e produtivas. Para ela, relações próximas são com as pessoas com quem podemos contar a qualquer momento, como quando nos sentimos mal no meio da noite ou que nos ouve durante uma crise existencial. E precisamos de três a quatro pessoas dessas na vida. Pra pegar o telefone e ligar a qualquer hora.

Não menos importante são o que ela chama de laços frágeis da integração social. Os que mantemos com aquela senhora que cumprimentamos todos os dias de manhã quando vamos passear com o cachorro ou encontramos na missa (ou culto ou reunião, enfim). Acabam sendo superficiais, mas são sinal de que pertencemos a algo, a um grupo, uma comunidade. E a sensação de pertencimento ajuda a preservar a saúde e o bem-estar.

A psicóloga destaca que esses contatos cara a cara diminuem significativamente os índices de demência com a idade. É também o que leva membros de redes de mulheres (de empreendedorismo, networking, rodas de conversa), a sobreviverem mais ao câncer de mama do que mulheres que não participam de tais grupos. Homens que fazem voluntariado ou jogam cartas juntos uma vez por semana estão mais protegidos de derrames.

Quase um quarto da população dos países desenvolvidos não tem com quem conversar. E, em certa medida, nossas vidas profissional, pessoal, educacional e até social se tornaram mais solitárias. Fazemos muito mais coisas sozinhos, sem depender de ninguém. Mas há um efeito colateral aí. Cuidado.

Então, como sugere Susan Pinker, coloque a socialização, literalmente, na agenda. Um encontro com amigas, um café com a mãe, um almoço com o irmão, mesmo uma visita a um ex-professor. Ou chamar o vizinho pra uma caminhada no bairro! Ou até só pra conversar no jardim do prédio! Assim como você determina os dias de academia ou o prazo da entrega de um projeto, coloque o contato com as pessoas como uma prazerosa meta.

Essa troca fortalece o sistema imunológico, aumenta os hormônios responsáveis pelo bem-estar, ajuda crianças a se desenvolverem e aprenderem melhor, permite aos adultos viverem vidas longas, felizes e saudáveis. Na semana passada fui almoçar com duas amigas. Pra dar aquele abraço já de boas festas e de muito obrigada por tudo em 2017. Organizei todo o resto do dia em torno do tempo para esse encontro. Saí mais em paz e renovada para o restante das tarefas que me aguardavam.

É isso. É criar o efeito vilarejo. É alimentar com afeto a proximidade. É o que meu condomínio vem fazendo. É um lindo objetivo a ser alcançado por você ano que vem. ❤

***

Para comprar meu livro Tem Dia que Dói – mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo, acesse a loja virtual: https://temdiaquedoi.lojaintegrada.com.br/

Qual o seu papel no mundo?

Já é quase Natal de um ano que passou rápido, mas acontecendo tanta coisa diferente que parece três anos em um. Pra muita gente, um tempo de construir do zero projetos, histórias e rumos bonitos. Pra tantos outros, de ver desmoronar as ilusões típicas dos castelos de areia, principalmente os construídos sob a vaidade e a certeza da impunidade.

Pra mim, particularmente, foi um ano de descobrir que eu sei fazer coisas que nem imaginava. O que, no fim, me fez entender qual o meu papel no mundo. A Dani Junco, que foi uma das pessoas que me inspiraram muito nesse 2017, fundadora de uma aceleradora para mães empreendedoras, a B2Mamy, diz que a gente tem dois momentos importantes na vida: quando a gente nasce e quando a gente descobre porque nasceu.

Ser empreendedora não era um sonho de criança. Mas ajudar as pessoas a se desenvolverem, se reconhecerem e conhecerem novas realidades, inclusive por meio da comunicação, além de levantar reflexões importantes para a sociedade, sempre foi. É o que eu sabia que sabia fazer. O que eu não sabia é que eu sabia também vender ideias e soluções, criar estruturas únicas e estratégias tanto para erguer outras empresas quanto para erguer autoestimas. E isso é rico, gratificante e me abriu um mundo de possibilidades.

Uma delas é ser mentora. A mentoria é algo muito comum em outros países, principalmente nos Estados Unidos, onde muita gente começa a receber esse tipo de orientação antes mesmo de entrar na faculdade. No Brasil vem crescendo. Muitas empresas já designam colaboradores mais experientes para serem uma espécie de guia para profissionais mais jovens, os ajudando a se desenvolverem na carreira e até em questões pessoais.

No empreendedorismo essa mentoria acontece muito em cursos, workshops, nos quais os participantes precisam tirar uma ideia do papel ou modelar melhor a ideia de um negócio. E aí entra a figura do mentor, auxiliando na estruturação desse projeto.

Todo mundo tem aquelas pessoas que se tornam referências, alguém em quem a gente se espelha. Eu tive muitas e em diferentes momentos da vida. Mulheres e homens. Mas um deles, que é meu amigo até hoje, há mais de dez anos, foi o meu mentor. Foi quem quando tudo parecia nublado demais me ajudou sempre a enxergar as devidas dimensões dos problemas, se de fato eram problemas, além de nunca me deixar esquecer o quanto eu já havia construído, o quanto eu era capaz.

E essa é a diferença da pessoa em que a gente apenas se espelha, admira. Um mentor não é só alguém que a gente quer ser quando crescer. Ele te levanta, mas também confronta seus melindres, medos e exageros. Ajuda você a refletir, reflete junto com você até, mas deixa por sua conta a escolha do caminho. Influencia, mas para fortalecer. Não só para ser admirado e querido. Pra em alguns momentos você ficar de saco cheio dele. E depois voltar.

No fim, esse 2017, além de tudo, me deu de presente a oportunidade de mentorar uma mocinha valente, que do alto dos seus 17 anos, entre a correria de prestar vestibular e lidar com todas as emoções de se despedir do último ano da escola, não deseja só sonhar. Mas concretizar os sonhos. Pensar nos planos desde já, sabendo que o caminho não é linha reta. É cheio de curvas, subidas, descidas, mas… nossa! “Vai ser tão legal! Tem tanta coisa!”, me disse ela, sobre o mundo que virá, em um das nossas conversas via skype nos finais das tardes das segundas-feiras.

Ser mentora é uma responsabilidade que é também um aprendizado. Não ensino. Troco. Pensamos juntas. Compreendemos juntas. Ela, sobre questões que não sabia. Eu, relembrando como tantas dessas questões são importantes e não devem ser esquecidas jamais.

Logo em uma das nossas primeiras conversas eu disse a ela: “Pensar qual é a faculdade e onde deseja trabalhar são só os primeiros passos. Isso tudo você consegue. O que eu quero é que você nunca deixe de se perguntar qual é o seu papel no mundo.”

No final daquele dia, naquela conversa, aos quase 40 anos e com um filme rapidinho passando pela cabeça sobre 2017, fui eu quem entendi qual era, enfim, o meu papel.

***

Para comprar meu livro Tem Dia que Dói – mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo, acesse a loja virtual: https://temdiaquedoi.lojaintegrada.com.br/

2017, o ano do “nossa, quanta coisa, gente!”

Faltam pouco mais de 40 dias para o ano acabar e estamos por aqui já no preparo da listinha de balanço de 2017. Adoro. Adoro listas pra organizar tarefas, objetivos e pensamentos. Mas a das verdades que a gente aprendeu ou que foram reforçadas durante o ano é das minhas preferidas. Que lista, amigos! Essa, de 2017, pode ser definida como a lista do “nossa, quanta coisa, gente!”

Quanta coisa… Quanta coisa boa, reencontro bom, novos encontros bons, gente boa, situação boa, conhecimento bom. Conversas e trocas especiais. E quanta certeza de que tem gente que a gente tem mais é que despachar da vida, assim como situações. E se não der pra despachar, dar aquela limitada. Que aí a vida anda.

Quanto desafio, adaptação, escolha, escola. E que riqueza descobrir que a gente sabe fazer coisa que a gente nem sabia que sabia. Teve quantidade e qualidade. Teve coisa ruim? Claro, sempre tem. Mas… onde foi parar mesmo? Porque nossa, quanta coisa, gente! Quanta beleza em cada verdade que se reforça ou se descobre. Vamos a elas, as verdades. Devidamente compreendidas. Porque 2018 tá aí pra brilhar na purpurina!

Primeiro as ruins:

  • Quem mente uma vez mente duas, três, dez… Até mentir a cada suspiro que dá no dia. Tem quem minta por vergonha de algo que fez. Ou medo. E tem quem minta pelo prazer doentio de achar que nunca vai ser pego(a). Vai. Com preço alto.
  • Manipulador é um ser perigoso que te suga a alma fazendo você se sentir culpado(a) pelo que não tem culpa, se fazendo de coitado(a) e confuso(a) só pra dominar quem tá vulnerável e cujo único objetivo é satisfazer a egotrip.
  • Ah! Manipulador também mente, claro. É do jogo dele(a).
  • Ironias e alfinetadas ao longo do tempo desgastam qualquer relação.
  • Aliás, ironias e alfinetadas são características de quem não tá lá muito bem de autoestima e precisa machucar os outros, colocar pra baixo, pra se sentir fortinho(a). É um fraco(a). Só constrói castelo de cartas ou fica na aba dos outros.
  • A gente só pode ajudar quem quer ser ajudado. Então, foco em colocar energia em quem quer construir algo legal realmente.
  • Dinheiro é bom demais! Traz conforto, segurança, tranquilidade, realiza sonhos. Mas ter uma conta recheada e não saber se relacionar com alegria e afeto é continuar na miséria.
  • Muita pose, pouca entrega. Conhece gente assim? Que diz abalar as estruturas da sociedade, mas que com um pouco mais de conversa dá pra entender que é tudo superficial demais?
  • Vale também pra quem vive dizendo que não tem tempo, é muito ocupado. Quem é ocupado realmente trata de colocar o trabalho em dia sem choramingo pra se desocupar e criar mais coisas legais. Quem não é usa o excesso pra disfarçar a própria a falta de foco e desorganização.
  • Admiração não é idolatria e cegueira.
  • Decepção é a morte da admiração.
  • Quem não sabe ouvir que fique falando sozinho(a), né?

Agoras, as boas!!

  • Se você constrói algo com todo o coração atingirá outros corações!
  • Quanta gente linda pelo caminho pra gente conhecer, conversar e admirar.
  • Filas andam.
  • Tem espaço pra todo mundo! Dá pra apoiar, indicar e tomar um café com a concorrência porque tem coisa no mundo que tá melhor, sim! Quem não entender que a colaboração tá vencendo a competição vai se ver sozinho(a).
  • Aliás, redes de apoio, troca de experiências e histórias! Que negócio bonito!
  • Ter uma cachorrinha peralta em casa vai te fazer sorrir sinceramente várias vezes ao dia. É amor. Recomendo.
  • Vai ficar difícil. E você vai superar e rir de tudo depois. Fundo do poço tem mola.
  • Viver com menos, fazendo as escolhas certas, é viver com bem mais e melhor.
  • Cuidar da saúde. Mas nenhum corpinho fitness supera as alegrias e sentimentos que envolvem bolos decorados, balas de leite ninho, brigadeiros em caixinhas delicadas, cerveja artesanal, pasta de amendoim, pão de cacau com cranberry, cafés bem tirados, pasteis de nata…
  • Se não der certo, tenta outra saída, começa de novo. A palavra é flexibilidade. Apenas se prepare para errar o menos possível. E tudo bem errar, que é aprender.
  • Ter orgulho da nossa história ❤
  • Ter orgulho dos nossos pais ❤
  • Empatia ❤
  • Brainstorm ❤
  • Se tornar referência não pra ser especial. Se tornar referência pra ajudar as pessoas a traçarem caminhos especiais.
  • As pessoas que amam você sempre estarão lá.
  • Perdoar. Ser trouxa jamais 😉

***

Para comprar meu livro Tem Dia que Dói – mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo, acesse a loja virtual: https://temdiaquedoi.lojaintegrada.com.br/

O que está na hora de mudar (ou passou da hora)?

Incentivada por amigas e conhecidas que disseram não à chapinha recentemente e libertaram os cachos, eu tomei coragem e libertei os meus também. Foi no último sábado. Nem lembrava como eles, os meus cachinhos, eram tão bonitos. Não lembrava nem o formatinho – grande, médio, pequeno, ondulado, fechado, mais aberto…

Simplesmente, não reconhecia a textura do meu próprio cabelo. Simplesmente porque há alguns anos eu me rendi a um padrão de beleza que exigia cabelos escorridos. Simplesmente porque eu vivia tão focada no relógio para não chegar atrasada que entendi ser uma escova progressiva a solução para não perder tempo com o cabelo logo cedo.

Cheguei a ouvir que mulher de cabelo cacheado não era considerada sofisticada e, por vezes, era vista como alguém mais displicente, menos comprometida com questões importantes como o trabalho ou relacionamentos sérios. Juro. Como me arrependo de ter ficado calada na ocasião.

Rios de dinheiro e anos depois, cá estou eu, passando de hora em hora na frente do espelho pra conferir a graça e a leveza das voltinhas dos meus fios vermelhos. Reaprendendo a arrumá-los. Pesquisando acessórios para os penteados. Mas não dá pra deixar de pensar como a gente é besta de querer tantas vezes se “encaixar”, esquecendo o valor e a beleza das nossas particularidades.

A animação com o novo visual me faz pensar também como tem hora que a gente PRECISA mudar. Ou até deixa passar da hora. E apesar de já saber que 2017 ficará marcado como um ano de grandes mudanças na minha vida, pessoais e profissionais, só me dei conta disso finalmente quando uma transformação visual veio para carimbar de vez o reconhecimento de como tratavam-se de mudanças urgentes e enriquecedoras. De uma infinidade de portas se escancarando e de pessoas especiais por elas entrando.

A gente sempre espera a virada de ano para fazer aquela lista de desejos e de novos passos que queremos dar. Por que esperar? Faz hoje. Faz agora. Faz de qualquer jeito. No computador, em um bloquinho, no caderno, em um papel solto na bolsa. Com caneta ou lápis. Só faz. Não pensa demais. Começar tudo de novo dá trabalho, sim. Mas é melhor o desafio de construir e reencontrar felicidade pelo caminho do que a certeza da zona de conforto que não traz alegrias, satisfação, tesão, sentido. Ou pior: que exige dias tão arrastados e longe do melhor que podemos ser que, assim como os cachinhos, não são reconhecidos mais com as bonitezas que podem carregar.

Pra fechar, vou recomendar que reservem sete minutinhos de vocês pra assistir essa animação chamada “Alike”. Em uma vida agitada, Copy é um pai que tenta ensinar o caminho correto a seu filho Paste. Mas… O que é correto fazer? Vale a reflexão. Para as transformações que nos ajudarão a abandonar os dias arrastados. ❤

Para comprar meu livro Tem Dia que Dói – mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo, acesse a loja virtual: https://temdiaquedoi.lojaintegrada.com.br/

Mesmo barco

O sol queimando. Nem sinal de inverno. Quinta-feira de feriado. 10h30. Umidade relativa do ar em queda. E eu felizinha de colocar o biquíni depois de meses, de sentir calor na pele, de dar umas braçadas na piscina do prédio. Temperatura da água ideal.

Tem mais gente na piscina. Sempre tem quem prefere não viajar em feriado. Tem também quem tá sem grana mesmo pra viajar no feriado. Não que quem viajou tá assim, com grana. Quem no Brasil atual tá tranquilão pra gastar? Esse Brasil da Lava Jato que ninguém mais sabe no que vai dar. Só se for herdeiro. Aí tá tranquilão. Ah, isso se não for herdeiro de político. Se bem que a cara de pau é tamanha nesse métier que deve ter gente tranquila, sim… Consciência pesada é coisa de classe média, certeza.

“Quer óleo de coco? Dá um bronze”, oferece meu vizinho na espreguiçadeira ao lado. Ou foi gentileza por eu avisar que a cadeira que ele sentaria estava quebrada ou deu a entender que tô precisando de muito sol pra dar uma coradinha.

Agradeço e prefiro acreditar na gentileza. Ele é simpático. Percebi que estava com celular e fone aprendendo italiano online. Reparei também na moça do outro lado, lendo uma revista com pegada holística. Uma outra cantava baixinho as músicas que ouvia com fone. Parei de cuidar da vida alheia e voltei ao meu livro, da Marta Barcellos, “Antes que seque”. Premiado. Recomendo. O meu veio com autógrafo. ❤

Entro na água. A vizinha da revista holística entra um pouco depois. “Tá boa a água”, ela puxa conversa. “Tá, sim”, respondo sorrindo. “Não achei que hoje tivesse tanta gente na piscina”, diz. Já éramos uns dez ali esturricando no sol. “Tempos de incerteza. A piscina sempre enche mais quando o país tá em crise. É lazer sem gasto”, diz uma outra vizinha, que vai todos os dias de sol na piscina e é uma das moradoras mais antigas do condomínio.

O vizinho do óleo de coco participa da conversa e todos comentam sobre mudanças de hábitos recentes para diminuir gastos. No meio do papo, todos percebem que se sentem mais em paz com essas mudanças. Estão lendo mais, por exemplo. E a Netflix, campeã, tá aí pra gente maratonar nos seriados, com preço acessível. Os encontros com os amigos são na casa de alguém e cada um leva uma coisinha. Andar de bike, correr no parque. Tá bom. O importante é não deixar de espairecer. Mas sem gastar.

O povão, o assalariado, o empreendedor, o autônomo, o PJ, o carteira assinada, tá se virando, no compasso de um dia de cada vez. Reaprendendo os prazeres simples da vida – mais em conta. Tipo a piscina do prédio. Ou a viagem pra praia, mas com o dinheiro contado pro sorvete. Ou a viagem pro interior, mas só porque vai ficar na casa de parente. Ou a viagem pra outro estado, mas só porque pagou em 12 vezes. Pra outro país atualmente? Hahahaha… Ai, gente…

Então, não se preocupe. Você não tá mais f#%*@& que ninguém, não. Não acredite nas fotos glam do Facebook. Rede social é que nem os álbuns antigos: ninguém colocava foto de um momento difícil pra guardar de recordação. A diferença é que se mostrava só pras visitas, né? Agora todo mundo vê na timeline. Fica tranquilo. Estamos todos nos mesmo barco de um Brasil passado a limpo que já não se sabe mais nem o que é verdade ou não, quem é culpado ou não.

Todos na batalha, que é o que nos resta. E, sim, quanta graça e prazer no simples. Às vezes tão mais significativo e feliz do que o que nos custou caro. Quantas vezes foi caro e nem de longe foi sinônimo de felicidade? Lembra? Pois é…

***

Para comprar meu livro Tem Dia que Dói – mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo, acesse a loja virtual: https://temdiaquedoi.lojaintegrada.com.br/